Com juros baixos, devo trocar meu título no Tesouro Direto?

Planejador financeiro responde dúvida de leitor sobre investimentos. Envie você também sua pergunta

“Hoje tenho aplicação no Tesouro Selic com aportes mensais. Pretendo resgatá-lo em cerca de oito anos para comprar um imóvel. Posso retirar esse valor um pouco antes ou um pouco depois disso, dependendo dos rendimentos. No momento, com a Selic rendendo tão pouco, pensei em resgatar e reinvestir no IPCA 2045 para fazer a venda antecipada. Resgataria mais ou menos em 2027, mas posso esperar mais alguns anos no caso de a rentabilidade estar baixa no período. Seria muito arriscado trocar Selic por IPCA? Ou o IPCA 2045 realmente tende a ter rentabilidade maior que o Tesouro Selic nesse prazo entre oito e dez anos?”

Resposta de Bruno Mori, CFP®

Um bom planejamento financeiro começa com a definição de um ou mais objetivos específicos. Quanto mais específico, melhor. A intenção é saber quanto dinheiro será necessário acumular até a data definida. Em oito anos muitas coisas mudam, mas o planejamento financeiro não é um processo estático. O plano deve ser revisto e adaptado periodicamente.

Sobre a forma de acumular o dinheiro para a compra do imóvel, você está no caminho certo. Desenvolver o hábito de poupar é um dos primeiros passos para a conquista dos objetivos materiais. Saber alocar os investimentos mensais também faz diferença porque o rendimento deste dinheiro pode ajudar a diminuir o prazo necessário para o acúmulo dos recursos.

Antes de distribuir os investimentos em diferentes classes de ativos, é importante entender o seu perfil de tolerância ao risco. É muito difícil prever a trajetória da taxa de juros e da inflação com precisão no longo prazo. Essas variáveis dependem, dentre outras coisas, da condução da política econômica e no período proposto o cenário pode mudar bastante.

Os títulos do Tesouro Nacional apresentam baixo risco de crédito. Mesmo assim, por definição, quanto maior for o prazo de vencimento do título, maior é o risco.

Neste sentido, ao optar pela troca de Selic por IPCA vale a pena observar títulos com prazos de vencimento mais curtos, como 2026, por exemplo.

O risco de mercado também deve ser avaliado com atenção, principalmente em função de possíveis altas na taxa de juros. Neste caso os títulos atrelados ao IPCA podem sofrer desvalorização e até mesmo gerar prejuízo no caso de resgates antecipados.

No curto prazo, o mercado espera que a taxa de juros continue baixa, com possíveis quedas adicionais. Portanto faz sentido diversificar os aportes mensais em outras alternativas de investimento como os fundos multimercado, fundos de renda fixa e fundos de investimento imobiliário – cujos rendimentos podem ser reinvestidos mensalmente.

Bruno Mori é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: bmori@sarfin.com.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site Exame ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Envie suas dúvidas sobre investimentos.