16 ações indicadas em qualquer cenário eleitoral

Sete analistas indicam as ações que devem sofrer menos impacto do resultado das urnas no mês que vem

São Paulo – Em uma eleição bastante polarizada entre um candidato de direita, Jair Bolsonaro (PSL), e um de esquerda, Fernando Haddad (PT), o resultado da bolsa vem sendo errático. A volatilidade das ações aumentou nos meses que antecedem o pleito, o que gera insegurança para quem aplica em ações.

Como forma de auxiliar o investidor com perfil moderado a proteger a sua carteira de ações no curto e médio prazo, sete analistas de investimentos de corretoras apontam quais são os papéis que menos sofrem com a incerteza provocada pelas eleições.

Ricardo Peretti, estrategista de pessoas físicas da corretora do Santander, aponta que o mais importante, ao seguir essa estratégia defensiva, é aplicar o dinheiro em empresas que não têm tanta correlação com a economia nacional. Contudo, esse não deve ser o único ponto a ser observado. “A empresa pode ter a maior parte de suas receitas em mercados como Estados Unidos e China, mas ter um pé no câmbio, que já está sendo e deve continuar a ser impactado pelo cenário eleitoral”.

Para Sabrina Cassiano, analista da Coinvalores, a empresa também deve pagar bons dividendos, estar inserida em um setor resiliente da economia, capaz de suportar um eventual prolongamento da crise econômica; e ter um volume de caixa considerável para fazer frente a um cenário ainda incerto. Vitor Suzaki, da Lerosa, aponta ainda a qualidade na gestão e liderança das empresas nos setores em que atuam como pontos a serem observados pelos investidores.

Veja abaixo as recomendações de sete analistas para quem quer investir na bolsa sem sofrer (tanto) com as oscilações provocadas pelas eleições:

Ambev

De acordo com Filipe Villegas, da Genial Investimentos, a fabricante de bebidas é uma empresa tradicionalmente defensiva e, mesmo em um cenário de crise econômica e incertezas, segue apresentando um retorno atrativo.

BB Seguridade

Suzaki, da Lerosa, acredita que a empresa pode pagar um volume elevado de dividendos extraordinários, de cerca de R$ 1,8 bilhão, por conta de uma reorganização societária (ainda dependente de aprovação das autoridades reguladoras, como BC e Susep, mas já aprovada no Cade), que deve sair ainda neste segundo semestre do ano.

Braskem

A petroquímica é considerada uma das melhores ações da bolsa por Villegas, da Genial. Além dos bons fundamentos da empresa, é possível que seja vendida para uma das maiores companhias do setor no mundo.

Equatorial

Pedro Guilherme Lima, da corretora Ativa, indica as ações da empresa, que tem a maior parte das suas receitas ligadas a distribuição de energia, mas está investindo também no setor de transmissão e na Cepisa, distribuidora adquirida da Eletrobrás. Empresas que operam concessões, como transmissoras e distribuidoras de energia elétrica, são remuneradas de acordo com a prestação de serviço, ativos financeiros e rede de fios, o que as torna mais independentes do cenário eleitoral.

IRB Brasil

A empresa que atua no setor de resseguros é uma proteção contra uma eventual alta dos juros, diz o estrategista do Santander, Peretti. “As seguradoras ganham com a alta dos juros e as resseguradoras, que dividem o risco do negócio com elas, também. Isso as torna mais seguras nesse cenário incerto”. Além disso, a resseguradora é uma das maiores do país e vem ganhando market share. “Foi divulgado que talvez a empresa de investimentos de Warren Buffet, um dos maiores investidores do mundo, faça alguma parceria com a IRB, o que deve valorizar ainda mais os papéis”. Leandro Martins, da ModalMais, também indica o papel, justificando que a IRB é uma empresa sólida e a ação tem expectativa positiva no médio prazo.

Itaú Unibanco

O setor bancário costuma oferecer oportunidades em momentos de aversão ao risco. “Os bancos se favorecem em qualquer cenário e passaram pela última crise surpreendendo o mercado”, diz Villegas, da Genial. O analista acredita que o Itaú é o papel mais sólido do setor.

Klabin

O papel da empresa de papel e celulose é indicado por Villegas, da Genial por estar inserido em um mercado defensivo. Apesar de sofrer com o impacto do sobe e desce do dólar, as empresas do segmento tendem a ser beneficiadas não somente pela questão cambial, mas também pelos preços das commodities em patamares elevados, diz Suzaki, da Lerosa.

Kroton

Wagner Salaverry, da gestora Quantitas, aposta que a empresa de educação irá crescer tanto em um governo de direita como de esquerda. “Em um cenário de reformas, com desemprego diminuindo e economia crescendo, a empresa se beneficiaria naturalmente porque esses fatores macroeconômicos contribuiriam para que o novo campus que está abrindo tenha adesão suficiente de alunos. Já em um governo de esquerda, é provável que se beneficie com a volta de recursos ou relançamento do programa público de financiamento às universidades, o FIES”.

Marcopolo

Se um governo de esquerda ganhar, Salaverry, da Quantitas, explica que o papel da fabricante de carrocerias de ônibus ganha tanto com o aumento do dólar (a empresa exporta 40% do que produz) quanto com o incremento de programas governamentais, como o “Caminhos da Escola”, para o qual governos anteriores do PT já destinaram bastante dinheiro na aquisição de micro-ônibus para prefeituras no país. Se um governo de direita for eleito, é natural que os concessionários de linhas estaduais, intermunicipais e municipais tenham mais confiança para adquirir novos ônibus rodoviários e urbanos. Nesse cenário, o aumento da confiança também ampliaria a demanda de ônibus para o lazer.

Pão de Açúcar

O setor de varejo registra uma tendência não muito positiva. Por isso, Suzaki, da Lerosa, acredita que o investidor deve ser seletivo, e dar preferência a empresas de supermercados, como o Pão de Açúcar. Colabora para a valorização da empresa o fato de conseguir ganhar market share neste momento de crise, seja pela estratégia no atacarejo (Assaí e Atacadão) ou mesmo nas operações de hipermercados.

Raia Drogasil

Lima, da corretora Ativa, indica ações da rede de farmácia por ter uma gestão que considera excepcional, seguir à risca o plano de abertura de novas lojas e registrar market share relevante. Os papéis também são recomendados pelo analista por ela estar inserida em um setor que apresenta grande resiliência, tem competição pulverizada e grandes players bem definidos. O envelhecimento da população também é outro fator positivo para as empresas do segmento. Suzaki, da Lerosa, acredita que setor de drogarias é um dos poucos mais resilientes dentro do varejo, ao lado do de supermercados.

Rumo

Opção mais arrojada, a empresa do setor ferroviário é recomendada por Peretti, da corretora Santander, por atuar de forma forte no setor da agricultura. “Do total transportado pela empresa, 70% são grãos. Portanto, mesmo que o PIB vá mal, se a agricultura apresentar bons números, ela deve se valorizar. Já se vencer um candidato reformista, que contenha o gasto público, pode sobrar dinheiro para investir em infraestrutura, e a Rumo se beneficiaria desse cenário também”.

Taesa

A transmissora de energia elétrica atua em um segmento mais defensivo do que o setor de distribuição de energia e é recomendada por Peretti, da corretora do Santander. “As linhas que as corretoras ganham após os leilões têm contratos de longo prazo, em geral de 10 anos, que são reajustados anualmente pela inflação. Ou seja, os resultados não são impactados no curto prazo”. Sabrina, da Coinvalores, também recomenda os papéis da transmissora. “Chama a atenção a forte capacidade de a empresa gerar caixa no curto prazo”.

Telefônica Vivo

O setor de telecomunicações é um setor defensivo. Portanto, a maior empresa do setor não deve sofrer tanto com as incertezas e turbulências eleitorais, na opinião de Sabrina, da Coinvalores.

Weg

Para Vitor Suzaki, da Lerosa, a empresa é uma opção interessante não somente por conta de que parte de suas receitas são obtidas com exportação, mas pela demanda mais forte de seus produtos no país, a partir de novos projetos no setor elétrico e inicio do recebimento por projetos eólicos. Para Leandro Martins, da ModalMais, que também indica o papel, a ação tem baixa volatilidade por conta de sua boa correlação com o dólar.

Vale

A mineradora é indicada por quatro dos seis analistas ouvidos por EXAME. A Vale se favorece com a alta do dólar, pois a maior parte de suas receitas está atrelada à moeda americana, analisa Villegas, da Genial. Além disso, a empresa paga dividendos acima da média e sua gestão tem se mostrado eficiente. Para Sabrina, da Coinvalores, a diversificação geográfica da operação da empresa a torna defensiva nesse momento. “Ela sofre com a alta do dólar no país, mas não tanto, porque não depende tanto da economia doméstica: é uma empresa global”. Suzaki, da Lerosa, ainda cita a nova política de dividendos da empresa, que está com alavancagem sob controle. “A Vale vem registrando o menor custo de produção do setor e maior grau de pureza do minério extraído, o que agrega valor ao seu produto e se traduz em ganhos mesmo em uma eventual queda nos preços do minério”. Para Martins, da ModalMais, a empresa está “em um ótimo momento, sua ação tem excelente liquidez e está protegida em momentos de alta do dólar”.