Consultor indica NTN-B curta e CDI para investir em 2016

Com um país ainda em recessão e sem expectativas futuras positivas, a melhor aposta de investimento para 2016 serão as notas do Tesouro de curto prazo

Passado um 2015 muito bom tanto para o investidor pessoa física quanto para o institucional na renda fixa, com baixo risco e remuneração alta ancorada nas Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B), o ano que vem parece acenar com o mesmo perfil conservador.

Na visão do consultor de investimentos Lauro Araújo, da LAS Consultoria, diante de um novo cenário de “mais do mesmo” na economia, com um país ainda em recessão e sem expectativas futuras positivas, a melhor aposta de investimento para 2016 serão as notas do Tesouro de curto prazo, diante das incertezas políticas, além dos papéis atrelados aos Certificados de Depósito Interfinanceiro (CDI).

Para ele, mesmo com uma inflação alta em 2016, o CDI terá uma média 13% ou 14%, independentemente do cenário.

No caso da pessoa física, Tesouro Direto e papéis públicos federais continuam como favoritos, e por parte dos fundos de pensão, as NTN-B continuarão com boa parte da carteira, ao lado dos títulos de crédito dos bancos.

“Mais do mesmo”, sem riscos

Na tese que considera a manutenção do quadro econômico atual para o próximo ano, Araújo leva em consideração a permanência da presidente Dilma Rousseff e a continuidade de um governo sem articulação política.

Nesse sentido, deverá haver inflação alta, algum ajuste fiscal (Cide, imposto sobre fortunas, mas ainda sem CPMF), uma possível troca de ministro da Fazenda e uma manutenção de juros altos ou até aumento de taxas.

No mercado de capitais, na melhor das hipóteses, a bolsa andaria de lado e para baixo, próxima dos 30 mil pontos. Segundo o consultor, o dólar ficaria volátil, mas perto dos R$ 4.

Na avaliação dele, as NTN-B com prazos mais curtos serão bons investimentos e ainda trarão alguma proteção contra a inflação, que deverá ficar por volta dos 8% em 2016.

Hoje, uma NTN-B Principal (que paga juros somente no fim) oferecia juros de 7,57% ao ano mais IPCA no site do Tesouro Direto.

Nesse modelo, Araújo recomenda distância da bolsa, com movimento de saída até para quem já está posicionado, uma vez que esse custo perderá para os rendimentos do CDI.

O novo, com posições antecipadas

Já num segundo quadro, caso o impeachment da presidente ocorra, Araújo indica que o novo governo pode cair na mesma situação da administração atual e sofrerá com os impasses políticos para implementar as medidas necessárias de ajuste.

Mesmo assim, como a notícia da saída da petista criará confiança no mercado no curto prazo, com a possibilidade do “novo”, o investidor que estiver bem posicionado sairá na frente: com tendência de alta da bolsa, dólar baixo e recuo dos juros longos.

“Para quem acredita nessa projeção, é bom estar posicionado em bolsa, em prefixado e NTN-B, em compasso de espera da nova articulação política”, recomenda.

“Agora vai”

Finalmente, caso o “melhor dos mundos acontecesse no Brasil”, de acordo com ele, com a realização de um grande pacto social e político que decidisse pela implementação do ajuste fiscal, o país enfrentaria um 2016 muito difícil, mas numa trajetória de crescimento sustentável.

“O ano que vem será complicado de qualquer jeito, mas com uma perspectiva boa, o mercado anteciparia um cenário melhor e haveria chances de alguma recuperação do mercado de trabalho, aumento da confiança e consumo das famílias e mais investimentos vindos do exterior”, explica.

Dentro dessa onda de que “o país tem jeito”, o momento seria de assumir risco, vender dólar, comprar bolsa, recuperando tudo o que foi perdido em 2013 e 2014.

“Com tantas notícias de escândalos, difícil mesmo é saber quais dos cenários estão mais próximos da realidade”, completa.