7 perguntas sobre investimentos que não têm resposta

Veja quais são as típicas perguntas que os investidores fazem e que os especialistas não têm como responder

São Paulo – Se os profissionais que trabalham na área de investimentos soubessem a resposta certa para perguntas como “qual é o melhor investimento do momento” ou “qual ação vai subir hoje”, provavelmente eles não estariam mais trabalhando.

Muitos investidores insistem em buscar respostas simples para perguntas bastante complexas. Mas, como já diria muito sabiamente o economista Milton Friedman, “Não existe almoço grátis”. Uma conversa de meia hora com um consultor financeiro ou com o seu gerente não trará a fórmula do enriquecimento. Ao lidar com investimentos, é preciso avaliar com muita calma e estudar sistematicamente diversas aplicações para encontrar as melhores oportunidades.

A seguir estão elencadas algumas das perguntas que os profissionais da área de finanças mais costumam ouvir de investidores. Leia e entenda por que as respostas para elas não são tão simples quanto você imagina.

1) Quais ações vão subir hoje?

Segundo Alessandro Mavignier, gerente do Home Broker da HSBC Corretora, todos os dias clientes ligam na corretora para fazer esta mesma pergunta. “É uma questão que não tem resposta e é associada à tentativa do investidor de descobrir uma oportunidade em Bolsa sem risco. Por mais que se faça todo um estudo, nunca há garantia de nada em renda variável”, afirma.

Paulo Bittencourt, diretor técnico da Apogeo Investimentos, acrescenta que a pergunta está sempre no imaginário dos investidores e que se houvesse uma resposta, ela valeria milhões de reais. Ele pondera que é possível antecipar tendências, mas não há como afirmar se uma ação irá subir com absoluta certeza. “Isso acontece porque no curto prazo, no pregão do dia, por exemplo, as ações sobem na maioria das vezes em função de expectativas, e não com base em fatos”, diz.

2) Qual é o melhor investimento neste momento?

Mais uma pergunta cujo objetivo óbvio é encontrar uma resposta rápida, fácil e que livre o investidor da “árdua tarefa” de pensar. 

Ficar sem resposta nesse caso talvez seja a melhor opção. “Ao fazer essa pergunta para um gerente de banco, geralmente ele vai ter uma resposta, mas errada. Ele dirá que o melhor investimento é a poupança, a previdência, ou um fundo, de acordo com o produto que ele precisa vender para bater sua meta”, afirma Guilherme Campos, professor da BBS Business School.

Segundo ele, a resposta é errada porque a própria pergunta não é feita da maneira correta: “O investidor deveria perguntar o que é melhor para ele. Ao fazer esse tipo de pergunta sem enfatizar esse lado, normalmente o gerente responde o que é melhor para o banco”.

Milhares de profissionais da área de investimentos trabalham todos os dias exatamente para tentar prever quais investimentos têm mais potencial de gerar retornos no momento. Isso não aconteceria se a resposta fosse óbvia.

Além disso, escolher aplicações baseando-se em seus resultados recentes pode ser muito arriscado. “O que parece ótimo hoje pode esconder um problema que só aparecerá no futuro. Os bons investimentos têm bom histórico e podem ser comprovados de forma objetiva e não pela opinião de momento”, diz Bittencourt.


3) Qual é o melhor investimento para ‘X’ reais.

Para definir o investimento mais indicado, não basta apenas saber qual é a quantia disponível para aplicação. Outros fatores importantes devem ser levados em conta, como o prazo do investimento, o perfil de risco e o objetivo do investidor.

Por mais chato que seja preencher questionários ou gastar um tempo falando com o seu consultor sobre esse tipo de questão, isso é crucial para que a orientação de investimento seja contundente.

Com 50 mil reais é possível investir em aplicações tão diversas quanto a poupança, o Tesouro Direto, a Bolsa ou fundos de investimentos de vários perfis. Mas, se o prazo for de três ou seis meses, a poupança pode ser a melhor opção. Assim como, se o objetivo for investir no longo prazo, sendo possível correr riscos, a Bolsa pode ser a melhor alternativa. E isso só será definido depois que muitos critérios forem ponderados.

4) Por que essa ação teve um desempenho ruim?

Você pode acreditar que existe uma resposta para essa pergunta, mas milhares de fatores podem influenciar o desempenho de uma ação. “Sempre existem notícias que explicam a oscilação, mas por trás desse movimento, há muito mais que uma notícia. Inúmeros fatores determinam o sobe-e-desce, nunca vai existir um par perfeito entre ação subir e notícia e vice-versa”, afirma o gerente do Home Broker do HSBC.

Ele ressalta que, mesmo quando é divulgado um resultado muito positivo ou até recorde de uma empresa, no dia em que é feito o anúncio, as ações podem cair. “Qualquer ativo negociado em Bolsa é precificado com base em expectativas. Isso é muito relacionado à conhecida frase: ‘A ação sobe no boato e cai no fato’. O mercado antecipa esse tipo de informação. Se existe uma data no futuro para divulgação de resultados, a oscilação antecede este fato”, diz Mavignier.

Uma notícia não deve basear uma tomada de decisão isoladamente. Outros fatores menos efêmeros devem ser considerados para que seja possível definir se a ação pode sustentar um ganho em um período mais longo, ou se ela pode se recuperar de um prejuízo.

O diretor da Apogeo destaca que é importante verificar, por exemplo, se o desempenho ruim da ação ocorreu por uma questão pontual, ou se existe um fator estrutural negativo na empresa que está prejudicando a valorização da ação. “Existem também fatores conjunturais da economia que podem afetar momentaneamente a cotação de uma ação. Por isso é importante avaliar paralelamente o setor ao qual a ação pertence, comparando seu fraco desempenho com a média do setor”, recomenda.

5) Quanto devo juntar para a minha aposentadoria?

Mais uma questão que o investidor terá que se contentar em não receber uma resposta ou encontrar uma resposta vaga. Alguns profissionais até se arriscam e respondem que é preciso acumular o suficiente para ter o equivalente a 60%, 70%, 80% de sua renda atual, mas o cálculo não é tão simples.>


O cliente precisa primeiro investigar que tipo de gastos ele terá no período da aposentadoria e o estilo de vida que pretende manter, algo extremamente subjetivo. E apesar de muitos acharem que os gastos diminuem, isso pode não ocorrer, já que algumas despesas médicas que não existem atualmente podem passar a pesar no orçamento.

Em segundo lugar, é preciso estimar qual será a inflação acumulada até o momento da aposentadoria, uma estimativa totalmente incerta e que reforça a tese de que a questão não tem resposta. Especialistas até recomendam que os investidores pensem em uma inflação anual de 5% a 10%, mas nada garante que os preços subam dentro dessa faixa.

Bittencourt comenta que é muito difícil definir a quantia exata que deve ser poupada hoje para chegar a uma renda ideal na aposentadoria, sobretudo se ainda faltarem muitos anos para isso. “Não há uma fórmula mágica, mas o melhor que podemos fazer é recalcular a cada cinco anos se o total poupado é compatível com o período previsto para estar aposentado”, orienta. 

6) Quanto vou ganhar com esse investimento?

Se é que o investidor obterá uma resposta para esta pergunta, as chances de que ela não seja satisfatória são grandes.

Se o investimento for em renda variável, como as aplicações em ações, é um pouco mais óbvio que o retorno pode variar muito e que qualquer tipo de resposta não passa de uma especulação. Mas, mesmo em aplicações de renda fixa – como o Tesouro Direto e a poupança-, muitas vezes não se sabe exatamente o valor que será recebido, apenas a forma de remuneração do investimento.

A poupança, por exemplo, rende 70% da taxa Selic (quando a Selic for menor ou igual a 8,5% ao ano), mais a Taxa Referencial, que fica muito próxima a zero, mas é variável. Ou seja, a forma de remuneração é previamente definida, mas não se sabe, em termos nominais, quanto será recebido a cada real investido porque a Selic e a TR podem variar.

As Letras Financeiras do Tesouro (LFT), consideradas um dos títulos mais seguros do Tesouro Direto, também não possuem um retorno previsível. Isso ocorre pois, apesar de o investimento ser de renda fixa, sua remuneração é atrelada à taxa Selic. Como otítulo é pós-fixado, seu rendimento pode variar.

Apenas as aplicações em renda fixa prefixadas possuem um retorno que pode ser previsto logo no ato da aplicação. É o que ocorre com as Letras do Tesouro Nacional (LTN), que são os títulos do Tesouro Direto que pagam sempre uma taxa de juros determinada no momento da aplicação sobre o valor investido.

7) Onde posso investir sem correr riscos?

O sonho de todo o investidor é aplicar em um investimento com altíssimo retorno e sem muito estresse. É lamentável informar, mas esse investimento não existe. “Não se pode eliminar completamente todo o componente de risco em um investimento. Este fator é inerente ao ato de investir”, resume Bittencourt.

É bem possível que um profissional responda que a poupança é um investimento sem riscos. De fato, a caderneta pode ser considerada um dos investimentos mais seguros do mercado, mas isso não a isenta de riscos – os brasileiros que tiveram sua poupança confiscada nos anos 1990 devem concordar.

Se mesmo a poupança tem riscos, que dirá os investimentos em renda variável, que são declaradamente arriscados?

Na impossibilidade de econtrar investimentos sem riscos, o diretor da Apogeo recomenda que o investidor não escolha um produto somente pelo fato de ele ter mais ou menos risco, e sim pela relação de retorno versus risco, que demonstra quanto risco vale a pena correr para obter um determinado ganho. “Os maiores ganhos possuem também maior risco implícito e o investidor terá de escolher: para o mesmo nível de retorno o investimento de maior ganho ou para um mesmo retorno esperado aquele de menor risco”, diz.