Sustentabilidade é para ter mais lucro, diz VP da Syngenta

Para a vice-presidente de sustentabilidade da empresa, produzir mais alimentos com menos recursos é bom para o meio ambiente e para o negócio

A alemã Alexandra Brand ocupa o recém-criado cargo de vice-presidente de sustentabilidade da suíça Syngenta. Depois de três anos à frente de todos os negócios da divisão para Europa, África e Oriente Médio, Alexandra agora tem de dar escala ao plano de agricultura sustentável da multinacional. Criado em 2013, hoje está presente em 41 países, entre eles o Brasil. “O aumento do lucro dos produtores e dos benefícios ao meio ambiente se traduz em ganho financeiro para a Syngenta”, afirma. Em visita a São Paulo, Alexandra falou a EXAME.

O que motivou a criação desse cargo em janeiro?

Reunir todos os esforços de sustentabilidade, como nosso plano de agricultura sustentável, debaixo de uma liderança com bagagem de negócio. Sustentabilidade tem de fazer sentido econômico. E o aumento da produtividade e do lucro dos produtores, ao adotar medidas ambientalmente corretas, também se traduz em ganho de participação e lucro para a Syngenta.

Como a Syngenta fomenta a sustentabilidade no campo?

No Brasil, mapeamos a região de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. Com isso, conseguimos ser mais precisos no aconselhamento a quem produz soja quanto ao nível de matéria orgânica no solo e à escolha das sementes. Com grãos mais saudáveis e um solo menos exaurido, os produtores não precisam abrir outras áreas de cultivo, o que diminui o impacto sobre as florestas.

Como garantir que a preservação é a conclusão desse ciclo?

Produzir mais com menos e usar menos terra para proteger as florestas é uma premissa do nosso plano. Quanto maior o nível de biodiversidade do solo, menos erosão, menor é a demanda por novas terras. Para isso, estamos muito próximos dos grandes e também dos pequenos produtores.

Por que olhar também para pequenos produtores?

São os pequenos que mais sofrem. Há 200 milhões de pequenos produtores em nossa base de clientes. Eles são muito mais numerosos do que os grandes. Há quem diga que isso só ocorra para tornarmos esses produtores dependentes de nós. O fato é que eles estão usando mais tecnologia em prol da produtividade. Isso garante a vida deles nas fazendas.

A empresa cogita criar uma certificação para produtores ambientalmente responsáveis?

Há outras maneiras de cumprir o papel de premiar os produtores sustentáveis. Nos Estados Unidos, criamos um sistema que analisa dados de um grupo de produtores que são compartilhados com empresas de alimentos, como a Kellogg. Agora é possível dizer a elas quanto comprar de insumos de determinada área pode se reverter numa redução da pegada de carbono.

Há estudos que relacionam o uso de transgênicos com a necessidade de agrotóxicos mais nocivos. Como a Syngenta vê isso?

A correlação de causa e efeito não é tão simples. Quando a produção não é bem gerida, a resistência a pragas cresce, bem como a resistência a pesticidas e herbicidas. É preciso olhar para o tipo de semente, para as práticas de manejo do solo e se os protocolos de uso de defensivos estão sendo seguidos.

Está em curso uma possível mudança na lei que controla o registro de agrotóxicos no Brasil. Isso é positivo ou negativo?

As normas desse setor no país são rígidas e completas, e dão peso igual a aspectos ambientais, de saúde e agronômicos. Concordamos com uma revisão com foco em eficiência. Mas isso não pode custar a redução dos padrões científicos para aprovar um novo ingrediente.