Empresa aluga cofres particulares a partir de R$ 360 por mês

Sekuro entra em um segmento descontinuado pelos bancos por questões de segurança e estratégia comercial

São Paulo – Tem jóias, documentos de valor, obras de arte ou guarda dinheiro em casa, mas teme que esses objetos tornem a sua casa um alvo para ladrões? Uma empresa de São Paulo encontrou a solução para o problema: passou a alugar cofres particulares em seu escritório, na zona Sul da capital paulista. A comodidade já foi oferecida pelos bancos no passado, mas o serviço foi descontinuado.

São 448 caixas com cadeados e em três tamanhos: pequena (10x15x50cm), média (10x30x50cm) e grande (20x30x50cm), que podem ser alugadas por meses ou anos. O valor vai depender do tamanho da caixa e período da locação, mas parte de 360 reais por mês para caixas pequenas e pode passar de mil reais nas caixas maiores. Caso a locação seja contratada por anos, o valor cai.

No valor do aluguel de cada caixa já está embutido o custo de uma apólice de seguros que indeniza em 500 mil reais o usuário da caixa em casos de furto ou roubo qualificado, incêndio, raios, explosão e danos de natureza. Como esse valor pode não cobrir o custo de uma obra de arte, por exemplo, a empresa aconselha clientes a dividirem os objetos em mais de uma caixa para ter uma indenização maior, que cubra o valor dos objetos. Mas, naturalmente, o valor do aluguel pode dobrar ou até triplicar.

Os cofres estão localizados no que a e empresa chama de um ‘bunker’ nas alturas. Em um andar de um prédio comercial, a empresa criou um labirinto formado por paredes e painéis blindados importados. O ambiente tem controle de acesso composto por barreiras físicas, tecnológicas e que é monitorado 24h e tem sistema de alarmes. O sistema biométrico utilizado faz a leitura de mais de 5 milhões de pontos da palma da mão, além de fluxo sanguíneo. A empresa não detalha sua estrutura, como tamanho da equipe, por questões de segurança.

Até agora não havia praticamente nenhuma opção para quem quisesse guardar bens valiosos fora de casa e, dessa forma, resguardar a segurança. Os bancos descontinuaram o serviço de cofres particulares há alguns anos. O Banco do Brasil, por exemplo, descontinuou o serviço em agosto de 2015, sem citar as razões. Já o Itaú diz que deixou de oferecer o serviço a clientes “por não fazer mais parte da estratégia comercial do banco”. Santander, Bradesco e Caixa se limitam a dizer que não oferecem mais o serviço.

Os concorrentes que mais se assemelhavam à Sekuro até agora são as empresas de self storage, como a Guarde Aqui, que alugam boxes nos quais pode ser guardadas qualquer coisa, inclusive objetos valiosos. Mas a segurança de empresas de storage não é a mesma de uma empresa especializada em bens de valor. Afinal, esse não é o objetivo do negócio, que tem boxes grandes, que servem para guardar principalmente mobília.

A Guarde Aqui, por exemplo, tem boxes com alarmes individuais e cujas chaves e senhas que ficam com o cliente, mas os boxes não tem portas ou paredes blindadas. Além disso, a apólice de seguro embutida nos valores dos boxes é a de responsabilidade civil. Ou seja, englobam queda de estrutura e incêndios, por exemplo, questões de responsabilidade da Guarde Aqui. Seguro de roubo e furto, por exemplo, devem ser contratados de forma separada, e cobrir o valor dos objetos armazenados.

Rodrigo Alexandre, técnico e representante da associação de Proteste, aponta que, de acordo com o último estudo sobre seguros residenciais feito pela associação, em março deste ano, nenhuma das principais nove seguradoras do país ofereciam um seguro residencial que cobria objetos de valor. “Dependendo do sinistro não compensa para a seguradoras correrem esse risco. E isso aumentaria muito o valor da proteção”.

Contudo, a marca Mapfre comercializa hoje a proteção para ‘Obras de Arte’ e ‘Roubo e Furto de Jóias’. As mesmas coberturas estão disponíveis na marca BB Seguros, por meio da apólice Residencial Private Alta Renda, que é um contrato personalizado, construído de acordo com as necessidades do cliente.

A desvantagem de um seguro é que os objetos continuarão em casa e podem atrair a atenção de ladrões, provocando insegurança. Mas, por outro lado, as perdas serão minimizadas.

Apesar de praticamente não ter concorrentes, talvez não falte demanda para a Sekuro. Uma pesquisa recente do SPC Brasil mostrou que 25% dos poupadores guardam dinheiro na própria casa. A pesquisa não incluiu jóias e obras de arte.

Daniel Aveiro, diretor da empresa, aponta que o serviço de cofres particulares existe em países da Europa e nos Estados Unidos e até nos vizinhos Argentina e Chile. “Pretendemos nos expandir para outros estados, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Salvador”.

Como funciona

Na locação de uma caixa, o cliente não precisa declarar o que colocará dentro dela, mas é obrigado a assinar um termo no qual se compromete a não guardar ali nada que tem origem ilícita, como dinheiro, armas, drogas etc.

Caso seja constatado que havia algo ilícito depositado nas caixas, a empresa não é co-responsabilizada por isso.

Antes da locação da caixa, é necessário agendar uma visita presencial. Depois, o cliente tem livre acesso à caixa em horário comercial e aos sábados, sem prévio aviso ou limite de entradas.

Uma limitação do serviço é que as caixas não têm uma climatização especial para manutenção de obras de arte e até dinheiro. O ambiente tem apenas ar-condicionado.