Fundo que mais subiu em 12 meses pode ser boa opção de risco

Fundo de gestora do banco Modal teve a maior alta da categoria de fundos multimercados macro no último ano e pode ser opção para quem aceita correr riscos

São Paulo – O fundo Tactical, da Modal Asset Management, gestora de fundos do banco Modal, tem se destacado entre seus pares e pode ser uma opção interessante para investidores que buscam uma aplicação de maior risco para compor a parcela mais agressiva de sua carteira de investimentos.

Com uma rentabilidade de 26,8% nos últimos 12 meses, ele bate o retorno de todos os fundos enquadrados na categoria fundos multimercados macro no período.

Os fundos multimercados macro não têm restrições quanto às classes de ativos que podem fazer parte da sua carteira. Eles aplicam em diversos tipos de investimentos – como ações, títulos de renda fixa e moedas – e em mercados de diferentes países, sempre buscando a melhor estratégia de acordo com o momento.

“Temos uma equipe focada em enxergar as melhores opções de investimento dentro de diferentes tipos de mercado”, diz Luiz Eduardo Portella, sócio-gestor do Modal Asset Management.

Ao observar outros intervalos de tempo, o Tactical perde para outros fundos, mas também apresenta bons resultados. No acumulado de 2016, o fundo aparece em quarto lugar na categoria multimercados macro, com uma rentabilidade de 12,1%, e em 24 meses ele fica em sexto lugar, com um retorno de 38,9%.

Os dados de rentabilidade foram retirados do terminal da Bloomberg e confirmados por EXAME.com com a Anbima, entidade que regula a indústria de fundos. Todos os rendimentos são referentes ao fechamento do dia 12 de maio (fechamento mais recente disponível na Bloomberg).

Veja, na tabela a seguir, os dez fundos que apresentaram a maior rentabilidade dos últimos 12 meses na categoria de fundos multimercados macro e confira também o retorno apresentado por eles no acumulado de 2016 e nos últimos 24 meses.

Fundo Retorno em 12 meses* Retorno em 2016* Retorno nos últimos 24 meses*
MODAL TACTICAL 26,8% 12,1% 38,9%
MAUÁ MACRO 25,0% 14,8% 29,5%
AZ QUEST MULTI FIC 24,4% 11,6% 37,3%
SPX NIMITZ FEEDER * 24,0% 5,7% 40,5%
GARDE DARTAGNAN FIC FIM 23,0% 7,7% 46,3%
VINTAGE MACRO FIC 22,2% 12,1%  
NEO MULTI ESTRATÉGIA FIC 22,0% 8,0% 40,3%
OPPORTUNITY TOTAL 21,0% 7,0% 33,0%
PAINEIRAS HEDGE * 20,2% 10,0% 27,7%
BTG PACTUAL HEDGE PLUS FIM 19,8% 6,6% 28,9%

Fonte: Blooomberg. Dados confirmados pela Anbima.

*Rendimentos referentes ao fechamento do dia 12 de maio de 2016. Os retornos são líquidos de taxas de administração e performance, ou seja, a rentabilidade apresentada já indica o rendimento que o investidor teria considerando o desconto das taxas.

Ao comparar as rentabilidades do Tactical com a taxa DI – que é usada como parâmetro para os rendimentos de aplicações de renda fixa e segue comportamento semelhante ao da taxa Selic –, é possível dizer que o fundo bate a renda fixa em diferentes períodos. No acumulado de 2016, a rentabilidade do Tactical é de 251% da taxa DI; em 12 meses é de 192% da taxa DI; e em 24 meses é de 144% da taxa DI. 

Ainda que as rentabilidades pareçam interessantes, é importante lembrar de duas regrinhas básicas de investimentos: rentabilidade passada não é garantia de retorno futuro; e por melhor que seja o resultado de uma aplicação, ela pode não ser indicada para o seu perfil de risco e objetivo. 

Veja cinco investimentos conservadores que batem a poupança. 

Cuidados

O fundo Tactical é voltado a investidores com perfil de risco mais agressivo. Ele tem uma volatilidade de 5%, o que significa que seu resultado pode oscilar cinco pontos percentuais para baixo ou para cima da taxa DI. Considerando a taxa DI dos últimos 12 meses, de 14,00%, a rentabilidade do fundo poderia oscilar entre 11% e 19% ao ano. 

É importante frisar também que o fundo pode gerar resultados negativos. “O investidor deveria olhar o risco desse fundo como o risco de um investimento em ação. Ele pode gerar rentabilidade negativa, principalmente em períodos mais curtos, de um ou dois meses, mas em horizontes maiores ele tem acumulado resultados bem positivos”, afirma Luiz Eduardo Portella. 

Como o fundo tem riscos, ele é mais indicado para compor a parcela agressiva da carteira do investidor. O sócio da Modal Asset Management diz que o ideal para um investidor que aceita correr um pouco de risco, mas ainda se considera conservador, seria montar uma carteira com a maior parte dos recursos alocada em renda fixa, uma parte menor na bolsa e até 30% em fundos multimercados.

Estratégia

O fundo Tactical é composto por uma equipe de 12 pessoas, sendo cinco gestores, dois analistas, dois economistas e dois profissionais especializados em risco. Além disso, o fundo conta com o suporte das áreas jurídica e de tecnologia do Banco Modal.

Portella afirma que o sucesso do fundo nos últimos 12 meses se deu principalmente pelos ganhos obtidos com alta do dólar. “Aqui no Brasil, o dólar saiu de 2,5 reais para 4 reais no ano passado e a gente conseguiu aproveitar esse movimento. Também ganhamos com a venda do euro contra o dólar, foram dois movimentos muito bons”, diz.

Em fevereiro e março, o fundo também capturou o sentimento de otimismo com o Brasil, gerado pelo avanço do processo de impeachment e pela calmaria no mercado internacional, já que o Fed, o banco central norte-americano, postergou o aumento dos juros básicos dos Estados Unidos. “Os mercados emergentes deram uma acalmada e nós conseguimos ganhar ao antecipar a virada de tendência na taxa de juros futuros do Brasil.”

O sócio afirma que os ganhos foram obtidos principalmente com operações realizadas no mercado futuro. Diferentemente do mercado à vista, no qual o investidor basicamente ganha dinheiro se o ativo no qual investiu se valorizar, o mercado futuro permite ao investidor obter retornos com a queda do dólar, da bolsa ou de outros ativos (veja em mais detalhes como funciona o mercado futuro).

Assim, Portella afirma que o fundo obteve bons ganhos com contratos futuros de dólar – por exemplo, vendendo a moeda norte-americana a 3,80 reais, em momentos que ela valia cerca de 3,50 reais – e com contratos de DI futuro, ao travar os juros em cerca de 16% ao ano, diante da queda na perspectiva dos juros para algo em torno de 12% ao ano.

Pensando nos próximos meses, o fundo tem investido no mercado futuro de ouro. Os analistas do Tactical acreditam que os bancos centrais de países europeus devem elevar seus estímulos monetários, irrigando suas economias com mais dinheiro e provocando um enfraquecimento do dólar. “Como o ouro é um metal e tem lastro, quando o dólar está em baixa e a incerteza aumenta, investidores migram para o ouro para proteger seu dinheiro”, diz Portella.

O fundo deve buscar ainda capturar ganhos com as perspectivas de queda de juros e de valorização da bolsa. Operações de compra e venda de contratos futuros de dólar também já foram feitas para proteger o fundo contra oscilações da moeda norte-americana nos próximos meses.