Como planejar os custos para viajar para fora no fim do ano

Ao planejar viagem com antecedência é possível economizar até 70%

São Paulo – Se você é daqueles que mal voltou a trabalhar e já está pensando em novas férias, parabéns! Você terá tempo de planejar sua viagem de final de ano como manda o figurino.

Ao fazer tudo com antecedência é possível obter preços mais vantajosos, poupar quantias maiores, investir parte do dinheiro que será usado e se proteger contra a oscilação cambial.

“Ao realizar a compra no mínimo seis meses antes, para viagens internacionais, é possível garantir economias bem interessantes, que variam entre 30% e 70%”, afirma Alípio Camanzano, diretor da Decolar.com.

Veja a seguir as dicas para chegar ao final do ano com tudo pronto e encaixar as despesas da viagem da melhor forma no seu orçamento.

1 Compre tudo que for possível o quanto antes

Com a menor procura no começo do ano, os preços ficam muito mais baixos. “Pacotes de viagem chegam a ter 60% de desconto agora, em comparação ao final do ano e os descontos em passagens internacionais chegam a até 70%”, comenta Edmar Bull, vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

Alípio Camanzano, diretor da Decolar.com, explica que a economia é possível não só pelos descontos, mas pelo acesso a tarifas mais baratas. “A política comercial das companhias aéreas determina ‘X’ lugares promocionais e ‘X’ com tarifas cheias. Consequentemente, as tarifas mais baratas são as mais procuradas e as primeiras a se esgotar. Os hotéis também trabalham com diferentes tipos de acomodações e tarifas”, diz.

Mesmo que você não tenha dinheiro para pagar toda a viagem agora, existe a opção de parcelar os gastos. Ainda que possam incidir juros, como os descontos na compra antecipada são altos, eles compensam as taxas.

Por exemplo, se uma passagem que em novembro de 2014 seria vendida por 3 mil reais é vendida agora por 1.500 reais, mesmo em um parcelamento em 10 vezes, com juros altos, de 7% ao mês, ao final do prazo o comprador pagaria 2.950 reais, menos do que na compra pelo preço cheio. Sem contar que em muitos casos é possível parcelar sem juros.

Luiz Krempel, planejador financeiro do GuiaBolso, ainda lembra que quem paga a viagem agora já se protege das variações cambiais. Para ele, mesmo que exista o risco de pagar um câmbio mais alto hoje, a perda será menos doída do que se a pessoa deixar para comprar lá na frente e a moeda tiver subido muito, ameaçando a viagem.

“Mesmo se a moeda cair 10% lá na frente, não tem por que ficar chorando. O objetivo final não era ganhar dinheiro, era viajar. É o preço que se paga pra se proteger da variação do dólar”, diz Krempel. 

A estratégia vale a pena não só pela economia e pela proteção cambial. “No pagamento antecipado, em vez de economizar e correr o risco de gastar, a pessoa vai fazendo uma poupança forçada”, ressalta Edmar Bull. 

2 Pesquise os custos

Ao pesquisar preços com calma, também é possível fazer uma grande economia. Reportagem publicada por EXAME.com listou 13 sites e apps de comparação de preços de passagens, aluguel de carros, acomodação e até páginas que estimam os custos diários em diferentes destinos.

São ferramentas que, além de facilitarem a busca dos melhores preços, ajudam a calcular o custo total da viagem.


3 Acomode a viagem no seu orçamento

Se você ainda não tem uma planilha de orçamento, providencie uma para organizar melhor as contas da viagem. Existem planilhas e apps de controle financeiro que podem ser baixados de graça.

“Ao fazer o orçamento, a pessoa vê quanto precisa economizar mensalmente, o que não dá para cortar e o que ela pode reduzir para guardar dinheiro para a viagem”, diz Luiz Krempel.

E tendo um objetivo definido, ou o comprometimento com o pagamento das parcelas, você corre menos risco de gastar seu dinheiro com coisas irrelevantes ao longo do ano, como talvez aconteceria se a viagem só fosse pensada mais para frente.

4 Em vez de investir, compre a moeda aos poucos

Como aplicações mais indicadas para quem tem um objetivo definido são as mais seguras, dificilmente elas renderão muito mais do que a variação da Selic, de 10,5% ao ano. Por isso, vale mais a pena comprar tudo com antecedência e aproveitar os descontos de até 70%. 

O que valeria a pena investir seria o dinheiro que você vai gastar durante a viagem, mas com as fortes oscilações cambiais não é recomendável investir o dinheiro ao longo do ano e sacar lá no fim.

O risco de investir e ter que comprar a moeda com cotação lá em cima não compensa os baixos rendimentos que as aplicações mais seguras proporcionam no curto prazo. 

É preferível abrir mão do rendimento da poupança, de cerca de 6,5% ao ano, do que abrir mão de comprar o dólar ou o euro aos poucos e depois ter que comprar a moeda 10% ou 20% mais cara. 

Uma alternativa para se proteger das variações do câmbio seria o fundo cambial, que aplica em títulos emitidos em moeda estrangeira, acompanhando o comportamento da moeda na qual é referenciado, mas ele tem altos riscos e costuma ter taxas altas.

“Os investimentos mínimos em bom fundo cambial costumam ser de 5 mil reais. E as taxas não deveriam ser maiores do que 1,5% ao ano, mas essa taxa é bem rara para esse tipo de fundo”, diz Krempel. 

Como as complicações para encontrar um bom fundo não combinam com alguém que quer apenas viajar, e não acumular patrimônio, a melhor estratégia será mesmo ir comprando a moeda estrangeira ao longo dos meses para garantir uma cotação média razoável. 

5 Se precisar investir, use a poupança

Caso você não possa fazer as compras antecipadamente por algum motivo e precise de um instrumento para poupar seus recursos, criar uma conta de poupança exclusiva para a viagem será a melhor saída.

Ainda que outros investimentos tenham melhores remunerações, a poupança não tem imposto de renda e é muito prática para quem precisa sacar o dinheiro e investir com facilidade. “Ter praticidade é o principal para guardar dinheiro para a viagem. E como o prazo é curto, a rentabilidade não é o principal. Praticamente 99% do dinheiro vai ser resultado do que foi acumulado e não do rendimento”, diz Krempel.

6 Compre a moeda estrangeira de diferentes formas

Comprar a moeda em espécie, em tese, seria a melhor alternativa já que não há incidência do IOF de 6,38%. O IOF pago, neste caso, é de apenas 0,38%. Mas, existe o risco de roubo ou perda do dinheiro.

Por esse motivo, especialistas recomendam que parte do dinheiro seja comprada em espécie e parte em cartões pré-pagos, que funcionam como cartões de débito na hora de fazer compras e sacar dinheiro. Ainda que o IOF cobrado seja de 6,38%, corretoras de câmbio podem dar desconto para quem adquire o cartão, reduzindo a diferença em relação ao custo do papel-moeda.