Dona da Peugeot e da Citroën luta para sair do vermelho no Brasil

O francês Patrice Lucas, presidente do grupo PSA na América Latina, diz que o prejuízo da operação brasileira caiu pela metade.

O grupo automotivo francês PSA, dono das marcas Peugeot e Citroën, reduziu à metade o prejuízo no Brasil. Mas o consumo reage mais devagar do que o esperado, as eleições trazem incertezas e o lucro demora a chegar. “É muito difícil fazer previsões por aqui. De uma semana para a outra, tudo pode mudar”, diz o francês Patrice Lucas, de 52 anos, na primeira entrevista desde que assumiu a presidência do grupo na América Latina, em fevereiro. Após a greve dos caminhoneiros, Lucas reduziu de 20% para 12% sua projeção de crescimento do mercado automotivo no Brasil em 2018, mas comemora a aprovação do Rota 2030, o programa de incentivo fiscal do setor. Confira a seguir.

Qual sua perspectiva para o mercado automotivo no Brasil?

Sou novo na América Latina, um mercado que eu acompanhava da Europa quando era vice-presidente de programas e estratégia do grupo. Desde que cheguei, descobri que é muito difícil fazer previsões por aqui. De uma semana para a outra, tudo pode mudar. No início do ano, esperávamos um crescimento de 20% para o mercado brasileiro em 2018. Agora, a previsão é de 12%.

O que fez o senhor reduzir as projeções?

Uma das principais razões foi a greve dos caminhoneiros, em maio. Não produzimos durante quase uma semana. E, como não entregamos os veículos, também não conseguimos faturar, tanto os que foram vendidos no Brasil quanto os exportados para a Argentina. Todo o setor foi impactado.

As eleições também influenciam a queda de sua projeção?

O mais importante das eleições é ter uma visão clara dos planos econômicos dos candidatos. O resultado do pleito depende dos brasileiros. Minha preocupação é proteger e adaptar a empresa com agilidade para o cenário político que vier a ser escolhido.

O PSA vem registrando prejuízos desde 2011 no Brasil. Diante da situação atual, quando acredita que voltará a lucrar?

Estamos ganhando dinheiro na América Latina, mas o Brasil segue com prejuízo. É o único país da região nessa situação. No entanto, o prejuízo deste ano será a metade do registrado no ano passado. O que falta é chegar ao equilíbrio, algo que está dentro de nosso plano até 2021. As pedras em nosso caminho são as crises e as eleições. Mas essa é a pimenta da vida.

Quais medidas pretende tomar para chegar a esse resultado?

A prioridade é obter rentabilidade. Depois, queremos elevar a participação de mercado de 2% para 5%. Para isso, vamos lançar nove modelos até 2021. No fim de julho, foi a vez do C4 Cactus, que atende a classe média alta. Esse consumidor manteve as vendas de utilitários esportivos em alta durante a crise. Também reduzimos o custo de produção, investindo 580 milhões de reais na fábrica em Porto Real, no Rio de Janeiro.

O programa de incentivo fiscal Rota 2030 vai ajudar? 

O programa dá uma previsibilidade quanto aos incentivos. E estão previstas rodadas de negociação a cada cinco anos. Isso é importante, porque os incentivos afetam a escolha de produtos a trazer ao país. Isso exige investimentos brutais. Portanto, as regras não podem mudar de uma hora para a outra. O programa vai permitir desenvolver novas tecnologias na América Latina.

A equipe econômica do governo resistiu ao programa, diante da crise fiscal. Esses benefícios se justificam?

Em todas as partes do mundo existem esses incentivos. E é uma decisão do governo para desenvolver a indústria. O programa ainda desenvolve a cadeia de fornecedores, já que não encontramos as peças por aqui. O Rota 2030 está no caminho certo.