Com “efeito Trump”, fundos cambiais lideram ganhos em novembro

Dólar disparou mais de 6% após eleição de Trump e empurrou os fundos cambiais para cima; já as ações sofreram. Veja ranking de investimentos completo

São Paulo – A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos fez o dólar disparar mais de 6% em novembro e colocou os fundos cambiais no topo do ranking de investimentos de EXAME.com no mês. Eles subiram 7,44% no período, mas têm queda de 11,73% em 2016.

Planejadores financeiros indicam a aplicação em fundos cambiais apenas para pessoas que precisam se proteger da oscilação de moedas estrangeiras. É o caso, por exemplo, de quem vai viajar ao exterior.

Fora dessa circunstância, esse investimento não é recomendado aos pequenos investidores, uma vez que a taxa de câmbio varia muito. Em todos os casos, a orientação é sempre lembrar que a rentabilidade passada não significa garantia de rendimento futuro.

Dentre as opções de renda fixa, que são mais conservadoras, o Tesouro Selic com vencimento em 2017, título público vendido pela plataforma Tesouro Direto, teve o melhor resultado em novembro, com alta de 1,09%. No ano, a rentabilidade é de 12,7%.

Do outro lado, o aumento da percepção de risco derrubou as aplicações em renda variável em novembro. Os fundos de ações small caps afundaram 8,41% no mês, enquanto os fundos de ações dividendos perderam mais de 6%. Eles acompanharam a perda de 4,65% do Ibovespa no período.

É importante mencionar que o ranking de investimentos considera a rentabilidade bruta das aplicações no mês e em 2016, sem descontar Imposto de Renda. Em aplicações em fundos de ações, há IR de 15%.

Nos fundos de curto prazo, a alíquota é de 22,50% para resgates em até 180 dias e de 20% para resgates depois de 180 dias. Nas demais categorias de fundos (longo prazo), a tributação segue tabela regressiva, em que a alíquota varia entre 15% e 22,5%, conforme o prazo de vencimento.

Os títulos públicos também são tributados pela tabela regressiva de IR. Veja o passo a passo para investir no Tesouro Direto e como escolher a corretora. A poupança não tem cobrança de Imposto de Renda e a aplicação em ouro também é isenta de IR até 20 mil reais.

Confira o ranking de investimentos de novembro:

Investimento Desempenho no mês Desempenho em 2016
Fundos Cambiais* 7,44% -11,73%
Tesouro Selic 2017 (LFT) 1,09% 12,69%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2017 (NTN-F) 1,08% 14,28%
Tesouro Prefixado 2017 (LTN) 1,08% 14,33%
Tesouro Selic 2021 (LFT) 0,92% 12,31%
Fundos Multimercados Investimento no Exterior* 0,92% 0,07%
Fundos Renda Fixa Simples* 0,80% 11,54%
Tesouro IPCA+ 2019 (NTN-B Principal) 0,61% 15,80%
Poupança** 0,61% 6,88%
Fundos de Renda Fixa Investimento no Exterior* 0,34% 16,97%
Fundos Multimercados Livre* -0,39% 12,24%
Fundos Renda Fixa Indexados* -0,50% 14,52%
Tesouro Prefixado 2021 (LTN) -1,21% 34,85%
Ouro BM&F -1,93% -6,27%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (NTN-B) -2,98% 27,20%
Fundos de Ações Investimento no Exterior* -3,87% 3,28%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B) -4,99% 29,12%
Fundos de Ações Indexados* -5,33% 39,08%
Fundos de Ações Livre* -5,38% 25,91%
Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal) -5,85% 40,03%
Fundo de Ações Dividendos* -6,40% 23,80%
Fundos de Ações Small Caps* -8,41% 20,69%

Referências

Investimento Desempenho em novembro Desempenho em 2016
Ibovespa -4,65% 42,81%
Selic*** 1,04% 12,81%
CDI*** 0,98% 12,74%
IPCA**** 0,33% 6,72%
Dólar comercial 6,22% -14,18%

*Até 25 de novembro, dado mais atual disponível na Anbima.
**Até 28 de novembro.
***O desempenho mensal se refere aos últimos 30 dias até a data de fechamento.
****Projeção do Boletim Focus do Banco Central.
Fontes: Anbima, BM&FBovespa, Thomson Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional.

Avaliação

Para o economista Ignacio Rey, da Guide Investimentos, a eleição de Trump nos EUA “transformou o cenário para os países emergentes em algo não tão favorável quanto antes”.

Segundo ele, a alta do CDS (Credit Default Swaps) brasileiro, espécie de seguro para se proteger de um calote em títulos da dívida do país, comprova a maior percepção de risco após a eleição de Trump.

“No lado doméstico, a política pesou. Desde que o presidente Michel Temer assumiu, a impressão de quem olha de fora ficou um pouco mais nebulosa, há um ruído político, principalmente após notícias envolvendo ministros, que culminaram na saída de Geddel e Calero”, disse.

Mesmo assim, a perspectiva do economista é de que a Bolsa deve manter seu viés positivo em dezembro (o Ibovespa sobe mais de 40% no ano). Para o dólar, Rey afirma que a situação é “um pouco mais estável”.

“Tem um cenário um pouco mais negativo lá fora, como eu disse, mas, por aqui, ainda temos um juro alto que atrai recursos estrangeiros”, afirmou. “Apesar do período mais conturbado no curto prazo, isso não deve impedir o governo de discutir e avançar com reformas importantes, como a da Previdência.”

Para a renda fixa, o cenário continua positivo, mesmo diante do ciclo de corte da Selic promovido pelo Banco Central. “A taxa pode cair para menos de 12% ao ano no fim do ano que vem, na nossa avaliação, mas, mesmo assim, ela segue em um patamar elevado”, completou.