App que faz usuários gastarem menos já tem 7 mil pessoas em fila de espera

A fintech, que existe há três anos nos EUA e chega ao Brasil em março, usa inteligência artificial para analisar movimentações financeiras

São Paulo — O aplicativo de inteligência artificial Olivia chega ao Brasil em março, em versão beta, e 7 mil pessoas já aguardam em fila de espera para utilizá-lo. A fintech, que existe há três anos nos Estados Unidos, tem como meta “ajudar o brasileiro a fazer mais com o seu dinheiro”.

A startup foi criada no Vale do Silício pelos brasileiros Lucas Moraes e Cristiano Oliveira. “Nos Estados Unidos, nosso usuário médio poupa apenas 0,8% da renda familiar por mês quando começa a usar a Olivia. Em apenas 60 dias, esse percentual salta para 5,7%”, diz Moraes.

A ideia é que, com mais dinheiro no fim do mês, os clientes aumentem sua capacidade de investir. O app consegue fazer com que as pessoas economizem porque o sistema de inteligência artificial analisa o histórico de gastos dos usuários e consegue prever quais serão as próximas despesas. Assim, sugere no momento certo o que a pessoa precisa fazer para economizar.

“Nós teremos parcerias com empresas de vários setores. Se você coloca gasolina em seu carro toda semana, por exemplo, o sistema vai identificar quando é mais provável que você reabasteça. Nesse dia, a Olivia vai buscar alguma rede de postos parceira em sua região e avisar que ela está mais barata”, explica Moraes.

Segundo ele, muito além de uma organizadora financeira ou uma assistente virtual, a Olivia quer ser o cérebro que pensa no dinheiro do usuário. “Quando a Olivia aprende sobre o estilo e o momento de vida de quem a utiliza, ela passa a procurar formas de gastar e investir melhor o dinheiro, sugerindo pequenas e constantes mudanças de rotina e consumo. Essas alterações podem ser desde a simples orientação de trocar o dia do supermercado até uma oferta para refinanciamento do veículo.”

A chave do sucesso da Olivia nos EUA está na conectividade: o app tem acesso aos dados bancários de clientes de 18 mil bancos no país. Ou seja, o usuário da Olivia conecta sua conta bancária ao app e ele tem acesso a todas as movimentações que o usuário fez e está fazendo, sem que as pessoas tenham que preencher planilhas manualmente.

Aqui no Brasil, embora existam bem menos bancos do que nos EUA, cerca de 150 instituições financeiras, o mercado ainda é fechado. “Nós estamos fazendo parcerias com empresas que têm acesso aos sistemas dos bancos para que a Olivia funcione da mesma forma que nos EUA. A ideia é que, no lançamento, os clientes de pelo menos os cinco maiores bancos do país possam conectar suas contas na Olivia”, diz Moraes.

Quanto custa?

O cliente não paga nada pela “ajudinha” da Olivia, já que a receita da startup virá das empresas parceiras, que pagarão um percentual sobre as vendas geradas através do app. Uma dessas empresas é a XP Investimentos, que inclusive comprou uma parte minoritária da Olivia como parte do acordo para ser a parceira oficial de investimentos dentro da plataforma.

A integração das plataformas das duas empresas permitirá a recomendação personalizada de produtos financeiros de acordo com o perfil e a capacidade de investimento de cada pessoa. “Com um único clique, o dinheiro economizado pela Olivia vai virar um investimento na XP”, diz Moraes.

Quem estiver interessado em testar a versão beta da Olivia, que estará disponível no Brasil no mês que vem, pode pedir para ser avisado do lançamento e entrar na fila de espera através do site da plataforma.

“Estamos criando um futuro no qual os produtos financeiros serão inteligentes, incluindo empréstimos que se pagam sozinhos, contas que te ajudam a gastar melhor e investimentos que crescem por si só. Nesse futuro, as pessoas nunca mais precisarão pensar em dinheiro”, completa o co-fundador da Olivia.