Fator recomenda compra das ações de Totvs e Datasul

Corretora estima alta de até 68% para os papéis neste ano

Os investidores ainda poderão lucrar até 68% com a fusão entre a Totvs e a Datasul. Essa é a avaliação da corretora Fator, que recomenda a compra das ações das duas companhias. Nessa semana, os papéis das empresas subiram até 11% devido ao anúncio de fusão, feito no dia 23 de julho. Mas, pelos cálculos da instituição, as ações da Totvs (TOTS3), que hoje são cotadas a 52 reais podem chegar a 77,06 reais até dezembro, enquanto os da Datasul (DSUL3) podem sair de 22 reais para 37,04 reais.

Com a unificação, as empresas criarão a maior companhia de software de gestão em mercados emergentes e a nona maior do mundo. “Cerca de 49% do faturamento da companhia pós fusão será composto por receitas recorrentes (manutenção e serviços equivalentes), o que traz mais segurança para a continuidade da empresa, mesmo em períodos mais recessivos”, destaca a Fator. Por serem empresas complementares, a corretora aposta num fortalecimento de posição me mercado. A nova companhia terá 38,1% de participação no mercado brasileiro, pouco mais de um ponto percentual acima da segunda colocada, a SAP, que possui 36,9% no Brasil e 17,5% na América Latina.

Nasce uma gigante

A compra da Datasul pela Totvs – por cerca de 700 milhões de reais – será positiva não só para o mercado local, mas para fortalecer a imagem do Brasil no mercado internacional de software. A consolidação dará mais fôlego para a Totvs atuar frente às gigantes do software, como Oracle e SAP, especialmente na América Latina, segundo o analista sênior da IDC para a região, Julio Pagani.

“A união fortalece a empresa especialmente nos principais mercados dessa região, como México e Argentina, onde ambas já têm presença. Além disso, nos países onde não há sobreposições como a Colômbia onde a Datasul já atua e Portugal, país de operação da Totvs, a integração será positiva para atingir mais capilaridade”, comenta Pagani.

No mercado interno, a integração também é saudável, segundo o analista. De acordo com ele, a formação do conglomerado não deverá promover uma concentração estrondosa para o mercado e também não deverá acontecer pressões de preço em software. No entanto, a concorrência ficará ainda mais difícil para as gigantes internacionais que tentam abocanhar a fatia promissora das médias e pequenas empresas, hoje o segmento mais promissor para o software de gestão.

Quanto às operações conjuntas, Pagani acredita que a Totvs deverá realizar a integração da Datasul nos moldes semelhantes como fez com Microsiga, Logocenter e RM Sistemas, ou seja, mantendo cada linha de produtos separadamente e também as equipes que os desenvolvem.

“Não faria sentido matar o produto que vem dando certo na Datasul, embora deverão existir desafios significativos para gerenciar as ofertas de todas as empresas do grupo”, revela.

Treinar os canais de vendas também serão desafios para a Totvs, ao passo que Datasul traz consigo os sistemas das dez empresas que adquiriu após o IPO. “As aquisições que a Datasul fez foram interessantes para complementar sua oferta em certas verticais. A Totvs herda tudo isso, mas com certeza vai ter trabalho na integração”, explica.