Um assalto atrás do outro em La Casa de Papel

Álvaro Morte, o Professor da série espanhola, falou à EXAME sobre a quarta temporada da produção de língua não inglesa mais vista da Netflix

O que é possível fazer com 984 milhões de euros, o equivalente a 5,35 bilhões de reais? O valor é a quantia que os personagens de La Casa de Papel conseguiram roubar no primeiro assalto na série. Álvaro Morte, o Professor, contou à EXAME o que faria com todo esse dinheiro. A principal mente do maior assalto a banco da história da Espanha diz que seria generoso. “Não vou mentir, eu teria alguns caprichos comigo, mas é muito dinheiro, eu repartiria a maior parte com pessoas refugiadas, que precisam de um lar.”

A série, criada por Álex Piña originalmente para a rede de televisão espanhola Antena 3, chega ao lançamento da quarta temporada, em 4 de abril, com um grande sucesso de público. Aproximadamente 34 milhões de contas cadastradas na Netflix assistiram à parte 3 apenas uma semana depois de sua estreia, em 19 de julho do ano passado. La Casa de Papel é a produção de língua não inglesa mais vista pelos assinantes da plataforma. O serviço de strea­ming incluiu a produção em seu catálogo em dezembro de 2017 e, no ano seguinte, adquiriu o direito de produção. Com um roteiro que explora a influência dos sentimentos no desenrolar do planejamento do segundo maior roubo a uma instituição espanhola, a quarta temporada tem um valor de produção ainda maior do que o das anteriores.   

“A quarta temporada está muito boa, assim como as outras, mas nesta parte as cenas estão melhores. O desafio é maior, e está muito mais difícil escapar”, conta o Professor. Álvaro refere-se aos obstáculos do segundo roubo feito pelo grupo de ladrões. O assalto teve início já na terceira temporada e carrega um grau de dificuldade maior do que o primeiro porque foi realizado, de certa forma, “no improviso”, para salvar o Rio (Aníbal Cortés), capturado e mantido sob tortura pela polícia. A parte 4 começa com um grande problema para os assaltantes: Nairóbi (Alba Flores) foi baleada e precisa de uma crítica cirurgia nos pulmões. Os momentos de tensão, como de costume nas outras temporadas, são constantes, e o grupo, que conta com novos integrantes, precisa lidar com uma traição, além de um inimigo interno. 

 

Palermo (Rodrigo de La Serna), um dos novos participantes e o líder do assalto, tem um papel-chave no desenvolvimento do plano, que ele mesmo ajudou a estruturar. Lembrando a personalidade temperamental de Berlim — morto na primeira temporada —, o personagem pode ser tanto o herói como o vilão do roubo. O Professor não dá pistas sobre qual será a influência das atitudes de Palermo no desenrolar do plano, mas garante a habilidade de La Serna. “Palermo trabalha muito bem, ele é um grande companheiro, um ótimo profissional e uma pessoa muito divertida.”

Com o sucesso ou não do segundo assalto, o grupo liderado pelo Professor já provou que consegue roubar quantias exorbitantes e, além disso, colocar toda a popu­lação local a favor dos ladrões e do assalto. Na terceira e na quarta parte, os cidadãos espanhóis fazem manifestações em frente ao Banco da Espanha contra a ação da polícia e em apoio ao grupo. O Professor se diz orgulhoso de fazer parte da produção, que, para ele, mostra que as pessoas podem lutar por seus direitos. “Muita gente considera a série um possível incentivo a roubos ­reais, mas não é o que queremos. O que mais me emociona em tudo isso é influenciar as pessoas a lutar contra as desigualdades sociais e contra um sistema que consideram injusto”, afirma.


MÚSICA

Pop relaxante

O Cornershop brilhou brevemente no auge do Britpop em 1997 com o simpático hit Brimful of Asha e seu rock com o tempero indiano adicionado por um de seus líderes, Tjinder Singh. Sumido do grande público, o grupo inglês segue em operação independente e volta com England Is a Garden, primeiro álbum em cinco anos. Uma mistura de rock de tradição com faixas pop mais calmas e relaxantes, com flautas, teclados retrô, cítara, tambores da Índia e guitarras psicodélicas.

England Is a Garden | Álbum de Cornershop | Ample Play Records | Disponível em streaming


LIVRO

História dos remédios

Como surgem os remédios? O americano Thomas Hager conta a história deles ao longo dos séculos no interessante Dez Drogas: As Plantas, os Pós e os Comprimidos Que Mudaram a História da Medicina. Trata das descobertas, curas, vícios e efeitos colaterais dos medicamentos naturais ou químicos, do ópio aos opioides sintéticos, da penicilina aos tranquilizantes, do anticoncepcional ao Viagra. Também fala de pesquisadores injustiçados, interesses econômicos e transformações sociais.

Dez Drogas | de Thomas Hager | Todavia | R$ 69,90 (físico); R$ 44,90 (e-book)


SÉRIES

Pacto cumprido

Em Run, série com produção da criadora de Fleabag, ex-namorados se reencontram para uma viagem sem destino |  Marcelo Orozco

Com as opções de entretenimento restritas ao que pode ser apreciado em casa, novidades na TV são muito desejadas. Melhor ainda se as referências forem boas. O canal pago HBO e a plataforma HBO Go terão a estreia do seriado Run, cuja produtora executiva é a atriz inglesa Phoebe Waller-Bridge, criadora e protagonista do sucesso surpresa Fleabag, que conquistou seis prêmios Emmy em setembro. Em Run, Waller-Bridge é novamente parceira de Vicky Jones, que foi a diretora da peça teatral Fleabag e ajudou na adaptação para a TV. Desta vez, Vicky é a criadora e roteirista principal. E Phoebe atua também como coadjuvante. O foco está em antigos namorados de faculdade — Ruby (Merritt Wever) e Billy (Domhnall Gleeson) — que voltam a se encontrar para cumprir um pacto feito 17 anos antes, acionado pelo envio recíproco da palavra “RUN” pelo celular. Ela topa chutar sua vida para o alto e embarcar com ele em Nova York para uma viagem de trem pelos Estados Unidos. A temporada terá sete episódios, um inédito por semana até 24 de maio na TV. No HBO Go, todos ficam disponíveis para streaming a qualquer hora.

Run| Seriado de Vicky Jones | HBO e HBO GO | Estreia em 12/4