Carro novo na garagem por R$ 35 ao mês. Será?

Mercado em crise leva montadoras a facilitarem o financiamento do carro. Mas essas ofertas são um bom negócio?

São Paulo – As ofertas anunciadas pela Volkswagen para o financiamento de dois modelos de carros chamam atenção. Após a compra, a montadora garante que o consumidor precisará pagar prestações de apenas 35 reais por mês. 

No entanto, é necessário dar 60% do valor do carro como entrada para aproveitar as parcelas reduzidas, que são válidas apenas neste ano. A partir do ano que vem, o valor das 29 prestações restantes aumenta e pula para 639,78. reais 

Apesar de anunciar a oferta mais agressiva, a Volkswagen não é a única montadora a anunciar promoções neste momento de crise no setor automotivo. Audi, Citroën, Land Rover, Ford e Chery também realizam ofertas para evitar queda nas vendas, já que a degradação do cenário econômico tem deixado o consumidor mais cauteloso.

A Audi e a Land Rover anunciam financiamentos com entradas a partir de 20% e prestações com valor reduzido, que podem ser pagas em 23 meses. Somente ao final do financiamento as duas montadoras cobram uma parcela com valor maior. As duas montadoras também garantem a recompra do carro após dois anos por, no mínimo, 50% do valor do veículo. 

Já a Citroën oferece financiamentos em até 48 meses, mas exige como entrada cerca de 40% do valor do veículo. Caso a compra seja feita à vista, o valor pago por alguns modelos chega a ser 20% menor do que o preço do veículo financiado.

Ford e Chery anunciam taxas de juros zero em financiamentos de 36 meses e 24 meses, respectivamente. 

Milad Kalume Neto, gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria automotiva Jato Dynamics, aponta que as condições para a compra do carro zero estão melhores do que as oferecidas no ano passado. “Era comum encontrarmos financiamentos com taxa de juros zero em, no máximo, 24 meses. Hoje, esse prazo atinge 36 meses”.

O gerente da Jato também aponta que taxas de juros cobradas nos financiamentos caíram neste ano em relação ao ano passado. “Enquanto em 2014 era comum verificarmos a cobrança de taxas superiores a 1% ao mês, o custo agora fica geralmente abaixo desse porcentual”. 

A tendência, diz Kalume, é que as montadoras continuem incentivando o financiamento. “As empresas estão com alto estoque de veículos e precisam desovar as unidades. Para isso, buscam dar mais segurança ao consumidor na hora da compra, oferecendo parcelas que caibam no bolso”. 

Compra deve ser consciente

Apesar de o momento ser propício para negociar descontos na compra de um carro zero, de acordo com Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o consumidor precisa ter cautela para não ter prejuízo.

O comprador deve desconfiar de taxas de juros zero oferecidas pelos bancos das próprias montadoras, diz Dana. “O preço dos juros pode estar embutido no valor do carro. Para verificar se o desconto é real, o consumidor deve primeiro questionar se há desconto caso o veículo seja comprado à vista”.

Para o consultor financeiro, o ano não é propício para realizar financiamentos longos. “As oportunidades valem mais a pena para quem tem grande parte do valor do carro para dar como entrada na compra. Dessa forma, o comprador evita ficar com a dívida por muito tempo em um cenário incerto da economia, que pode provocar descontrole financeiro em situações imprevistas”.

A garantia de recompra do veículo pela montadora após o término do financiamento também não deve iludir o consumidor. “Ao trocar o carro em um curto período de tempo o comprador pode perder muito dinheiro. É justamente nos primeiros dois anos que a depreciação do veículo é maior”. 

Mesmo que o carro esteja com um desconto atrativo, Dana lembra que despesas relacionadas ao veículo, como seguro, estacionamento, manutenção, combustível e impostos podem ser equivalentes a 20% do valor do carro por ano, em média. “Esses custos devem ser pesados na hora da compra e exigem planejamento para que não prejudiquem o orçamento“.