Na Eurofarma, o remédio descartado de forma adequada

Novo método da farmacêutica Eurofarma permite que o consumidor faça em casa a descontaminação de embalagens de medicamentos

A indústria farmacêutica busca maneiras de diminuir o impacto de seus produtos no meio ambiente, incluindo a contaminação causada por medicamentos. Atenta a esse problema, a farmacêutica Eurofarma desenvolveu em 2017 um método que permite aos próprios consumidores fazer em casa a descontaminação dos blisters (cartelas que acomodam individualmente os comprimidos) de dois de seus produtos: o antibiótico Astro e o contraceptivo Selene. O procedimento é simples e é feito com água sanitária ou água oxigenada — dois produtos facilmente encontrados. Os medicamentos que sobram e os materiais que tiveram contato direto com eles, que antes não podiam ser enviados para reciclagem, tornam-se inertes (não reagem quimicamente) e podem ser encaminhados para a coleta seletiva. A medida possibilita o reaproveitamento de materiais nobres, como alumínio e PVC, que antes eram inutilizados. O passo a passo de como fazer a descontaminação está descrito nas embalagens, que agora contam com 30% de material reciclado em sua composição.

No estudo que tornou viável o procedimento de descarte, a Eurofarma contou com a contribuição do Instituto Senai de Inovação. A farmacêutica investiu mais de 1 milhão de reais no projeto. “Vamos estender agora essa iniciativa a outros produtos. Já temos a expertise”, diz Maria del Pilar Muñoz, vice-presidente de sustentabilidade e novos negócios da Eurofarma. A empresa pretende usar sua força de vendas, de 3 000 propagandistas, para divulgar o novo método. “Queremos mudar o hábito de como o consumidor descarta resíduo farmacêutico.”

Assim como a parceria com o Senai foi importante para a inovação no processo de descarte, o novo software de gestão de resíduos adotado recentemente pela empresa também é resultado de um trabalho a quatro mãos. A Eurofarma fez uma parceria com o instituto Endeavor para criar um programa de aceleração de -startups. “Com esse programa, nosso propósito foi encontrar gente que pensasse diferente, que reagisse com velocidade aos desafios”, diz Maurizio Billi, presidente da Eurofarma. Mais de 300 startups se inscreveram no projeto e 12 foram selecionadas. Essas startups passaram por um programa de mentoria com executivos da Eurofarma. Mais de 75% delas se tornaram fornecedoras — uma delas, a empresa de tecnologia Plataforma Verde, produz o software que permite à Eurofarma identificar com precisão onde estão os resíduos e se há qualquer tipo de desvio ao longo da cadeia. “Todos os nossos -fornecedores terão de trabalhar com esse software”, diz Billi.   


POR UMA EMPRESA COM MAIS LÍDERES MULHERES

A política corporativa da alemã Merck, que leva em conta as particularidades femininas, ajudou a aumentar em 46% o número de mulheres em cargos de liderança nos últimos dois anos | Bruno Toranzo

Como fazer com que mais mulheres se tornem líderes na empresa? Essa é uma pergunta constante na Merck, multinacional alemã do setor farmacêutico e químico que tem quase 1 500 funcionários no Brasil. Desde 2016, a companhia colocou a igualdade de gênero como uma das prioridades de sua política de governança corporativa. Em março de 2017, deu mais um passo ao aderir no Brasil aos Princípios de Empoderamento da Mulher, comprometendo-se a seguir as diretrizes definidas pelas Nações Unidas para garantir a igualdade de condições entre homens e mulheres.

Para que as mulheres possam concorrer com os homens em pé de igualdade, a Merck criou um grupo de trabalho para discutir ideias e estratégias. Esse grupo deu origem, em agosto do ano passado, ao Comitê de Igualdade de Gênero, que é formado por 12 pessoas de diversas áreas e vem promovendo uma série de ações na Merck.  “Até mesmo os horários das reuniões foram alterados, dando flexibilidade para que as mulheres levem e busquem os filhos na escola”, diz Soraya Araujo, gerente de relações institucionais da Merck. Para que essas adaptações fossem bem recebidas no dia a dia da organização, os 100 líderes mais seniores da empresa receberam treinamento para entender melhor as particularidades do universo feminino — por exemplo, para se livrar dos eventuais preconceitos contra mulheres advindos da infância. Foram realizadas também conversas entre os funcionários para estimular um diálogo mais aberto e frequente sobre a igualdade de gênero. “Desde o princípio, nossa meta foi trabalhar para que mais mulheres participem dos processos de sucessão, tornando possível em curto intervalo de tempo sua presença na liderança”, diz Guilherme Maradei, presidente da Merck. Esse objetivo está se tornando realidade. Entre setembro de 2016 e o mesmo mês deste ano, o número de mulheres em cargos de liderança em todas as áreas cresceu 46%. Na equipe de vendas, 30% dos cargos de liderança são hoje ocupados por mulheres — no ano passado, eram 15%.

A preocupação com o aumento da participação feminina se estende para fora da empresa. Em parceria com a ONG Banco da Providência, a Merck capacita mulheres em situação de vulnerabilidade no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Desde 2012, mais de 3 000 mulheres da região fizeram cursos profissionalizantes de culinária, cabeleireira e manicure, entre outros. “Os indicadores mostram que 60% dessas mulheres aumentaram sua renda. Assim, elas transformaram não somente a própria vida como também a de suas famílias”, diz Maradei.


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UMA MÃO PARA A GESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA

Em parceria com o governo do Espírito Santo, a suíça Roche ajudou a desafogar os hospitais da capital que sofriam com o excesso de pacientes vindos do interior do estado | Bruno Toranzo

A suíça Roche, presente em mais de 150 países, trabalha no Brasil em parceria com o Poder Público. Desde 2014, ela oferece seu conhecimento nas áreas farmacêutica e diagnóstica para melhorar a saúde pública de alguns estados brasileiros. O caso mais emblemático é o do Espírito Santo. No segundo semestre de 2016, a Roche identificou problemas crônicos de gestão que comprometiam a qualidade do serviço oferecido à população daquele estado. “Notamos que os pacientes de outros municípios eram todos encaminhados aos hospitais de Vitória para receber diagnóstico”, diz Patrick Eckert, presidente da Roche no Brasil. O problema é que isso obrigava muitas pessoas a se deslocarem até a capital do estado, causando alto absentismo no trabalho e longas filas de atendimento nos hospitais.

O desafio era profissionalizar o atendimento na área da saúde também no interior, ganhando a confiança da população dos municípios capixabas e fazendo com que as pessoas não tivessem de ir até a capital. A Roche ajudou a elaborar o diagnóstico do problema e a propor soluções. O estado foi dividido em regiões, com a criação de três centros de consultas e exames. O atendimento humanizado — ou seja, com uma relação mais próxima entre médico e paciente — foi escolhido como uma das prioridades, o que exigiu o treinamento dos profissionais de saúde de acordo com técnicas modernas. Todas essas ações foram reunidas pela Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo em um programa de política pública. Três focos foram escolhidos: melhoria do acesso à saúde, avanço na qualidade do atendimento e qualificação da gestão. O programa faz parte da Rede Cuidar, projeto que reorganiza o modelo de atenção à saúde no Espírito Santo e que envolve as unidades básicas de todos os municípios. Além da Roche, outras empresas participam desse projeto, como Vale, Unimed Seguros e ArcelorMittal.

A ampliação da oferta de consultas e exames fora da capital permitiu que 85 000 pessoas deixassem de se deslocar para a capital. “Dois trabalhos estão sendo importantes para isso: o atendimento na recepção da unidade de saúde, que ficou mais profissional, e a capacitação dos enfermeiros, que se tornaram mais preparados para ganhar a confiança do paciente”, diz Eckert. Desde o fim de 2016, foram realizadas 22.000 consultas e mais de 1 milhão de pessoas foram impactadas. O custo com saúde no estado caiu 14%. “Essa redução foi obtida com o ganho de eficiência, já que as renovadas práticas de gestão da saúde aumentaram a produtividade”, diz Eckert.