Conheça os jargões usados pelos analistas de mercado

Entenda o significado das recomendações dos relatórios divulgados pelas corretoras

São Paulo – Relatórios de análise são ferramentas essenciais para o pequeno investidor que gosta de gerenciar sua própria carteira de ações. Principalmente para quem não tem um amplo conhecimento sobre o mercado, as recomendações dos analistas acabam funcionando como um verdadeiro norte. Mas, no começo, pode ser difícil entender certos jargões ou mesmo alguns critérios de análise. Veja, a seguir, como são estruturados os relatórios das corretoras e confira o significado dos principais termos usados pelos analistas.

Recomendações absolutas

Esse tipo de recomendação é feito quando se acredita que o valor do ativo vai subir ou descer em relação à sua cotação atual. Assim, os relatórios costumam recomendar COMPRA ou BUY, quando se acredita que seu valor irá subir; VENDA, SELL ou REDUCE, quando se acredita que a cotação vai cair; e MANTER ou HOLD, quando o papel já compõe a carteira e a expectativa é de manutenção do seu desempenho.

Alguns relatórios costumam trazer expressões “intermediárias”. Por exemplo, ATRAENTE é uma recomendação entre manutenção e compra, sinalizando que há chances de bom desempenho dos papéis. Já o conceito intermediário entre manutenção e venda pode ser FULLY VALUED. Além disso, os analistas podem indicar seus papéis preferidos – aqueles que têm potencial de grande valorização – por meio das expressões FORTE COMPRA ou TOP PICK.

A expressão RESTRITO é utilizada quando o banco ou corretora não está divulgando sua recomendação sobre aquele ativo específico, em geral por motivos éticos. Isso normalmente ocorre quando a instituição está envolvida em algum projeto de finanças corporativas com a empresa em questão e, por isso, detém informações confidenciais.

Recomendações relativas

Esse tipo de recomendação é feito quando se acredita que o valor do ativo vai subir ou descer em relação ao universo analisado, seja o mercado como um todo, sejam as ações que compõem determinado indicador, como o Ibovespa ou mesmo um índice setorial. Desse modo, são usadas as expressões OUTPERFORM ou OVERWEIGHT, quando há previsão de desempenho acima do universo de referência; NEUTRAL, MARKET PERFORM ou PEER PERFORM, quando a expectativa é de um desempenho em linha com o universo de ações analisado; e UNDERPERFORM ou UNDERWEIGHT, quando se espera um desempenho inferior ao universo de referência. Esses termos são usados para classificar os papéis e, de certa forma, recomendar compra, manutenção ou venda.

Tipos de análise

Para confeccionar seus relatórios e suas carteiras recomendadas, os analistas se baseiam em uma metodologia de análise de mercado. São basicamente duas: a análise técnica, que se baseia em gráficos para detectar os melhores momentos de entrada e saída da Bolsa, sem levar em consideração os fundamentos das empresas e o cenário econômico; e a análise fundamentalista, que se baseia na conjuntura econômica e no desempenho de empresas e setores para determinar as companhias mais sólidas e os preços “justos” para suas ações.

Relatórios de análise fundamentalista trazem textos sobre a conjuntura econômica e o desempenho das companhias, índices de mercado e dados sobre a saúde financeira das empresas (Valor Patrimonial por Ação, Lucro Líquido, P/L, Dividend Yield). Já os analistas gráficos costumam anexar às suas análises os gráficos que mostram o desempenho dos papéis e as sugestões de “stop win” (valor sugerido para encerramento da operação, com realização de lucro devido ao objetivo ter sido alcançado), “stop gain” (valor sugerido para encerramento da operação, com realização de lucro devido à possibilidade de o objetivo não ser atingido) e “stop loss” (valor sugerido para encerramento da operação, com realização de perda mínima devido à possibilidade de o ativo seguir em queda).

Embora essas vertentes em geral não se misturem, algumas corretoras já emitem relatórios combinando as duas visões. Os relatórios que unem os dois tipos de análise trazem, a um só tempo, a interpretação dos gráficos e o balanço dos indicadores fundamentalistas.