Dados e Ideias — Só falta a economia ajudar na venda de eletrodomésticos

A demanda reprimida de eletrodomésticos está em níveis recordes no Brasil, de acordo com dados da consultoria global em consumo GfK

A demanda reprimida de eletrodomésticos está em níveis recordes no Brasil, de acordo com dados da consultoria global em consumo GfK. Em 2018, haveria espaço para venda de 16 milhões de novos fogões e 9 milhões de geladeiras, nas contas da GfK. Esse potencial — não realizado — é o resultado de dois fenômenos. O primeiro: o número de domicílios continua a aumentar em ritmo superior a 1  milhão por ano, porque o Brasil ainda tem crescimento demográfico. Atualmente, há 72 milhões de residências no país, quase o dobro do patamar de 1994. O outro fator deriva de uma expansão que houve no parque de eletrodomésticos, gerada pelos incentivos concedidos pelos governos petistas para aquisição de aparelhos da linha branca. Com essa mão do Estado, houve uma escalada nas vendas na década passada que atingiu o ápice em 2012, com 9 milhões de fogões e 6 milhões de geladeiras comercializados em 12 meses. As vendas em alta supriram, na época, a necessidade de novas famílias e de quem queria trocar os eletrodomésticos antigos por modelos mais novos. Isso, por sua vez, fez a demanda reprimida cair, no biênio 2012-13, para o menor nível em duas décadas. Desde então, a demanda vem aumentando novamente por outro motivo: a vida útil dos eletrodomésticos comprados durante o boom começa a chegar ao fim e uma onda de reposições está por vir. A perspectiva é boa, mas a economia precisa ajudar. Por ora, o crescimento pífio e o alto desemprego desanimam o consumo.

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STARTUPS

À CAÇA DE POTENCIAIS BILIONÁRIAS

Dá para contar nos dedos o número de startups nascidas em países da América Latina e que valem mais de 1 bilhão de dólares — os chamados unicórnios. No seleto grupo de uma dezena de startups bilionárias da região estão o Mercado Livre, comércio eletrônico criado na Argentina em 1999 e que hoje é um negócio avaliado em 9 bilhões de dólares, e a brasileira PagSeguro, ferramenta de pagamento que virou um unicórnio propriamente dito em janeiro deste ano, com um lançamento de ações na bolsa americana Nasdaq que movimentou 2,3 bilhões de dólares logo na primeira semana. De que setores virão os novos casos de sucesso nos próximos dois anos? A pergunta foi feita a 300 lideranças das maiores empresas da América Latina num evento promovido pelo banco Itaú BBA no início de maio em Nova York. No topo da lista está o setor financeiro, com as badaladas fintechs, apontado por um terço dos executivos. Em seguida, vêm as startups de comércio eletrônico, com 14% da preferência. A surpresa é que, para 25% deles, não haverá novos unicórnios na América Latina até 2020. A visão pessimista leva em consideração percalços crônicos dos países da região. Para os executivos, os maiores entraves às startups são a baixa qualidade da educação, os impostos altos e as ineficiências no marco regulatório para a inovação.

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FERROVIAS

MAIS MOTIVOS PARA TROCAR CAMINHÕES POR TRILHOS

Ferrovia: os ganhos vão além do transporte de cargas | Tales Azzi/Pulsar Imagens

A paralisação dos caminhoneiros em maio deu um nó na recuperação econômica, incomodou o dia a dia dos brasileiros e, além disso, deu mais força a um debate antigo: por que é tão baixo o uso de ferrovias no transporte de cargas no Brasil? Um estudo recente da consultoria GO Associados traz novas evidências dos benefícios do vaivém de mercadorias por trilhos em comparação à movimentação por asfalto. A começar pela redução dos acidentes de trânsito. Um cálculo considerando o escoa-mento por ferrovia de 10 milhões de toneladas de grãos, cerca de 5% da safra brasileira em 2017, conclui que diminuiriam em 10% os acidentes nas estradas, gerando uma economia de 130 milhões de reais em seguros e gastos do Sistema Único de Saúde com o tratamento de feridos. Segundo o estudo, haveria ainda benefícios econômicos. Em discussão no governo federal, a renovação antecipada de concessões das ferrovias poderia atrair investimentos ao setor — e ajudaria a dar mais impulso à retomada da economia brasileira. Até 2027, a conta de investimentos chegaria a 12 bilhões de reais. Dessa quantia, quase 60% seriam empregados em obras — boa parte disso é de expansão da malha ferroviária que já estão nos planos das concessionárias.

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DIGITALIZAÇÃO

O VAREJO SAIU NA FRENTE

A chamada “experiência do consumidor”, jargão do marketing para definir a maneira como um produto é consumido pelo cliente final, é a área de negócios a sofrer mais mudanças com a digitalização das empresas, de acordo com uma pesquisa da consultoria Bain&Company com 1 000 executivos de 12 países, incluindo o Brasil. Na visão de 80% dos entrevistados, a adoção de tecnologias como inteligência artificial, big data e internet das coisas vai mudar a cara do varejo já no curto prazo. Um exemplo da tendência é a primeira loja 100% digital da gigante americana de comércio Amazon. Aberta em janeiro deste ano no centro de Seattle, nos Estados Unidos, a loja é completamente automatizada, dispensando os humanos em processos como atendimento e pagamento. Mesmo com as inovações, o varejo físico deve sofrer para fazer frente às facilidades do comércio eletrônico — inclusive no Brasil. Um estudo da Manhattan Associates, consultoria americana de logística do varejo, com 550 consumidores brasileiros no primeiro trimestre deste ano, mostrou que 70% dos entrevistados preferem a internet às lojas físicas. No topo da lista de motivos estão o preço mais baixo e a rapidez para fechar a compra.

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