Visão Global — premiê japonês enfrenta teste nas urnas

Metade dos eleitores entrevistados numa pesquisa recente gostaria de ver Shinzo Abe fora do comando do Japão

Os japoneses estão divididos. Por um lado, metade dos eleitores entrevistados numa pesquisa recente (47%) gostaria de ver o primeiro-ministro Shinzo Abe fora do comando do país (só 37% gostariam que ele continuasse no governo). Por outro, nenhum político de oposição conseguiu se estabelecer como uma alternativa ao pragmatismo de Abe. Mesmo aos trancos e barrancos, o primeiro-ministro vem conduzindo o país com sucesso desde 2012. Suas políticas de estímulo reaqueceram a economia, e hoje o Japão vive o melhor momento em décadas. A taxa de desemprego é de apenas 3% — a menor dos últimos 12 anos. No entanto, Abe está longe de animar os eleitores. Seu governo foi abalado por escândalos, e a aprovação despencou. A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, do recém-criado Partido da Esperança, chegou a ser vista como uma forte opositora nas eleições gerais do dia 22, mas o apoio a seu partido murchou depois que ela decidiu não se candidatar ao Parlamento. Até o dia 16, o partido Liberal Democrata, de Abe, liderava as pesquisas de intenção de voto, e o primeiro-ministro caminhava para assegurar um novo mandato. Mesmo se vencer, Abe terá de fazer mais para, de fato, conquistar o eleitor.

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Incêndios na Califórnia: o impacto do aquecimento global já é visível | Elijah Nouvelage/Afp Photo

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

O ALERTA VEM ATÉ DO FMI

Todo ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publica um extenso relatório no qual faz um panorama da economia e alerta para os riscos à estabilidade financeira no mundo. A política monetária, os ajustes fiscais e a geração de empregos são os temas que costumam estar no topo da agenda. Mas a edição de 2017, divulgada em outubro, chamou a atenção para outra questão: os efeitos do aquecimento global na economia. O Fundo dedicou um capítulo inteiro a analisar os prejuízos do aumento das temperaturas no planeta — um exemplo são os incêndios recentes que destruíram centenas de casas na Califórnia. Todos os países sofrerão, mas, segundo o FMI, as nações mais pobres, localizadas nas regiões mais quentes e onde vive a maior parte da população, serão as mais prejudicadas. O aumento da temperatura deve provocar queda da produção agrícola, redução na produtividade, tombo nos investimentos e aumento da imigração. Se nada mudar, esses países terão em 2100 um PIB per capita 9% menor do que sem as mudanças climáticas. Num ano em que Donald Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, o FMI afirmou que só um esforço continuado da comunidade internacional ajudará a amenizar os danos.

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MÉXICO

A APOSTA NAS FINTECHS

O México pode se tornar o primeiro país da América Latina a ter uma legislação específica para as empresas de tecnologia do setor financeiro — conhecidas como fintechs. O governo do presidente Enrique Peña Nieto apresentou em outubro um projeto de lei para regulamentar o segmento e facilitar o desenvolvimento de novas tecnologias na área. A principal proposta é que as fintechs possam testar seus serviços sob uma regulação mais flexível do que a dos bancos. O México tem um setor financeiro bem estruturado, mas apenas 40% da população usa os serviços bancários. O desenvolvimento das fintechs é visto como maneira de ampliar o acesso. Hoje o México já é o país da América Latina com o maior número de fintechs.

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