Exposição de EXAME lança um novo olhar sobre o Brasil

A exposição Examinando o Brasil, que será aberta neste sábado em São Paulo, mostra como o Brasil mudou nas últimas cinco décadas

A exposição Examinando o Brasil, que comemora os 50 anos de EXAME, mostra como o Brasil mudou nas últimas cinco décadas e traz os principais desafios dos próximos anos. Tem curadoria de Marcello Dantas, também idealizador do Museu do Futebol e do Museu da Língua Portuguesa, ambos em São Paulo.

A mostra será aberta neste sábado, 16 de dezembro, no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041, no Itaim Bibi), com entrada gratuita. Conheça, a seguir, algumas das atrações.

 1. A TRANSFORMAÇÃO DEMOGRÁFICA

Uma das atrações da exposição é um totem batizado de Espelho Demográfico. O visitante gira o dial e pode fazer uma análise interativa de como o Brasil mudou nas últimas cinco décadas, com base em dados demográficos. Entre outras informações, o totem interativo mostra que, em 50 anos, a população brasileira passou de 88 milhões para 208 milhões de habitantes, o país se tornou mais urbano, a proporção de jovens diminuiu enquanto a de idosos cresceu, a expectativa de vida aumentou, a mortalidade infantil diminuiu, o PIB per capita triplicou e as mulheres ampliaram sua presença no mercado de trabalho — mas elas continuam ganhando menos do que os homens.


2. O TROCA-TROCA DE MOEDAS EM CINCO DÉCADAS

A atração Caixa de Câmbio brinca com a constante troca de moedas no Brasil nos períodos de alta inflação — foram sete diferentes moedas no último meio século. Em maio de 1992, por exemplo, o salário mínimo era de

230 000 cruzeiros. O número de zeros impressiona, mas, convertido para hoje, esse valor representa em torno de 560 reais — menos, portanto, do que o salário mínimo em vigor, que é de 937 reais.

Divulgação 

 3. QUAL É A SUA FATIA NA RIQUEZA?

Na atração A Fatia de Cada Um, o visitante poderá se divertir com diferentes gráficos em formato de pizza que mostram a fatia que cabe a cada brasileiro no total da riqueza produzida pelo país, na distribuição de renda e em outros dados econômicos e sociais. Você sabia, por exemplo, que os 10% de brasileiros de maior renda detêm 60% da riqueza do país? E que, nessa mesma pizza, os 50% da população de menor renda detêm uma fatia de apenas 13%?

Ismar Ingber/Pulsar Imagens

 4. OS AVANÇOS DA INFRAESTRUTURA

No Jogo da Infraestrutura, o visitante pode percorrer uma trilha com diferentes tipos de piso e conhecer os principais avanços e retrocessos ocorridos nas últimas cinco décadas nas áreas de telecomunicações, saneamento, energia e transporte. Um exemplo é o metrô, um dos mais eficientes meios de transporte de massa, mas presente hoje em apenas cinco cidades brasileiras. A malha do país, de pouco mais de 300 quilômetros, é inferior à de cidades como Nova York e Londres. Segundo uma estimativa, para atender à atual demanda, o país precisaria aumentar a

malha existente em 80%.

Germano Lüders

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UMA EXPOSIÇÃO PARA “SENTIR”A ECONOMIA

O curador Marcello Dantas une tecnologia a objetos do cotidiano para fazer o público entender a trajetória econômica do país por meio de experiências sensoriais | Flávia Furlan

O curador Marcello Dantas | Germano Lüders

O curador Marcello Dantas, de 49 anos, é a mente por trás da exposição que comemora os 50 anos da revista EXAME. Há três décadas ele conta histórias complexas — desta vez, será a da economia brasileira — de maneira leve, usando a tecnologia. Nascido no Rio de Janeiro, Dantas formou-se em história da arte em Florença, na Itália, e em cinema e TV na Universidade de Nova York, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil na década de 90, encontrou no país uma geração ávida por cultura. Foi, então, que criou a produtora cultural Magnetoscópio. “Com a carência de acervos no país, não funcionava o plano de expor coleções em museus. Minha ideia foi unir a tecnologia da época ao conteúdo que estava carente de uma linguagem.”

Em suas criações, Dantas segue algumas regras. A tecnologia não deve se resumir ao aperto de botões. E, em nenhuma hipótese, deve substituir o contato físico com os objetos. A ideia é aumentar a realidade, e não torná-la virtual. De acordo com Dantas, é o toque que deixa a interação intuitiva. Na exposição de EXAME, o curador procurou tirar o protagonismo das pessoas na trajetória econômica do país e trouxe para o centro da história os objetos, numa linguagem de jogo. Será possível tocar o café ou a soja e sentir o vento no rosto. “A economia é a realidade, com todas as suas coisas, cores e sabores”, diz.

A exposição hiper-realista da australiana Patricia Piccinini no CCBB do Rio de Janeiro em 2016 | Diego Baravelli/Fotoarena

Dantas chega a fazer 25 exposições por ano no mundo. Ao todo, já foram 250. Seu portfólio é vasto. Em 2006, realizou uma mostra sobre Pelé no metrô de Berlim, com painéis de 40 metros de largura. Neste ano, venceu uma concorrência para a curadoria da exposição permanente do Aeroporto LaGuardia, em Nova York, que está sendo modernizado. E seus trabalhos são cheios de ideias. Na mostra do artista plástico indiano-britânico Anish Kapoor em 2006, simulou um furacão de 36 metros de altura que se movia a 130 quilômetros por hora. Na da australiana Patricia Piccinini, em 2015, em São Paulo, expôs estátuas hiper-realistas que faziam o público refletir sobre as mutações genéticas.

A maquete comestível do chinês Song Dong na mostra Ciclo: Criar com o Que Temos, no CCBB de São Paulo em 2015: arte para sentir e refletir | Rivaldo Gomes/Folhapress

A exposição de EXAME também terá uma dose de imaginação, com um olhar para o futuro. O visitante poderá movimentar, por meio de gestos, uma imagem holográfica tridimensional. “A metáfora é que temos de começar a pensar de maneira tridimensional, para as coisas ficarem de pé: na ciência, na arte, na política e na educação”, diz. A mostra reconhece quanto o país avançou em 50 anos — e indica como pode avançar em mais 50.