Como não ficar sem dinheiro após a aposentadoria

Especialistas explicam como calcular quanto dinheiro será necessário para não passar por apuros no final da vida

São Paulo – Aproveitar a aposentadoria de maneira tranquila e saudável requer um bom planejamento financeiro. Os mais prevenidos começam a pensar com antecedência nas implicações que o fim da carreira pode trazer à renda familiar enquanto outros deixam para se preocupar com os preparativos em cima da hora.

Lógico que a falta de planejamento pode levar toda a família a uma queda brusca do padrão de vida. Mas também não adianta começar a se preparar com várias décadas de antecedência se não houver a consciência de que o patrimônio acumulado durante o tempo precisará ser gasto de maneira racional após a aposentadoria.

Na hora de fazer as contas, a primeira dificuldade que aparece é avaliar durante quanto tempo o dinheiro acumulado poderá ser gasto. A pergunta é difícil de responder porque ninguém sabe exatamente até quando poderá viver. Quanto maior a expectativa de vida, maior deverá ser a reserva constituída para que o dinheiro não acabe antes da hora.

Para reduzir os riscos, o especialista em finanças pessoais André Massaro, da MoneyFit, diz que a primeira coisa a fazer é supor que você vai ver bem mais que a média. Segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro alcança 72 anos e dez meses. Faça as contas levando em consideração números maiores

A segunda providência é fazer uma simulação conservadora sobre seu patrimônio na época da aposentadoria. Isso deve ser feito jogando propositadamente para baixo o rendimento futuro das aplicações destinadas para gastos após o término da carreira.

Se hoje o governo federal paga juros próximos a 11% para o investimento em títulos públicos, por exemplo, é necessário usar um número bem inferior a esse nas suas próprias projeções. Isso é importante porque há mais de uma década as taxas de juros se encontram em uma tendência de baixa no Brasil.


Para evitar decepções na hora de começar a receber o montante referente à aposentadoria, Massaro produziu dois cenários que traduzem como os valores a serem recebidos por alguém que se aposentará daqui a algumas décadas pode mudar se a taxa básica de juros brasileira continuar a baixar.

Supondo um  indivíduo que projeta a aplicação de sua aposentadoria baseada na atual taxa básica de juros, em média 10,75% ao ano. Se essa pessoa tiver acumulado 1 milhão de reais quando completar 60 anos, poderá gastar, mensalmente, 8.964,05 reais até esgotar suas reservas aos 90 anos.

Entretanto, no caso de queda da taxa básica de juros para 5% ao ano, esse mesmo indivíduo terá de se aposentar com uma bolada bem menor. Nesse cenário, o sujeito só poderá gastar 5.300,55 reais por mês até completar os mesmos 90 anos. “O problema é achar que vai viver até os 90 e chegar aos 100”, alerta.

Para não esgotar as reservas

William Bernstein, um dos maiores gurus de investimentos pessoais dos Estados Unidos, desenvolveu uma técnica para reduzir a zero o risco de queimar todas as reservas antes do tempo. Se alguém aposentar-se aos 60 anos e gastar anualmente 2% do que acumulou, diz ele, pode ficar tranqüilo que não faltará dinheiro até o final da vida.

Se os gastos alcançarem 3%, provavelmente o sujeito também estará a salvo. Caso o percentual chegue a 4%, há riscos reais de faltar dinheiro na velhice. E com 5%, a longevidade seguramente trará problemas. No caso de alguém que já tenha 70 anos, como a expectativa de vida extra será menor, é possível acrescentar de 1 a 1,5 ponto percentual a todos esses números


Se você já fez os cálculos e concluiu que terá uma drástica queda no padrão de vida se gastar a cada ano somente 2% do acumulado, a única solução será aumentar as reservas durante o período de trabalho. “O aposentado não tem que se preocupar com renda. Quem tem que pensar nisso é o profissional que ainda está na ativa”, explica Massaro.

Ele também afirma que só restam aos trabalhadores duas formas de poupar mais: ou é feito um corte de gastos ou se procura outra alternativa para complementar a renda.

Em relação aos cortes de gastos, comece pelo supérfluos e não abra mão dos gastos mais essenciais. Não é preciso deixar de lado sonhos de consumo, mesmo aqueles que não são de primeira necessidade, mas é recomendável fazer escolhas e definir o que é realmente importante.

Outro erro comum é cortar gastos importantes como o plano de saúde, por exemplo. Esse tipo de decisão pode levar o indivíduo a queimar boa parte das reservas que acumulou caso algum imprevisto aconteça.

Evitar desde cedo um endividamento excessivo para garantir um padrão de vida irreal também é importante. Bancos costumam cobrar juros muito maiores do que a pessoa vai receber com aplicações financeiras. “Então gaste menos. Não há outro jeito”, explica o planejador financeiro Conrado Navarro. 

Um último alerta é não subestimar o aumento dos gastos com saúde na terceira idade. Não é à toa que planos de saúde chegam a custar mais de 1.000 reais por mês para quem já ultrapassou os 60 anos À medida que a idade aumenta, os problemas de saúde começarão a aparecer. Então não conte com a possibilidade de que seus gastos sejam menores na velhice na hora de fazer as contas.