8 corretoras recomendam ações pagadoras de dividendos

Ações de elétricas mais afetadas por medidas do governo foram retiradas das carteiras

São Paulo – As carteiras recomendadas de dividendos foram marcadas, em setembro, pela publicação da Medida Provisória 579, que prevê a renovação das concessões e a redução de tarifas de energia elétrica. As ações do setor sofreram com a perspectiva de uma queda nos lucros, o que levou muitas corretoras a retirarem alguns papéis combalidos da carteira.

O futuro das empresas ainda é incerto, mas as corretoras já se anteciparam e retiraram da carteira papéis de empresas mais afetadas, como Cemig e AES Tietê, preferindo, em alguns casos, empresas menos afetadas pelas medidas anunciadas pelo governo e talvez até beneficiadas. O setor elétrico, contudo, continuou presente nas carteiras acompanhadas, assim como outras concessionárias e empresas de utilidade pública, além de companhias ligadas ao consumo.

Veja a seguir as carteiras de dividendos recomendadas pelas corretoras para outubro.

Ágora Corretora/Bradesco

A corretora não informou o desempenho da carteira no mês de setembro.

Papéis incluídos: Contax e Sabesp. Papéis retirados: Banco do Brasil e Cielo.

A corretora afirma que a Contax – empresa líder no mercado brasileiro de contact center – foi incluída na carteira pelas perspectivas de crescimento do setor de contact center na América Latina, que devem beneficiar a empresa, dona de operações também na Argentina, Colômbia e no Peru. Sobre a Sabesp, os analistas afirmam que incluíram os papéis da companhia na carteira porque a companhia deve ser beneficiada pela revisão tarifária que acontece este ano e também pela possível definição de um marco regulatório para o setor.

Ação Código Preço-alvo (dez/2012) Yield estimado (2012)
BM&FBovespa BVMF3 R$ 15,10 4,3%
Contax CTAX4 R$ 30,00 6,7%
Light LIGT3 R$ 28,70 5,2%
Sabesp SBSP3 R$ 87,00 2,8%
Telefônica Brasil VIVT4 R$ 57,00 11,4%

Ativa

A carteira de dividendos da Ativa apresentou queda de 3,6% em setembro.

Papéis retirados: Light e Tractebel. Papéis incluídos: Equatorial e Coelce

Segundo os analistas, a Equatorial entra na carteira de outubro por ser uma empresa menos exposta ao setor de geração de energia, que está sendo penalizado pelas recentes medidas do governo. A companhia tem 96% das operações expostas apenas ao segmento de distribuição, que não foi afetado pelas medidas recentes do setor.

Ação Código Preço-alvo Yield estimado
CCR CCRO3 ND ND
Coelce COCE5 ND ND
Comgás CGAS5 ND ND
Equatorial EQTL3 ND ND

Geral Investimentos

A carteira de dividendos da Geral Investimentos teve queda de 5,70% em setembro e no ano acumula valorização de 15,82%.

Papéis incluídos: CCR, Taesa e Telefônica. Papéis retirados: AES Tietê e Cemig.

Segundo os analistas, a CCR entra na carteira porque o modelo de negócio de concessão de rodovias garante à empresa oportunidades de ganhos com o crescimento da economia nacional. Sobre a Taesa, os analistas afirmam que enxergam a empresa como um investimento atrativo, uma vez que seu negócio possui baixo risco regulatório, previsibilidade no fluxo de caixa e fluxo estável de dividendos. E a Telefônica entra porque, segundo eles, a companhia é composta por receitas estáveis, com fluxo de caixa facilmente previsível e também porque ela apresenta um viés de crescimento decorrente do segmento de telefonia móvel.

Ação Código Preço-alvo Yield estimado (dez/2012)
Ambev AMBV4 ND 3,10%
Brasil Insurance BRIN3 ND 4,90%
CCR CCRO3 ND 3,10%
Helbor HBOR3 ND 4,60%
JHSF JHSF3 ND 1,90%
Metal Leve LEVE3 ND 6,00%
Taesa TAEE11 ND 5,90%
Telefônica Brasil VIVT4 ND 8,70%
Tractebel TBLE3 ND 3,50%

Omar Camargo

Em agosto, a carteira de dividendos da Omar Camargo registrou desvalorização de 12,53% e no ano a carteira acumula perda de 17,61%.

Papéis incluídos: Coelce. Papéis retirados: Cteep.

Os analistas comentaram que a carteira do mês de setembro foi prejudicada pelo pacote de medidas do setor elétrico e ressaltam que a AES Tietê teve queda de 17,84% no mês e que a Cteep caiu 16,45%. Para este mês, os analistas optaram por retirar as ações da Cteep, pois se a companhia não for beneficiada com possíveis emendas da Medida Provisória do setor, há a possibilidade, em um cenário extremo, de a empresa optar por não renovar suas concessões. E mesmo que renove, explicam os analistas, a distribuição de dividendos muito provavelmente será afetada.

No lugar da Cteep foram incluídos os papéis da Coelce. A justificativa é que as distribuidoras de energia sofreram pouco com as medidas do governo, uma vez que já passam por revisões tarifárias periódicas. Além disso, existe a possibilidade de essas companhias até serem beneficiadas, pois venderão energia mais barato, o que pode estimular o consumo.

Ação Código Preço-alvo Yield estimado
AES Tietê GETI4 ND ND
Cemig CMIG4 ND ND
Comgás CGAS5 ND ND
Coelce COCE5 ND ND
Telefônica VIVT4 ND ND

Rico/Octo Investimentos

Em agosto, a Carteira Dividendos 8+ do Rico, home broker da Octo investimentos, apresentou queda de 4,34%. No ano, a carteira acumula ganho de 17,16%.

Papeis incluídos: Taesa e Valid. Papéis retirados: AES Tietê e Cemig.

No relatório mensal, os analistas destacaram que a carteira de setembro foi prejudicada pelas baixas dos papéis do setor de energia elétrica. Por isso, para outubro, eles estão retirando os papéis da AES Tietê e Cemig, até que sejam definidos os termos de renovação das concessões das empresas do setor junto ao governo federal. Eles ressaltam, no entanto, que continuam acreditando que as empresas com caráter mais defensivo e boas pagadoras de dividendos são uma ótima alternativa de investimento por causa do contínuo cenário externo conturbado e porque elas possuem boa tendência de alta no médio e longo prazo.

Ação Código Preço-alvo Yield estimado
Banco do Brasil BBAS3 ND ND
Coelce COCE5 ND ND
Grendene GRND3 ND ND
Taesa TAEE11 ND ND
Telefônica Brasil VIVT4 ND ND
Tractebel TBLE3 ND ND
Valid VLID3 ND ND

Santander

A carteira de dividendos do Santander teve alta de 0,82% em setembro e no ano acumula alta de 9,72%.

Papéis incluídos: CCR e Sabesp. Papéis retirados: Souza Cruz e Telefônica Brasil.

Os analistas incluíram as ações da Sabesp na carteira de outubro, pois acreditam que o movimento de queda dos papéis em setembro (-3,28%) tenha sido exagerado. Eles avaliam que o mercado extrapolou o que ocorreu com o setor elétrico para outras empresas de concessão, mas a Sabesp não deveria ter sido afetada, uma vez que suas concessões são estaduais. E a CCR entra sobretudo pelo fator de proteção contra o aumento da inflação, já que todos os contratos de concessão da companhia são indexados ao IPCA ou ao IGP-M.

Ação Código Preço-alvo (dez/2013) Yield estimado (dez/2013)
AES Tietê GETI4 R$ 23,40* 12,27%
CCR CCRO3 R$ 19,00 3,97%
Multiplan MULT3 ND 1,16%
Sabesp SBSP3 ND 3,30%
Ultrapar UGPA3 R$ 56,60 2,68%

(*) Preço alvo referente a dezembro de 2012.


Um Investimentos

A carteira de dividendos da Um Investimentos teve queda de 2,65% no mês de setembro.
Papéis incluídos: Cielo e Lojas Renner. Papéis retirados: Cemig, Coelce e Energias do Brasil.

Os analistas da Um Investimentos retiraram papéis do setor elétrico da carteira de outubro, em virtude do pacote de medidas anunciado pelo governo, que prejudicou o desempenho das ações no setor. As ações das Lojas Renner foram incluídas no portfólio de outubro, segundo os analistas, principalmente pela perspectiva de aquecimento no setor de consumo no segundo semestre. E a Cielo foi incluída porque os analistas acreditam que a aquisição da empresa norte-americana Merchant e-Solutions (MeS) – empresa com portfólio completo de soluções de pagamentos -, é estrategicamente importante e deve trazer sinergias para a empresa.

Ação Código Preço-alvo (dez/2013) Yield estimado
CCR Rodovias CCRO3 R$ 19,85 ND
Cielo CIEL3 R$ 64,93 ND
Grendene GRND3 R$ 15,20 ND
Lojas Renner LREN3 R$ 74,37 ND
Taesa TAEE11 ND ND

XP Investimentos

A Carteira XP Dividendos fechou setembro com desvalorização de 1,9%, mantendo, porém, alta de 6,2% no ano.

Papéis incluídos: Taesa. Papéis retirados: AES Tietê

O pacote para o setor elétrico anunciado pelo governo explica o fraco desempenho dos papéis da Tractebel e da AES Tietê em setembro, diz o relatório da XP. Esta última foi retirada, tendo valorizado 84% desde sua entrada na carteira em 30 de abril de 2009. Segundo os analistas, ainda que a empresa não seja diretamente afetada pela Medida Provisória 579, esta abre um precedente que gera “um certo desconforto” em relação ao futuro da empresa, o que motivou a retirada dos papéis. Em seu lugar entraram as units da Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa), cuja operação estável faz com que a empresa não fique exposta ao volume de venda de energia, mas sim à disponibilidade de uso de suas linhas. Assim, diz o relatório, a redução do consumo ou do preço da energia pouco afetam suas operações.

Ação Código Preço-alvo Yield estimado
Comgás CGAS5 ND ND
Oi OIBR4 ND ND
Taesa TAEE11 ND ND
Tractebel TBLE3 ND ND
Vale VALE3 ND ND