Visão Global — Um novo Nafta está a caminho

O novo acordo comercial entre Estados Unidos e México deve afetar principalmente o setor automotivo

O NOVO NAFTA

Um dos indicadores de como a economia mexicana mudou depois da assinatura do Nafta — o Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio — é a participação das exportações para os Estados Unidos no produto interno bruto. Em 1994, quando o acordo entrou em vigor, elas representavam menos de 10% da economia do México. Passados 24 anos, estão perto dos 30%. No caso do Canadá, que também faz parte do Nafta, o número é de 20%.

Para ter ideia dessa relação de dependência do comércio entre os países do Nafta, as exportações para os americanos feitas pela China — maior parceiro comercial dos Estados Unidos — não representam nem 5% do PIB chinês. Um dos setores que mais participam do comércio na região do Nafta é o automotivo. E é justamente ele que deve ser o mais afetado pela renegociação do acordo comercial em andamento.

Numa decisão preliminar em agosto, sem a participação do Canadá, o México e os Estados Unidos concordaram com algumas mudanças. A de maior impacto é a exigência de que 40% a 45% das peças de carros e caminhões sejam produzidas em fábricas que pagam salários de, no mínimo, 16 dólares por hora. Segundo o governo mexicano, cerca de 30% da indústria automotiva do país está abaixo desse nível. Se a proposta for mantida, alguns trabalhadores podem até ter aumento de salário. Mas todos os consumidores vão sair perdendo.


ZONA DO EURO

Uma boa hora para fazer reformas

Atingidos em cheio por uma recessão em 2009, os países da zona do euro têm se recuperado do tombo que tomaram. Em 2018, a região formada por 19 países, entre eles Alemanha, França, Itália e Espanha, deverá ter o quinto ano consecutivo de crescimento econômico. A expansão é puxada pela retomada do consumo e também por uma melhora no cenário internacional que estimula as exportações. Com a economia aquecida, a taxa de desemprego na região vem caindo.

Num relatório recente sobre a economia da zona do euro, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que este é o momento ideal para fazer reformas e corrigir os problemas estruturais que colocam em risco a estabilidade da união monetária. Entre as principais medidas sugeridas está a adoção de uma política de gastos públicos coordenada entre as economias, com metas comuns. Seria uma forma de reduzir o alto nível de endividamento de alguns países, como a Itália, que tem uma dívida pública de 130% do PIB.


AMÉRICA LATINA

A rede veloz ainda é para poucos

Estudantes no Uruguai: o país tem a maior taxa de uso de redes 4G na América Latina | Kike Calvo/Getty Images

O avanço das telecomunicações nos países da América Latina é uma história que sempre chama a atenção. No ano 2000, só 10% da população na região tinha um telefone celular. No ano passado, a taxa havia atingido 70%. Em países de maior renda per capita, como o Chile, ela ultrapassa os 90%. Agora, se hoje mais pessoas têm smartphones, a conexão nem sempre é de boa qualidade.

Um estudo recente do  Banco Interamericano de Desenvolvimento mostra que existe uma grande diferença regional quando se analisa o uso de redes 4G, que oferecem conexões de internet mais velozes. Enquanto no Uruguai mais da metade da população usa a rede 4G, no México a proporção não passa de 15%. O Brasil fica no meio, com quase 40%. Mas a realidade latino-americana é que, de cada dez pessoas, quatro ainda estão na tecnologia 2G. O estudo é um dos mais completos já feitos sobre o tema. Para os autores, é preciso ampliar o acesso a redes 4G para que os países da região tenham mais ganhos de produtividade com uma conexão mais veloz.

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