Consumidor acha que rotativo do cartão não é dívida, diz estudo

Pesquisa do GuiaBolso mostra que, entre aqueles que já têm atrasos no cartão, 40% não se reconhecem como endividados ou não sabem responder

Apesar das mudanças promovidas pelo governo, dos alertas e recomendações de especialistas, os consumidores brasileiros ainda desconhecem o uso do rotativo do cartão de crédito como uma prática que leva ao endividamento.

Pesquisa realizada pelo aplicativo de finanças pessoais GuiaBolso mostra que, entre aqueles que já têm atrasos no cartão, 40% não se reconhecem como endividados ou não sabem responder.

O porcentual é ainda maior quando a pergunta é mais específica: pouco mais da metade dos devedores (50,3%) no cartão de crédito disseram não ter usado o rotativo nos últimos 30 dias ou não souberam responder ao questionamento. Ou seja, ignoram que estão devendo ao cartão com a maior taxa de juros do mercado.

A pesquisa foi realizada com 1.554 usuários do GuiaBolso que pagaram juros do rotativo nos últimos 30 dias e, portanto, enquadrados nas novas regras do Banco Central.

A falha nessa percepção sobre o endividamento no cartão preocupa mesmo com o barateamento do rotativo com a mudança de regras, alerta o GuiaBolso.

Agora, pagar apenas uma parte da fatura virou uma prática limitada a 30 dias. Depois disso, o consumidor terá de quitar tudo o que ficou em atraso ou realizar um parcelamento. Se não se manifestar, o consumidor será migrado automaticamente para o parcelado.

Desconhecimento caro

Os resultados da pesquisa levantam um alerta para esse contingente de consumidores que ainda desconhecem as regras do cartão de crédito. “É provável que muitas pessoas entrem no parcelamento sem se dar conta disso. Na prática, o rotativo do cartão de crédito se transformou em um crédito pessoal muito caro”, afirma Thiago Alvarez, CEO e cofundador do GuiaBolso.

O efeito prático da mudança de regras do rotativo é reduzir a cobrança de juros. Mesmo assim, ainda é muito caro deixar de pagar toda a fatura do cartão.

O mais indicado é tentar quitar a dívida à vista, pedindo desconto, ou tentar um empréstimo pessoal. Dentro da própria instituição financeira o crédito pessoal costuma ter taxas de juros mais baixas.

Este conteúdo foi originalmente publicado no blog Arena do Pavini.