Como receber 100% do CDI em CDBs de bancos grandes

Levantamento de EXAME.com mostra sob quais condições os bancões pagam esse percentual, e quanto é pago para aplicações de 10.000 reais

São Paulo – Conseguir uma remuneração de 100% do CDI em CDBs emitidos por bancões não é tarefa impossível. Um levantamento feito por EXAME.com, utilizando informações divulgadas pelas assessorias de imprensa e pelas próprias agências de seis grandes bancos brasileiros mostra que três deles oferecem esse produto para quem aplica menos de 500.000 reais.

É claro que, para chegar a essa remuneração, é preciso que o investidor mantenha a quantia aplicada por um período mínimo de dois ou até cinco anos. E quanto maior a quantia investida, melhor. É a lógica do mercado: quanto maior o tempo de exposição e o valor, maior o risco e a remuneração. Mas não quer dizer que esses produtos não tenham liquidez diária. Significa que a remuneração cresce com o tempo: começa em 80% ou 85% do CDI para períodos inferiores a 180 dias e chega a superar os 100% para resgates feitos depois de 720 dias.

Das instituições pesquisadas, Bradesco e Santander conseguem 100% do CDI para investimentos entre 1.000 e 10.000 reais. Já no HSBC, 100.000 reais é o mínimo para conseguir esse percentual. Nas demais instituições ouvidas, essa remuneração pode ser considerada coisa de milionário.

Entre os dez maiores bancos de varejo do Brasil figuram ainda o Safra e o Banrisul, que, no entanto, são considerados bancos médios. Como é de se esperar para instituições desse porte, elas oferecem CDBs que pagam 100% do CDI. No Safra, o mínimo de aplicação para conseguir esse percentual, com liquidez diária, é 50.000 reais. Para valores mais altos e com carência de dois anos é possível chegar a até 106% do CDI. Já no banco gaúcho, até com 10.000 reais dá para conseguir entre 100% e 103% do CDI, para aplicações superiores a três anos.

Veja a seguir quanto pagam os seis maiores bancos de varejo brasileiro para aplicações de 10.000 reais, e o que é preciso fazer para ganhar 100% do CDI. Tenha em mente que esses valores não são fixos e imutáveis, pois a remuneração do CDB depende muito de negociação e do relacionamento do cliente com o banco. Mas para quem está abrindo conta numa dessas instituições, esta é a rentabilidade oferecida:

(Germano Lüders/EXAME.com)


Itaú Unibanco

Para aplicações de 10.000 reais: 80% do CDI, com liquidez diária. O CDB Plus, que aumenta a rentabilidade com o passar do tempo, paga de 80% – até 180 dias – a 95% do CDI – para prazos superiores a dois anos.

Como conseguir 100% do CDI: para aplicações superiores a 1.000.000 de reais.

 

 


(Germano Lüders/EXAME.com)

Bradesco

Para aplicações de 10.000 reais: 85% do CDI com liquidez diária no CDB Fácil. Mesmo para aplicações de mais de 1.000.000 de reais esse produto não oferece mais que 95% do CDI. Já no CDB Fidelidade, é possível obter de 83% – até 180 dias – a 100% do CDI – para aplicações de mais de dois anos.

Como conseguir 100% do CDI: com o CDB Fidelidade, que tem liquidez diária, mas aumenta a rentabilidade conforme o tempo de aplicação. Com uma aplicação inicial de 1000 reais já é possível conseguir 100% do CDI para um prazo superior a dois anos. A partir de 50.000 reais, o percentual sobe para 101% do CDI no mesmo prazo. A partir de 200.000 reais, já é possível conseguir 100% do CDI para um prazo de um ano e 101,5% para dois anos. Aplicações de mais de 500.000 reais pagam 100,5% do CDI a partir de um ano e 102% depois de dois anos.

Arquivo

( (Germano Lüders/EXAME.com) )

Santander

Para aplicações de 10.000 reais: 85% do CDI com liquidez diária. Com o CDB Recompensa, é possível conseguir de 85% – em até seis meses – até 101% do CDI – acima de dois anos.

Como conseguir 100% do CDI: com os CDBs da linha Recompensa, com liquidez diária, mas rentabilidade crescente ao longo do tempo. Para aplicações entre 1.000 e 10.000 reais já é possível conseguir 100% do CDI, desde que o dinheiro fique aplicado por mais de três anos. Para valores entre 10.000 e 100.000 reais, pagam-se 101% do CDI para prazos maiores que dois anos. Uma aplicação de 100.000 reais já consegue 100% do CDI em um ano de aplicação, e 102% depois de dois anos.

(Divulgação)

Banco do Brasil

Para aplicações de 10.000 reais: 81% do CDI com liquidez diária. Com o CDB Swap, a remuneração vai de 84% do CDI – em até 180 dias – a 89,5% do CDI – acima de dois anos.

Como conseguir 100% do CDI: com aplicações de 2.000.000 de reais.

Lia Lubambo/EXAME

( (Divulgação) )

Caixa

Para aplicações de 10.000 reais: 90% do CDI, com liquidez diária.

Como conseguir 100% do CDI: pela tabela da Caixa, nenhum CDB paga esse percentual, independente da carência ou do valor aplicado. Mas para aplicações acima de 500.000 reais é possível tentar negociá-lo.

Wikimedia Commons

( ( (Divulgação) ) )

HSBC

Para aplicações de 10.000 reais: 80% do CDI, com liquidez diária.

Como conseguir 100% do CDI: aplicando 500.000 reais em um CDB DI comum (sem prazo mínimo) ou entre 100.000 e 200.000, pelo menos, no CDB Evolução, que a partir dessa faixa de investimento já remunera entre 96% e 100,5% do CDI, dependendo do prazo de permanência. Para conseguir a rentabilidade, é preciso deixar o dinheiro aplicado por, no mínimo, dois anos.


CDB X Poupança

Aplicar em CDBs de grandes bancos pode não ser a melhor saída para quem tem pouco dinheiro e quer rentabilidade e liquidez diária. Para CDBs de curto prazo, a remuneração fica, geralmente, entre 80% e 90% do CDI. É mais do que a poupança? Sim, mas as aplicações em CDBs estão sujeitas à cobrança de IR, ao contrário da caderneta. Assim, num cenário de juros altos como o atual, o CDB sai ganhando (ainda que por pouco), mas passa a perder atratividade quando os juros começam a cair.

CDB X Tesouro Direto

Também não é verdade que o Tesouro Direto é sempre mais vantajoso que os CDBs. É verdade que ambos sofrem incidência de IR, o que os torna, digamos, equivalentes tributariamente. É verdade também que o Tesouro Direto oferece papéis que protegem o investimento da inflação, o que não ocorre com os CDBs. Mas comparando-se apenas os títulos públicos pós-fixados com os CDBs DI, existe a possibilidade de o CDB ser melhor. Por conta dos custos.

Em muitas instituições – incluídos aí os bancões – cobra-se uma taxa de administração para operar títulos públicos. Algumas corretoras independentes não a cobram, mas mesmo assim, existe uma taxa de custódia obrigatória em todos os casos. Além disso, para abrir conta numa dessas corretoras é preciso migrar os recursos do banco por meio de DOC ou TED, o que normalmente gera ainda mais custos. Tudo isso impacta na rentabilidade final.

Os CDBs, por sua vez, são isentos de taxas, e representam a comodidade de estar disponíveis no próprio banco. Para uma Selic entre 10% e 12,5%, porém, um CDB que pague menos de 96% do CDI não está valendo a pena (veja de onde foram tirados esses números e como saber quanto pedir de remuneração para o CDB). Por outro lado, um CDB que pague 100% do CDI é formidável.

Garantias

Outra coisa a se levar em conta são as garantias. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) garante aplicações de até 70.000 reais em CDBs de qualquer banco. Acima desse valor, porém, o dinheiro é perdido caso o banco quebre. O Tesouro Direto, por sua vez, é a aplicação mais segura que existe no Brasil, garantida pelo governo federal sem limite de valor.

Acontece que o risco da aplicação também varia de banco para banco. CDBs de bancos médios geralmente pagam mais de 100% do CDI, mesmo para aplicações mais baixas. Não é recomendável, porém, que se invista mais de 70.000 reais numa mesma instituição. Entre os bancões, a coisa é um pouco diferente. A garantia do FGC é a mesma, mas a chance de um grande banco quebrar no Brasil é bem menor.