2015 deve ser bom ano para quem quer comprar imóveis em SP

Estoques de unidades não vendidas pelas construtoras continuam altos e devem manter espaço para descontos e barganhas

São Paulo – O ano de 2015 será bom para quem quer encontrar imóveis com preços menores e barganhar descontos. Mas, por outro lado, o comprador não deve esperar quedas generalizadas de preços, de acordo com associações e empresários do setor imobiliário.

As discussões sobre o comportamento do mercado no ano que vem foram tema do evento “Mesa Redonda sobre perspectivas e tendências para o setor imobiliário em 2015”, realizado nesta semana pelo Secovi-SP e pela Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (Fiabci) do Brasil.

Os preços devem permanecer acomodados pois o ritmo de venda de imóveis remanescentes (unidades que não são vendidas durante o lançamento) está caindo desde o início do ano na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP, formada por 39 municípios paulistas).

A perspectiva vale apenas para imóveis novos, na planta ou prontos para morar. Unidades usadas podem registrar maior oscilação de preços. Nesse mercado, os valores anunciados tiveram leve alta em São Paulo em novembro, de acordo com o índice Fipe-Zap

Segundo Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, os preços devem se manter estáveis. “Não devem baixar e nem subir, por causa do aumento de custos que a construtora tem para construir”.

Desde abril deste ano, as vendas de unidades em estoque estão abaixo da média dos últimos dois anos na região, algo que não era registrado desde março de 2013.

Como resultado, o estoque na RMSP passou de 36.921 unidades de janeiro a setembro de 2013 para 38.018 unidades no mesmo período de 2014. “O tempo médio para a compra da casa própria também aumentou”, diz Sandro Gamba, CEO da Gafisa

Para Arnaldo Curiati, presidente da rede de imobiliárias Brasil Brokerscom o nível de estoque elevado não há espaço para alta de preços. “Os compradores estão buscando oportunidades”, afirma.

Porém, os executivos acreditam que o ano que vem não será pior do que 2014, uma vez que as incertezas sobre o novo governo e a queda nas vendas durante o período da Copa do Mundo no Brasil tiveram impacto negativo sobre as vendas deste ano.

A única coisa que pode mudar esse cenário é uma piora da economia, de acordo com Bernardes, do Secovi-SP. “Mas aí não será bom nem para as empresas, nem para os compradores”.

Descontos, mas nem tanto

A visão do comprador sobre os descontos que podem ser obtidos na compra dos imóveis mudou com a onda de feirões realizada pelas construtoras ao longo do ano, segundo Curiati, da Brasil Brokers.

Segundo o executivo, o grau de descontos que chegou a ser anunciado pelas empresas foi “irreal” e tem levado compradores a criar uma falsa expectativa sobre os preços finais que podem ser obtidos nas negociações. “Não é possível dar desconto de 40% no preço do imóvel. A construtora sai no prejuízo”.

De acordo com Bernardes, os preços de unidades que não são vendidas após o lançamento dos empreendimentos devem permanecer com descontos de 10% a 12% sobre o valor pelo qual foram anunciados inicialmente.

Mas esse nível de desconto só é válido para poucas unidades em cada empreendimento, como imóveis localizados nos andares mais baixos do prédio. “As empresas têm pouca margem para diminuir preços”, diz o presidente do Secovi.

Além disso, Claudio Bernardes afirma que o número de unidades com esses descontos maiores vem diminuindo. “Há demanda por esse tipo de imóvel”.

Bancos continuam financiando

Octavio de Lazari Junior, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), nega que os bancos estejam mais seletivos ao conceder crédito para a compra de imóveis.

“As instituições financeiras, na verdade, sempre foram conservadoras ao conceder esse tipo de crédito. É necessário que o comprador tenha condições de pagar a dívida“, afirma Lazari. 

Como justificativa, ele diz que o volume destinado ao crédito imobiliário para pessoas físicas em cinco grandes bancos (Caixa, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaú) cresceu em média 35,8% no terceiro trimestre desse ano na comparação com o mesmo período do ano anterior.

De janeiro a outubro deste ano, o valor financiado nas compras ficou praticamente estável em relação ao ano passado e atingiu, em média, 65% do valor do imóvel. O valor mínimo exigido para entrada corresponde a 35% do preço da unidade, em média.

Apesar da inadimplência no financiamento do imóvel continuar sob controle, os especialistas alertam que o financiamento deve ser feito com mais cautela em um cenário econômico mais fraco, como o atual.

O comprador deve se preparar para ter condições de pagar as prestações no caso de imprevistos, como a perda do emprego. Isso porque está mais fácil para os bancos tomarem o imóvel após as novas medidas anunciadas pelo governo em agosto desse ano.