Como calcular se vale a pena ter plano odontológico

Com cobertura básica e preço acessível, assistência odontológica torna-se cada vez mais popular no Brasil

São Paulo – Embora os planos de saúde ganhem em popularidade, os planos odontológicos saem na frente quando o assunto é a conquista de novos clientes. Em junho de 2000, eram 2,43 milhões de beneficiários no país. Exatos dez anos depois, esse número pulou para 13,64 milhões. O crescimento de 460% supera em mais de dez vezes a expansão registrada pelos planos de assistência médica.

O diretor corporativo da Amil, Norberto Birman, atribui o salto a dois fatores. De um lado, a atenção que os brasileiros dedicam à saúde bucal já vai além do básico para uma parcela significativa da população. Se antes a tríade formada por escova, fio dental e pasta de dente parecia dar conta do recado, as novidades estéticas e o aumento do poder de compra colocaram tratamentos diferentes na mira de muitos pacientes.

Em segundo lugar, as empresas desempenharam papel importante na consolidação dos planos odontológicos. “Para aumentar as contrapartidas oferecidas aos funcionários, elas costumam aderir a esse tipo de produto para aumentar o leque de benefícios”, afirma Birman. Para se ter uma ideia, apenas 15,8% dos planos exclusivamente odontológicos são contratados por pessoas físicas.

Preços atrativos

À primeira vista, os preços praticados são um chamariz e tanto nesse segmento. “Geralmente os planos odontológicos não são vendidos por faixa etária como acontece com os planos de saúde”, afirma José Mário Morais, secretário geral do Conselho Federal de Odontologia. Se recorrer à cobertura com frequência é um comportamento associado aos mais idosos, a lógica se inverte para quem cuidou dos dentes desde cedo. “A prevenção em odontologia dá um resultado melhor e mais previsível que na área médica. A tendência é que a utilização do plano inclusive caia com o passar do tempo”, emenda.


Na Medial, o plano coletivo tem mensalidade de 12,70 reais. Pela Amil, funcionários de empresas com até 99 funcionários pagam 14 reais mensais, com isenção total de carência e cobertura nacional. Quando contratado por uma pessoa física, a carência para alguns procedimentos do mesmo plano varia de um a seis meses, e esse valor sobe para 36 reais. “Diferente do que acontece com quem contrata um plano de saúde, quem compra um plano odontológico não tem aversão ao risco”, explica Morais do CFO.

No jargão do mercado, isso significa que não há um abismo entre o que o usuário paga todos os meses e o que ele desembolsaria caso não tivesse o plano. Na medicina, a história é outra: um tratamento de câncer na rede particular pode ser proibitivo para quem não conta com assistência médica.

Por não ter medo de enfrentar um problema caro e complexo no futuro, nada impede que o paciente abra mão do plano odontológico depois de, por exemplo, ter tratado todas suas cáries. Não por menos, existem empresas que só oferecem o produto para pessoas jurídicas. Nesse caso, o volume envolvido torna a negociação vantajosa, já que a frequência de utilização do plano tende a ser diluída no meio de tantos beneficiários. Como a Agência Nacional de Saúde não exerce controle sobre a fixação de preços nos acordos coletivos, quanto maior a empresa, maior é a chance das mensalidades serem ofertadas por valores bem modestos – cifras que soam simbólicos até mesmo para os que não são exatamente afortunados.

Cobertura limitada

Antes de se entusiasmar com tíquetes tão baixos, é importante lembrar que a assistência odontológica é mais simples, não envolve internação e costuma cobrir apenas o básico – ou seja, o rol de procedimentos obrigatórios listados pela ANS. O pacote de serviços inclui atendimento de emergência, consultas, prevenção, radiologia, tratamentos de gengiva e de canal, além de restauração para as famosas cáries. Por fora, correm os gastos com aparelhos ortodônticos, próteses, clareamentos e implantes.


Por esses motivos, mesmo uma mensalidade barata pode não valer a pena. Essa é a opinião da ONG de defesa do consumidor ProTeste. “Além de estar ciente que o plano não irá cobrir procedimentos mais complexos, o consumidor tem que avaliar seu histórico de saúde bucal e o quanto costuma gastar anualmente com o dentista”, defende Maria Inês Dolci, coordenadora da entidade. A partir daí, é só multiplicar o valor da mensalidade por 12 para avaliar se não é melhor arcar com os custos por conta própria.

Quem costuma fazer apenas uma profilaxia e aplicação de flúor todos os anos pagará em torno de 141 reais em São Paulo, já incluído o valor da consulta. Caso optasse por um plano coletivo que cobrasse 15 reais mensais, o mesmo tratamento sairia por 180 reais. No caso de um produto individual com mensalidade de 30 reais, o gasto anual já seria de 360 reais.

Veja abaixo o preço recomendado por algumas entidades para procedimentos simples que são cobertos pelos planos:

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  Sindicato dos Odontologistas de São Paulo Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo
Consulta 68,40 71,52 61,02
Raio X da raiz do dente 11,69 12,22 10,42
Aplicação de flúor 36,20 37,85 32,29
Profilaxia com polimento coronário 63,41 66,30 56,57
Restauração com resina (preço por dente) 70,66 a 118,08 73,89 a 123,47 63,04 a 105,35

 Vale lembrar que a rede pública oferece tratamento odontológico por meio do programa Brasil Sorridente, lançado pelo governo federal em 2003. Para ser atendido, é preciso procurar um Centro de Especialidades Odontológicas. Veja onde estão localizadas as unidades existentes no país. Os profissionais realizam tanto atendimentos simples, como limpeza e profilaxia, quanto outros mais complicados, como a colocação de próteses unitárias em qualquer dente da boca. A ordem e as prioridades de atendimento são da responsabilidade de cada município.