Descubra como diminuir o risco de seus investimentos

Especialistas dão dicas sobre como montar uma carteira arrojada e ao mesmo tempo com chances reduzidas de perda

O susto provocado pela crise no setor de crédito imobiliário nos Estados Unidos lembrou os investidores que excesso de confiança no mercado financeiro pode ser sinônimo de grandes prejuízos. Mesmo em épocas de prosperidade, baseadas em desenvolvimento econômico e tecnológico, crescimento de emprego e renda – como atualmente – cautela e análise são palavras de ordem na hora de decidir onde, quando e como investir. “O racional tem de prevalecer sobre o emocional, tanto nos momentos de euforia como nos de crise”, diz o professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração, Ricardo Humberto Rocha. “Não é fácil manter o controle e continuar com ações nas mãos quando a bolsa está desabando, mas o investidor precisa ter em mente que ao se deixar levar pela emoção acabará perdendo mais dinheiro.”

Evitar o sobe-e-desce do mercado é impossível, mas reduzir a exposição das aplicações ao risco – e preservar o coração do investidor – não é. O primeiro passo consiste em definir o perfil do investidor (clique aqui e descubra o seu), informação que auxiliará na escolha dos ativos que irão compor a carteira. Grande parte do risco poderá ser diluído colocando-se em prática a máxima que diz “nunca ponha todos os ovos em uma só cesta” – ou em outras palavras: diversifique seus investimentos.

Mas não adianta sair distribuindo os recursos em vários investimentos aleatoriamente. Ao agir dessa forma, o investidor poderá dar um tiro no próprio pé, já que dependendo da combinação dos produtos, as chances de perda poderão ser potencializadas, ao invés de minimizadas. “É preciso ter em mente um conceito básico ao selecionar os ativos de uma carteira: quando a bolsa cai, o dólar e os juros sobem. E vice-versa. Portanto, o investidor deve escolher produtos que se equilibrem, de forma que as perdas em um sejam compensadas pelos ganhos em outro”, diz Rocha (veja abaixo como uma carteira diversificada reage à volatilidade do mercado).

Quem investe em ações, por exemplo, deve preferir os fundos DI e a renda fixa pós-fixada aos produtos prefixados. Numa possível queda da Bolsa – como a que aconteceu no dia 16 de agosto, quando o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), recuou quase 9% -, os juros sobem e quem estiver aplicado em títulos prefixados perderá a valorização e poderá até ter mais prejuízo. Como a alta dos juros reduz o preço dos títulos prefixados no mercado, os fundos de renda fixa também podem apresentar resultados negativos – e foi exatamente isso o que aconteceu na primeira quinzena desse mês, quando os produtos registraram perdas médias de 2,55%, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid).

Os fundos cambiais, apesar de terem apresentado rentabilidade acima de 10% somente nos 16 primeiros dias de agosto (clique aqui e saiba mais) não são as opções prediletas dos especialistas para diversificação. “Como o dólar vem perdendo muito poder de compra em relação às principais moedas de todo o mundo, inclusive o real, não aconselhamos o investimento”, diz Aquiles Mosca, estrategista de Investimentos Pessoais do ABN Amro Asset Management.

Para o executivo, a melhor alternativa para os pequenos investidores são os fundos multimercados, que conseguem trabalhar com diversos tipos de ativos e obter ganhos mesmo em momentos de estresse no mercado. Os investidores mais experientes – e com maiores volumes de recursos para investir – têm a opção dos fundos long / short, que utilizam ações e derivativos em suas estratégias e são menos dependentes do cenário macroeconômico.

Ainda é possível recorrer aos mercados de opções e de futuros (clique aqui e saiba mais). Por meio desses contratos, o investidor pode minimizar o risco de seus investimentos em ações ao adotar uma posição contrária à de sua carteira ou fundo. Assim, se a Bolsa cair, ele perderá no fundo ou na carteira, mas ganhará no contrato de derivativos. E vice-versa. Essa alternativa, no entanto, não é indicada para investidores inexperientes. “O mercado de derivativos é perigoso. Requer conhecimento e não é fácil de operar”, diz Saulo Sabbá, diretor-executivo da Máxima Asset Management.

 Devagar e sempre

Eliminar a possibilidade de perda de um investimento é algo que nem os melhores estrategistas em investimentos do mundo conseguem fazer. Mesmo as opções mais conservadoras do mercado, como a caderneta de poupança, embutem um certo grau de risco – e quem viveu o Plano Collor sabe disso. Na ocasião, todos as aplicações superiores a 50.000 cruzados novos foram bloqueadas e parte delas não tiveram a devida remuneração.

Ninguém acredita que outra situação como esta volte a acontecer, assim como é praticamente descartada pelos economistas a possibilidade de o Brasil dar um novo calote. Momentos de crise, porém, fazem parte dos ciclos econômicos e os investidores devem se preparar para enfrentá-los. “É preciso aprender a conviver com a perda para valorizar o ganho. Pequenos prejuízos em um dia podem ser compensados por lucros em outro. O importante é ter inteligência emocional”, diz o professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração, Ricardo Humberto Rocha.

Para quem prefere investir diretamente em ações, o professor sugere a construção dos lucros aos poucos durante toda a vida, sem ficar tentando adivinhar qual será o pico de valorização da Bolsa. “Quando o investidor verificar que já conseguiu um bom lucro, independentemente de qual seja a previsão do mercado, ele deve realizar e voltar a esperar um momento de baixa para investir”.

Um meio para decidir quando é o momento para entrar ou sair de um investimento em renda variável consiste em estabelecer valores de referência. Quem tem até 100.000 reais para investir, segundo Rocha, só deve buscar a renda variável se o retorno mínimo esperado for superior à 97% do CDI. “Caso contrário, é melhor ficar na renda fixa”, diz. No momento da aplicação, o investidor pode definir uma meta de lucro – 10%, por exemplo. Ao atingir esse objetivo, realiza o seu lucro e aguarda uma nova oportunidade para investir.


O impacto da diversificação em seus investimentos

Perfil Conservador
Investimento Valor investido (R$) Se o Ibovespa subisse 4% Rentabilidade
(%)
Se o Ibovespa caísse 9% Rentabilidade
(%)
Ações 10.000,00 10.400,00  4% 9.100,00  -9%
Multimercado* 20.000,00 20.041,82  0,21% 19.786,00  -1,07%
Renda Fixa* 30.000,00 30.013,61  0,045% 30.013,61  0,045%
CDI (LFT, CDB)* 40.000,00 40.017,28  0,043% 40.017,28  0,043%
TOTAL 100.000,00 100.472,71   98.916,89  
Rentabilidade
da carteira
  0,47%   -1,08%  
Ganho / Perda (R$)   472,71   -1.083,11  
 
  
Perfil Moderado
Investimento Valor investido (R$) Se o Ibovespa subisse 4% Rentabilidade
(%)
Se o Ibovespa caísse 9% Rentabilidade
(%)
Ações 30.000,00 31.200,00  4% 27.300,00  -9%
Multimercado 30.000,00 30.062,73  0,21% 29.679,00  -1,07%
Renda Fixa 30.000,00 30.013,61  0,045% 30.013,61  0,045%
CDI (LFT, CDB) 10.000,00 10.004,32  0,043% 10.004,32  0,043%
TOTAL 100.000,00 101.280,66   96.996,93  
Rentabilidade
da carteira
  1,28%   -3,00%  
Ganho / Perda (R$)   1.280,66   -3.003,07  
 
 
Perfil Agressivo
Investimento Valor investido (R$) Se o Ibovespa subisse 4% Rentabilidade
(%)
Se o Ibovespa caísse 9% Rentabilidade
(%)
Ações 50.000,00 52.000,00  4% 45.500,00  -9%
Multimercado 50.000,00 50.104,55  0,21% 49.465,00  -1,07%
TOTAL 100.000,00 102.104,55   94.965,00  
Rentabilidade
da carteira
  2,10%   -5,04%  
Ganho / Perda (R$)   2.104,55   -5.035,00  

Fonte: Saulo Sabbá