A cidade brasileira que expulsou o sedentarismo

O experimento social de nove meses financiado pelo grupo de saúde UnitedHealth Group envolveu 40% da população de Jaguariúna, no interior de São Paulo

A cidade de Jaguariúna, no interior de São Paulo, passou por uma espécie de experimento social por cerca de nove meses — entre abril e dezembro do ano passado. Quase 40% da população foi envolvida em uma série de atividades voltadas para a adoção de um estilo de vida saudável. O comandante dessa intervenção foi o professor de educação física Marcio Atalla. Já o financiador foi o UnitedHealth Group, grupo de saúde que reúne Amil, Americas Serviços Médicos e Optum. “As pessoas devem viver cada vez mais anos. É parte do nosso papel fazer com que elas se questionem se estão vivendo com qualidade”, diz Odete Freitas, diretora de sustentabilidade do UnitedHealth Group. Para ela, é fundamental que as empresas de saúde se preocupem com o controle das doenças e com a qualidade de vida.

As 9 000 pessoas que se inscreveram no projeto participaram de caminhada, oficina de nutrição, orientações clínicas e treinamento com agentes de saúde. Foram feitas ainda competições, com distribuição de prêmios, para estimular o movimento físico e afastar qualquer possibilidade de sedentarismo. O impacto foi mensurado por Atalla e sua equipe, que comemoraram o fato de 74% dos participantes registrar alguma mudança, como emagrecimento, a adoção de uma rotina alimentar mais saudável e a prática regular de atividades físicas. O exercício regular aumentou 35% depois da intervenção, e o número de pessoas fisicamente inativas caiu 15%.

Se prevenir as doenças é importante, tratá-las da forma menos invasiva também se tornou uma preocupação. O UnitedHealth Group investiu 32 milhões de reais num centro de treinamento com tecnologia de ponta para formar 2 000 médicos por ano. Inaugurada em junho, a estrutura capacita não apenas os profissionais da empresa como também os do mercado, por meio do ensino de técnicas que agridam o menos possível o paciente. O objetivo é proporcionar o máximo de conforto e segurança em cada operação. “Compartilhamos esse conhecimento com o mercado porque desejamos que a cirurgia menos invasiva se popularize”, afirma Odete.

A cirurgia de vesícula, por exemplo, exige longo jejum, e o pós-operatório é sofrido. “Com as novas técnicas que garantem menos dor, o paciente é liberado em 24 horas”, diz Odete. O ganho deve ser em parte creditado a um robô adquirido para o centro de treinamento. A máquina possui visão de alta definição e realiza rotação de 360 graus, o que permite ao médico realizar movimentos impossíveis para as mãos humanas.