Devo tomar um empréstimo barato para quitar dívidas caras?

Internauta não aceita proposta de renegociação do banco e avalia outras possibilidades para quitar sua dívida

Dúvida do internauta: Estou com uma dívida no valor de 6.000 reais no banco e não tenho como pagar agora. Na negociação, me propuseram um longo parcelamento de juros. Estou preocupada pois recebi um aviso de que vão entrar na Justiça. O que eu faço? Quero pagar, mas os juros são absurdos, e no momento não tenho como. Tenho outras dívidas em cartões de crédito que, com essa, devem totalizar 10.000 reais. Vale a pena tomar um empréstimo neste valor e pagar tudo que devo de uma vez?

Resposta de Ronaldo Gotlib*:

Não acredito na possibilidade de o banco ingressar com uma ação judicial de cobrança, uma vez que este procedimento é caro e de risco elevado. Dificilmente a cobrança de valores nestes patamares é proposta via judicial. O inverso sim é bem mais provável, ou seja, o devedor ingressar com uma ação nos juizados especiais buscando obter o afastamento de juros, taxas e multas excessivas, encontrando o verdadeiro valor devido e a quitação da dívida em justas condições.

Este procedimento deve ser seguido caso o internauta entenda que estão superfaturados os valores cobrados. Não sendo esta a questão, então o caminho é realmente buscar um empréstimo com taxas reduzidas e prestações que se encaixem em suas condições financeiras. De posse desta quantia, busque obter um desconto para o pagamento à vista das outras dívidas, dê prioridade para o pagamento da dívida maior, que ameaça a sua saúde financeira.

Antes de tomar qualquer decisão, o internauta deve conhecer sua situação financeira, e em especial, entender o que o levou à situação de assumir uma dívida acima de sua capacidade de pagamento. Depois, é importante providenciar uma reestruturação de seu controle financeiro, cortando despesas e priorizando a solução dos problemas já existentes. A decisão de assumir um novo empréstimo para pagamento de dívida anterior, ou propor uma ação judicial, a fim de obter um acordo para pagamento, deve sempre ser precedida de uma avaliação, sob pena de o devedor acabar apenas postergando um problema de descontrole financeiro, por meio de um processo de substituição de dívidas velhas por novas.

*Ronaldo Gotlib é consultor financeiro e advogado especializado nas áreas de Direito do Consumidor e Direito do Devedor. Autor dos livros “Dívidas? Tô Fora! – Um Guia para você sair do sufoco”, “Testamento – Como, onde, como e por que fazer”, “Casa Própria ou Causa Própria – A verdade sobre financiamentos habitacionais”, “Guia Jurídico do Mutuário e do candidato a Mutuário”, além de ser responsável pela elaboração do Estatuto de Proteção ao Devedor e ministrar palestras sobre educação financeira.