Cuidado com as taxas que reduzem sua aposentadoria privada

Temos em nosso país um vasto mercado de previdência privada, mas nem sempre há informações disponíveis suficientes para a escolha do melhor produto, segundo nossas necessidades. Muitas vezes, a variedade de opções dificulta a compreensão das coberturas e benefícios oferecidos pelas empresas que atuam no segmento.</p>

Se colocarmos no papel, fica fácil perceber a dificuldade para manter um bom padrão de vida na aposentadoria, contando apenas com os benefícios da previdência pública. Por isso, os bons planos de previdência privada oferecem a garantia da renda complementar, além de permitir que o usuário tenha um futuro bem planejado financeiramente, sem depender de grandes aplicações de capital.

Os planos de previdência privada devem funcionar como uma ferramenta de planejamento financeiro pessoal e ter o objetivo de auxiliar na complementação da renda necessária para garantir o padrão de vida desejado na aposentadoria. A vantagem é que, ao aderir a um plano, a pessoa pode definir quanto e quando quer receber no futuro. Um participante que contrate um plano aos 30 anos de idade, por exemplo, contribuindo com 116,25 reais mensalmente, acumulará até os 65 anos o valor de 398.257,33 reais – considerando rentabilidade de 10% de juros ao ano. Terá, assim, uma renda mensal vitalícia de 1.500,00 reais.

Porém, quando falamos de planos previdenciários, invariavelmente surge a questão das taxas de administração e de carregamento, que no Brasil giram em torno de 2% a 3%. Estes valores, que são cobrados no ato da contratação dos planos e a cada contribuição, podem comprometer uma parte considerável do montante acumulado pelo participante ao longo dos anos.

Há, no entanto, produtos que se diferenciam no mercado por cobrar taxa de carregamento apenas no resgate, e de forma regressiva, podendo chegar a 0% após 60 meses de aplicação. Assim, há o estímulo à formação do patrimônio adequado para o participante.

Para quem já efetuou o depósito de 24 parcelas, por exemplo, a taxa de carregamento é de 8% sobre o valor resgatado; com 48 parcelas, a taxa cai em torno de 4% e, acima de 61 meses, a taxa passa a ser de 0%.

A isenção da taxa de carregamento na entrada do plano faz diferença significativa no valor total da reserva ao longo do tempo. Tomando como base um cliente que contribua com 500,00 reais por mês, se for isento da taxa de carregamento na aplicação, verá esse valor ir integralmente para a reserva, sendo cobrada apenas a taxa de administração do plano sobre o rendimento dos valores acumulados. Se houver uma taxa de carregamento de entrada de 3,0%, somente 485,00 reais irão para reserva.

Ao final de 20 anos, considerando uma taxa de juros de 12% ao ano, 1,5% de taxa de administração, isenção de taxa de carregamento e nenhum resgate, o valor acumulado seria de 373.468,17 reais. Em um plano com carregamento de 3% na entrada, o valor seria de 362.264,13 reais; com carregamento de 5% (também na entrada), o montante cairia para 354.794,76 reais.

Portanto, para escolher o mais vantajoso dos planos, o participante deve avaliar não apenas a rentabilidade, mas também as taxas embutidas nos planos disponíveis no mercado. A recomendação é que inicie o plano o mais cedo possível, para compensar um período maior de aposentadoria. Especialmente para quem pretende fazer alocações de grande volume, o valor da taxa de carregamento pode ser determinante, pois ao conseguir alta rentabilidade, o investidor terá perdas devido a taxas relativamente altas e desvantajosas.

*José Álvaro Pirovani é gerente operacional de Vida e Previdência da Porto Seguro e membro da Associação Nacional da Previdência Privada (ANAPP).