Aluguel de espaço em casa é opção de renda extra

Site se propõe a ser o “Airbnb de espaços da casa”. Veja como funciona e quanto você consegue ganhar guardando móveis, bens pessoais e mercadorias

São Paulo – Os apartamentos estão ficando cada vez menores, enquanto os preços dos aluguéis aumentam. O resultado é um metro quadrado cada vez mais valorizado, principalmente em bairros bem localizados. Então por que não utilizar o espaço ocioso em casas e apartamentos para garantir uma renda extra?

É o que propõe a Wistor, plataforma de compartilhamento de espaço físico para guardar móveis, bens pessoais e mercadorias. Tanto o espaço de cômodos diversos como o de garagens podem ser anunciados no site.

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Qualquer pessoa pode anunciar o espaço que tem de sobra no site. Dessa forma, é possível encontrar preços mais baixos ou, pelo menos, mais opções de preços em cada região.

Após quase um ano em operação, a Wistor reúne 8 mil metros quadrados em casas, apartamentos, galpões, armazéns e garagens espalhados para aluguel, 95% dele concentrados em São Paulo. São cerca de 350 anunciantes e 500 pessoas que demandam o serviço.

A busca por espaços é guiada pelo tamanho e características do cômodo. Naturalmente, espaços exclusivos e trancados a chave são mais valorizados do que um espaço existente em uma sala de estar, por exemplo. Espaços que permitem retiradas mais frequentes também têm aluguel mais caro. O aluguel é definido diretamente com proprietários de residências e espaços comerciais.

As empresas de armazenamento de objetos,  que alugam boxes, são outra opção para quem quer guardar objetos e mercadorias, mas não deseja pagar aluguel por um espaço maior. Contudo, o serviço pode ter preços inacessíveis para pequenos empreendedores, por exemplo. A ideia da Wistor é roubar uma fatia do mercado dessas empresas, cobrando um preço mais acessível pelos espaços.

O valor médio das locações de espaços na Wistor é de 230 reais para cerca de 6 metros quadrados, espaço equivalente ao de um pequeno quarto. Bairros mais nobres da cidade de São Paulo, como Bela Vista, Pinheiros e Perdizes o aluguel gira, em média, em torno de 50 reais o metro quadrado, enquanto na Mooca, Ipiranga e Pirituba saem por volta de 35 reais.

Outra vantagem da plataforma em relação às empresas que alugam boxes é que os espaços podem ser alugados mais próximos da residência ou escritório de quem precisa do espaço.

O perfil de quem procura pelo compartilhamento de espaços é variável. Há desde quem está em fase de mudança e não tem onde deixar suas coisas enquanto o outro imóvel está em reforma; pessoas que usam o serviço ao mudar de cidade, e também empresas que precisam de espaços para estocar produtos em locais próximos de onde está localizada ou de seus clientes.

Aluguel de três espaços por mil reais

A comerciante Mariane Garcia, de 42 anos, é uma das pessoas que utilizam a plataforma. Ela decidiu anunciar espaço de um salão com 150 metros que tem em sua casa na Praça da Árvore, em São Paulo, quando ficou desempregada. “Estava precisando de renda extra. Pensava em alugar o espaço, mas não queria ter um inquilino”.

Mariane Garcia, 42 anos, comerciante A comerciante Mariane Garcia, 42 anos, fatura R$ 1 mil por mês alugando espaços de um galpão em sua casa

A comerciante Mariane Garcia, 42 anos, fatura R$ 1 mil por mês alugando espaços de um galpão em sua casa (Arquivo pessoal/Divulgação)

Mariane conseguiu alugar um espaço de 9 metros quadrados para um arquiteto que mudou de casa e não tinha espaço para guardar alguns objetos pessoais e materiais do escritório;  um de 4 metros quadrados para um advogado guardar documentos profissionais; e 4 metros quadrados para um empresário. Passou a ganhar 1 mil reais por mês com os aluguéis. “Estou fechando o quarto aluguel com um comerciante, que deseja guardar mercadorias. Já consegui pagar algumas contas com o valor e estou reformando a minha casa”.

Mariane acredita que um dos diferenciais foi a segurança de sua casa. “Tenho câmera, porta de aço e o bairro é bem tranquilo”. Como a comerciante já tinha um seguro residencial contra roubo, se sentiu segura para alugar o espaço e não ter dor de cabeça. Seus contratos de aluguel variam entre seis meses e dois anos.

Quando um dos inquilinos precisam retirar qualquer objeto ou documento, entram em contato com a plataforma e Mariane é notificada. Ambos entram então em um acordo sobre o horário e dia da retirada. “Como sempre tem gente em casa, esse processo não é um problema”, conta.

Como funciona

Franz Bories, cofundador da Wistor, explica que o site recebe 15% de comissão sobre os aluguéis a cada mês. A taxa inclui suporte de advogados no caso de pequenas desavenças entre locatário e inquilino e uma cobertura de até mil reais para pequenas avarias nos objetos guardados.

A empresa ainda não oferece um seguro contra roubo, por exemplo. Mas a ideia é fazer, no futuro, uma parceria com uma seguradora, diz o executivo.

Antes de qualquer usuário ser aprovado na plataforma, seu perfil passa por uma análise, que envolve antecedentes criminais. No contrato, há a ressalva de que as mercadorias estocadas não podem conter objetos ilegais ou perecíveis. O usuário também encontra a observação de que retirada dos objetos ou visitas devem ser comunicadas pela plataforma.

Funcionários da Wistor acompanham quem deseja alugar um espaço, mas deseja verificar pessoalmente onde os produtos ficarão guardados. “Enquanto isso, a responsabilidade pelos objetos recai sobre quem aluga o espaço”.

A Wistor também pretende inserir um algoritmo na plataforma que sugere um preço pelo aluguel baseado em diversas variáveis. A plataforma também quer oferecer um dispositivo de monitoramento do local à distância, para dar tranquilidade a quem aluga os espaços.