É a hora de tirar o visto chinês

Com o fim dos Jogos Olímpicos, ficou mais confortável e econômico viajar para a China - as filas diminuíram e os preços estão em queda

Quem esperou pelo final dos Jogos Olímpicos de Pequim para fazer as malas e embarcar rumo à China será recompensado em dinheiro pela decisão. Sem contar as filas, que estão diminuindo com a volta para casa de quase meio milhão de turistas estrangeiros, os preços de hotéis, restaurantes e guias começam a cair para patamares semelhantes aos que prevaleciam antes do início das competições. Durante os Jogos, uma diária para um casal no luxuoso The Great Wall Sheraton Beijing, um cinco-estrelas, estava saindo por 1 500 dólares. Em setembro e outubro, uma noite no mesmo hotel ficará na faixa de 320 dólares. Nos melhores restaurantes de Pequim e Xangai, a queda dos preços será menor, mas ainda assim de respeitáveis 30%. A necessidade de fazer reservas com dois dias de antecedência para garantir um lugar – algo que virou praxe durante os jogos – também está sumindo. Até nas atrações turísticas a tendência dos preços é de queda. Um pouco antes do início da Olimpíada, eles dobraram, mas ao longo das próximas semanas devem voltar ao normal.

Na China, há duas opções para visitar os principais pontos turísticos por intermédio das agências de viagem: contratar um tour regular (destinado a um grupo de pessoas) ou um tour privativo (normalmente para uma ou duas pessoas, com preços individuais mais elevados). Durante as Olimpíadas, estava difícil encontrar um tour regular, pois quase todos os guias tinham sido deslocados para atender o evento esportivo. Pior: com o conseqüente aumento da demanda por tours privativos, seus preços dobraram. Um passeio de um dia de Pequim até a Grande Muralha, com almoço incluído, estava custando cerca de 300 dólares por pessoa. Em setembro e outubro, esse valor deve voltar ao que era, o que significa pagar por volta de 150 dólares.

Com a sua paranóica obsessão por controle, o governo comunista acabou chocando muitos ocidentais durante os Jogos. Não ajudaram em nada as notícias de que críticos do sistema foram obrigados a abandonar suas casas para evitar o contato com a imprensa estrangeira. As cenas de caos nas filas para a compra de ingressos e o nível de poluição em Pequim também passaram a imagem de um país atrasado. Apesar de todas as desilusões provocadas pela exposição durante a Olimpíada, motivos para visitar a China não faltam. No centro de Pequim, a cidade mais procurada pelos estrangeiros, fica a Praça da Paz Celestial, construída em 1417. Ao seu lado está a Cidade Proibida, um imponente conjunto de edificações que abrigou o Palácio Imperial da China durante quase cinco séculos até a revolução comunista. Outra atração da arquitetura chinesa é o Palácio de Verão, que consiste em um jardim labiríntico guarnecido de pavilhões, templos e pontes. A uma hora de carro de Pequim fica o trecho mais visitado da Grande Muralha. Construída há mais de 2 000 anos para proteger as fronteiras do Império chinês, a muralha é formada por aproximadamente 6 000 quilômetros de fortificações que cortam o país de leste a oeste.

Xangai, a maior cidade do país, com 16 milhões de habitantes, tem prédios de estilo europeu ao lado de antigos templos chineses. Um dos lugares mais visitados é o bairro do Bund, próximo ao rio Huangpu, onde se concentram consulados e as sedes de empresas estrangeiras. Construídos no século 16, os jardins Yu Yaun são divididos em duas partes, como se fosse um jardim dentro do outro. No Museu de Xangai, na Praça do Povo, há mais de 10 000 peças em bronze e porcelana das dinastias Shang (iniciada em 1776 a.C.) e Zhou (por volta de 990 a.C.).

Desde que Pequim foi escolhida como a sede dos Jogos Olímpicos, há sete anos, a infra-estrutura para receber turistas na cidade se transformou. A quantidade de hotéis de quatro e cinco estrelas na cidade mais do que dobrou, passando de 64 para 161. Quem chega ao aeroporto de Pequim é logo lembrado dos contornos de um dragão gigante. A mítica criatura dá forma ao edifício do novo terminal, projetado pelo arquiteto inglês Norman Foster, que concebeu uma construção com uma longa cauda e clarabóias triangulares que lembram escamas. Inaugurado a toque de caixa para receber o fluxo de visitantes da Olimpíada, o novo aeroporto não é apenas o maior do mundo, mas uma verdadeira obra de arte. Na China, há atrações em número suficiente para justificar várias viagens – ainda mais agora que os turistas dos Jogos Olímpicos começam a voltar para casa.