Cashback: veja sites que “devolvem” o dinheiro do cliente na Black Friday

A prática de devolver parte do valor gasto nas compras em forma de crédito tem se tornado usual no Brasil e será a aposta das varejistas no evento deste ano

São Paulo — A ideia de comprar algo e receber parte do valor pago de volta é tentadora. A prática de “devolver” o dinheiro é chamada de cashback e será a aposta de diversas marcas e empresas para atrair os consumidores na Black Friday que acontece na próxima sexta-feira (29). Empresas como Lojas Americanas, Submarino, Shoptime, Peixe Urbano e o Banco Inter ampliaram uma das datas mais esperadas do ano por compradores e vendedores e divulgaram ofertas com cashback durante todo o mês.

A técnica é uma das principais apostas das varejistas e dos e-commerce nesta Black Friday. Até o dia do evento, as Lojas Americanas oferecem um “esquenta de ofertas”, com cashbacks que podem chegar a até 50% do valor da compra. Os consumidores precisam fazer o pagamento com o aplicativo Ame Digital, e o crédito retornado fica disponível para compras futuras.

Já o Peixe Urbano disponibilizou cashbacks durante o mês de novembro e os consumidores que compraram no site podem usar o valor “devolvido” durante a Black Friday, em qualquer oferta disponível na plataforma. Ou seja, se você comprou um procedimento de beleza e conseguiu um valor em cashback, pode usar seu crédito em um restaurante, por exemplo, ou qualquer outra categoria de serviços do site.

A proposta do cashback não é exclusiva das varejistas e chegou até os bancos. O Banco Inter também apostou na técnica de devolver o dinheiro do consumidor em forma de crédito. Entre os dias 19 de novembro e 4 de dezembro, o banco digital oferece para seus clientes cashback na compra de gift cards.

O cashback também será aplicado para quem fizer compras nas lojas parceiras da fintech, e o saldo entra direto na conta corrente do cliente. “Nós trouxemos novamente ofertas em serviços financeiros, com condições ainda melhores do que nos anos anteriores”, diz João Vitor Menin, CEO do Banco Inter.

O cashback, que vem do inglês “dinheiro de volta”, é um costume comum no exterior e tem ganhado força no Brasil nos últimos cincos anos. A técnica é usada principalmente em compras online.

“A modalidade ganhou relevância por causa do caráter psicológico por trás da devolução do dinheiro. O consumidor sente o benefício como real, tangível, muito mais do que percentuais de descontos e entrega de brindes”, afirma Patricia Cotti, diretora executiva do IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo).

Segundo levantamento da Ebit/Nielsen, empresa de medição de dados do mercado, as compras online já representam mais de 43% dos pedidos na Black Friday e esse número vem crescendo, o que dá mais espaço para as empresas apostarem no cashback.

Apesar de a técnica ser tentadora, Danilo Nascimento, sócio diretor da Propz, startup que analisa o comportamento do consumidor, acredita que o cashback pode ser mais perigoso para o vendedor do que para o cliente. “Para o vendedor, aplicar o cashback de forma compulsória em todas as compras cria uma equação de custo de difícil liquidação para segmentos de margens menores como alimentos e combustíveis”.

A recomendação é que a prática seja usada com moderação pelos dois lados, para que os consumidores não comprem além do seu orçamento e acabem endividados, e os vendedores não percam margens de lucro.