Devo sair da poupança para investir em LCI?

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Pergunta do leitor: Tenho 30 mil reais e gostaria de fazer esse dinheiro render mais do que na poupança. Nas minhas pesquisas, cheguei às LCIs, que não descontam Imposto de Renda e são boas para aplicações de curto prazo. É uma boa opção?

Resposta de José Faria Junior*:

A caderneta de poupança não tem o maior rendimento para o valor que você possui e você está correto em buscar alternativas mais rentáveis. Porém, antes do retorno financeiro de qualquer aplicação, você precisa:

1) Ter uma reserva de emergência, que cubra os seus gastos mensais por um período mínimo de 6 meses.

2) Ter projetos para o uso do dinheiro, que podem ser para curto prazo (em torno de um ano), para médio prazo (em torno de 3 a 5 anos), ou para longo prazo (10 anos ou mais)

3) Conhecer o seu perfil como investidor. É importante comentar que há riscos nas aplicações em renda fixa e, por isso, antes de fazer qualquer investimento, responda corretamente aos questionários dos bancos e das corretoras para que eles não ofereçam produtos inadequados ao seu perfil.

Com essas questões em mente, a sugestão é que, em primeiro lugar, você faça sua reserva de emergência. Para isso, busque aplicações que sigam a DI (CDI, muito próxima à taxa Selic) e que tenham liquidez diária.

Supondo que R$ 10 mil sejam suficientes para essa etapa, sugiro investir em um fundo que cobre uma baixa taxa de administração. Não aceite pagar mais do que 1% ao ano, pois isto reduzirá muito o seu retorno, sobretudo após a cobrança do Imposto de Renda. Pesquise! Se há alternativas mais baratas, porque pagar mais caro?

Em segundo lugar, você terá R$ 20 mil em suas mãos. A LCI é interessante para aplicações para curto e médio prazo, principalmente porque é isenta de Imposto de Renda. Em linhas gerais, para prazos de até 2 anos, se a LCI render 82,5% do CDI, já será igual ou melhor que um CDB que renda 100% do CDI.

Porém, antes de aplicar, é muito importante conhecer algumas características do produto: prazo de carência de 90 dias; prazo de emissão, em geral, entre 6 meses e 2 anos; rating ou classificação de risco de crédito. Em geral, um banco com rating mais alto oferece uma taxa de retorno mais baixa do que um banco com rating mais baixo.

Você deve se preocupar com o assunto de risco de crédito e analisar as LCIs não apenas pelo retorno, mas também pelo rating, informação que você deve pedir antes de fazer a aplicação. Apesar da LCI ter a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), caso o banco emissor sofra uma intervenção do Banco Central, você receberá o valor aplicado em torno de 4 a 6 meses a partir da data da intervenção e sem o respectivo rendimento.

Tome cuidado com ofertas muito generosas, porque pode ocorrer algum infortúnio no meio do caminho, gerando problemas de liquidez e retorno.

Uma alternativa à LCI é o Tesouro Direto, cuja desvantagem é a cobrança do Imposto de Renda. Para curto prazo, prefira o Tesouro Selic, que tem liquidez quase imediata e retorno equivalente à taxa Selic. No caso de aplicação prefixada, o título mais curto disponível é para janeiro de 2020.

Assim, a LCI pode ser uma boa alternativa, tendo em vista aplicações para curto prazo. Porém analise o banco emissor e pondere os riscos.

Você pode perfeitamente dividir o seu dinheiro em algumas aplicações, não colocando “todos os ovos na mesma cesta”.

*José Faria Junior, planejador financeiro CFP® pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar).

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