Boom imobiliário traz oportunidades para investidores

Veja dicas para comprar um imóvel com potencial de valorização e evitar micos

Enquanto os Estados Unidos sofrem com a crise das hipotecas, no Brasil, o setor imobiliário passa por uma de suas melhores fases. Somente nos oito primeiros meses deste ano, foram financiados 18.428 imóveis, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), movimentando 10,331 bilhões de reais – 73,7% a mais que no mesmo período do ano passado.

O forte crescimento dos últimos meses, impulsionado pela queda nos juros – que também reduziu a atratividade da renda fixa -, renovou as oportunidades de investimentos em imóveis, tanto para as empresas quanto para os pequenos investidores. As construtoras não perderam tempo. Com o objetivo de captar recursos para novos empreendimentos, 12 companhias foram à Bolsa em 2007 e realizaram suas ofertas públicas iniciais (IPOs, em inglês). As operações renderam mais de 7 bilhões de reais às empresas e garantiram aos investidores retornos de até 80% (veja tabela abaixo).

Além de faturar com as ações ofertadas, os investidores podem aproveitar o aquecimento do mercado imobiliário para investir diretamente na compra e venda de imóveis. Algumas cidades do interior paulista, segundo estudos de consultorias e das próprias construtoras, apresentam grande potencial de crescimento – e podem ser boas opções no longo prazo.

A Tecnisa, por exemplo, aposta no sucesso de empreendimentos em São José dos Campos, Jundiaí, Sorocaba, Suzano e Mogi das Cruzes. “Cidades com crescimentos demográfico e de renda, aliados à baixa oferta de imóveis tendem a ter ótimas chances de valorização imobiliária”, diz o diretor comercial da construtora, Douglas Duarte.

Campinas, Ribeirão Preto, Rio Preto, São Carlos, Sumaré, Itú e Bauru também são apontadas como cidades detentoras de um promissor mercado imobiliário. De acordo com o diretor de Expansão da Rossi Residencial, Fernando Nascimento, nesses municípios praticamente não houve investimentos destinados às classes média e média baixa nos últimos anos. “Há uma enorme demanda reprimida”, afirma.

Mas, como em todo investimento, é preciso ter cautela na hora de aplicar os recursos. “É importante que o investidor não fique buscando a cidade da moda para investir. Imóvel é aplicação para anos e quem entrar no calor do momento vai acabar perdendo dinheiro”, afirma Luiz Jurandir, gerente de investimentos da consultoria Mercer.

Lotes em locais muito afastados de centros urbanos e casas em regiões de veraneio, por exemplo, são apontados como grandes micos pelos especialistas. “As pessoas vêem aquelas propagandas na TV e acreditam que estão fazendo um ótimo negócio. Imóveis assim não servem para investimento. São apenas para uso pessoal”, diz Jurandir.

Investir em imóveis significa aplicar os recursos com intenção de retorno futuro, seja por meio de aluguel ou na venda do bem. Por isso, bairros com muita oferta de imóveis devem ser evitados.

Ao buscar o imóvel, o investidor deve preferir regiões que possuam boa infra-estrutura – com escolas, hospitais, comércio, transporte -, e próximas a indústrias já instaladas ou em processo de implementação. Regiões nas quais já existam projetos de desenvolvimento para serem implementados também são indicadas como boas alternativas. “É possível buscar em jornais regionais e na prefeitura das cidades informações sobre os planos de desenvolvimento para a região. Para avaliar a evolução dos preços e o tempo médio para venda, basta acompanhar o histórico dos últimos negócios realizados”, diz Jurandir.

Quem optar por comprar o imóvel ainda na planta assumirá um risco extra, mas também terá maior chance de retorno. De acordo com a Tecnisa, os imóveis comprados na planta apresentam valorização média de 20% até a data de entrega das chaves.

Já quem pensa em comprar um terreno contando com o interesse da construtora pelo local deve ter cuidado. Além de correr o risco de a empresa não realizar uma oferta, o investidor terá de arcar com tributos e os custos de registro, de oportunidade (já que deixará de investir em outro negócio para comprar o terreno) e de vigilância (para evitar uma ocupação indesejada).

Construindo valor

A evolução das ações das empresas do setor de construção desde a estréia na Bovespa.
 
Empresa Data do IPO Preço inicial (R$) Cotação em 4 de outubro (R$) Variação (%) Variação do Ibovespa no período (%)
PDG Realty 26/jan 14,00 25,25 80,36 35,18
Rodobens Negócios Imobiliários 31/jan 19,50 24,00 23,08 37,15
Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário 31/jan 14,50 11,49 -20,76 37,15
Tecnisa 01/fev 13,00 12,10 -6,92 35,32
Even 02/abr 11,50 16,75 45,65 31,88
JHSF 12/abr 8,00 9,49 18,63 28,69
CR2 23/abr 20,00 23,00 15,00 22,26
Agra 26/abr 8,50 14,20 67,06 21,60
Tarpon 31/mai 22,00 18,81 -14,50 16,81
Inpar 06/jun 17,50 21,80 24,57 13,63
EZTec 22/jun 11,00 11,35 3,18 10,52
MRV 23/jul 26,00 29,80 14,62 5,16