Com corte da Selic, poupança rende menos do que a inflação 

Com a taxa básica de juros em 4,50% ao ano, a rentabilidade da poupança é de 3,15% ao ano 

São Paulo – A aplicação financeira mais tradicional do país, a famosa poupança, está com retorno negativo com o anúncio do novo corte da taxa Selic. Isso significa que a rentabilidade da poupança perde para inflação (medida pelo IPCA –Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Numericamente, quem deixar o dinheiro na poupança continuará vendo um aumento gradativo do valor aplicado, mas não se engane. O dinheiro ficará menor porque haverá um redução do poder de compra do investidor por causa da inflação.

A rentabilidade da poupança é calculada seguinte maneira: quando a taxa básica de juros, a Selic, estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês mais a taxa referencial (TR). Lembrando que a última vez que a Selic esteve acima deste patamar foi em julho de 2017. Já quando a taxa de juros estiver abaixo ou igual a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic mais a TR. 

Com a taxa Selic de 4,50% ao ano e a taxa referencial zerada, a rentabilidade atual da poupança é de 3,15% ao ano, enquanto a inflação projetada para 2019 é de 3,84%. Para o próximo ano, a expectativa segundo o boletim Focus, é que a inflação seja de 3,60% e o mercado espera que a Selic possa cair ainda mais, ficando em 4,25% ao ano, ou seja, a rentabilidade da poupança pode ser ainda menor do que a atual. 

O que fazer? 

Para especialistas, a nova realidade de juros baixos veio para ficar. Aquele cenário de juros altos e ganhos garantidos na renda fixa é coisa do passado. O investidor que quiser ter maior rentabilidade terá que assumir mais risco. Mas calma, ninguém precisa sair da poupança e ir direto para Bolsa.

“É fundamental que o investidor avalia quanto ele pode tomar de risco e o momento de vida atual. A Bolsa não é para todo mundo. Tudo depende da capacidade de risco que a pessoa pode tomar”, alerta Paulo Marostica, planejador financeiro certificado pela Planejar.

Para os investidores mais conservadores, que nunca saíram da poupança, a indicação é buscar títulos no Tesouro. Quem migrar da poupança para o Tesouro não terá ganhos expressivos, mas não terá perda do valor com a inflação. É uma boa opção para alocar a reserva de emergência, por exemplo. 

Outra opção é buscar fundos de investimentos especializados em renda fixa, que tem alocação  em títulos do Tesouro, CDB pré-fixado, entre outros. Para quem deseja arriscar um pouco mais, mas sem investir diretamente em ações, uma opção seria os fundos de ações. Nestes dois casos, os riscos são diluídos pelo gestor do fundo, que conhece bem os produtos financeiros disponíveis. 

Poupança menos “queridinha”

Com a redução da Selic, a poupança tem se tornada cada vez menos “queridinha” do brasileiro.  Os últimos dados divulgados pelo Banco Central apontam que em outubro, os saques superaram os depósitos em 247,2 milhões de reais. De janeiro a outubro, os brasileiros retiraram 6,31 bilhões de reais a mais do que depositaram na caderneta. O desempenho está pior do que em 2018. No mesmo período do ano passado, as captações (depósitos) tinham superado as retiradas em 22,96 bilhões de reais.

Apesar da poupança estar negativa em dezembro, no acumulado do ano o retorno ainda está positivo, em 0,81%.

Um levantamento realizado pela consultoria Economatica a pedido de EXAME apontou que desde o Plano Real, a poupança teve rentabilidade negativa três vezes ( no acumulado do ano).  Em 2002, os poupadores perderam 2,9% de seu poder aquisitivo quando se compara a rentabilidade da poupança naquele ano com o IPCA do período. A segunda vez foi em 2013, quando a rentabilidade da poupança foi de -0,12%. Por último foi em 2015, quando a rentabilidade real da poupança (descontada a inflação) ficou negativa em 2,28%. Veja tabela abaixo: 

Ano Rendimento da inflação desconta a inflação em %
1994 11,69
1995 14,68
1996 6,19
1997 11,05
1998 13,28
1999 3,5
2000 2,21
2001 0,89
2002 -2,9
2003 1,75
2004 0,46
2005 3,33
2006 5,1
2007 3,17
2008 1,89
2009 2,63
2010 0,94
2011 0,94
2012 0,25
2013 -0,12
2014 0,78
2015 -2,28
2016 1,9
2017 3,7
2018 0,85