Roche quer tornar seus remédios menos “amargos”

O laboratório suíço Roche fabrica medicamentos líderes de venda no Brasil. A meta é que mais pacientes nos hospitais públicos tenham acesso a seus produtos

São Paulo — Quando assumiu o comando da subsidiária brasileira do laboratório suíço Roche, no fim de 2013, o economista alemão Rolf Hoenger traçou entre suas metas ampliar o acesso da população aos medicamentos mais inovadores — e caros — produzidos pela empresa.

Para isso, sua estratégia é priorizar a saúde pública, na qual são realizados os tratamentos mais complexos de pacientes sem condições de arcar com os custos de hospitais particulares. Cerca de 35% do faturamento da Roche no Brasil vem das vendas aos hospitais públicos. A meta é trabalhar para que as compras do governo representem mais da metade dos negócios da empresa nos próximos anos.

“Não basta desenvolver drogas inovadoras para o tratamento de doenças importantes, como o câncer”, diz Hoenger. “É preciso que os medicamentos estejam disponíveis para os pacientes que mais necessitam deles.” A distribuição de medicamentos de alto custo no Sistema Único de Saúde é parte dessa estratégia.

No ano passado, o Conitec, órgão responsável pela análise de remédios usados no SUS, aprovou dois medicamentos da Roche: o Herceptin, para o tratamento de câncer de mama, e o MabThera, para o tratamento de linfomas. O frasco do Herceptin, por exemplo, custa mais de 10 000 reais nas farmácias.

Fabricante de alguns medicamentos campeões de vendas no país — como os tranquilizantes Valium e Lexotan —, a Roche tem investido fortemente na pesquisa de drogas para o tratamento de vários tipos de câncer. Para 2016, a empresa prepara o lançamento de dois remédios usados no tratamento do câncer de pele. Além de oncologia, a Roche tem apostado nas áreas de imunologia e neurologia.

Ao todo, nos últimos três anos, investiu 370 milhões de reais em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. A empresa mantém parcerias com 240 instituições envolvidas em 79 projetos de pesquisa. O investimento contínuo em pesquisa ajuda a Roche a ter um bom desempenho no país. No ano passado, obteve uma receita líquida de 904 milhões de dólares e lucrou quase 68 milhões de dólares.

Sua média de riqueza gerada por empregado (mais de 177 000 dólares per capita) é a maior do setor. O Brasil, representando 2% da receita global da Roche e 40% da América Latina, é o sexto maior mercado da multinacional suíça e o que mais cresce entre as economias emergentes. Em breve, a participação brasileira deve aumentar.

A empresa anunciou no ano passado um plano de investimento de 300 milhões de reais para modernizar sua única fábrica no país, no Rio de Janeiro. A iniciativa permitirá que a Roche aumente a produção 10% e se consolide com um polo exportador. Atualmente, a fábrica brasileira exporta 30% de sua produção para 23 países. O plano é ampliar o índice para 50% em 2017.

Até lá, alguns medicamentos produzidos aqui, como o Bactrim, usado no tratamento de infecções, devem passar a ser exportados para o mundo inteiro. “A fábrica brasileira tem grande potencial para se tornar um centro de produção global da Roche em um futuro próximo”, diz Hoenger.