Cedae está pronta para o que der e vier

Enquanto o governo não decide sobre sua privatização, a companhia de água e esgoto Cedae toca suas obras e amplia o faturamento

saneamento básico é um dos velhos gargalos de desenvolvimento do Brasil, onde apenas 55% dos municípios contam com serviços adequados de água e esgoto. Um caso emblemático é o da Baixada Fluminense, onde vivem mais de 4 milhões de pessoas. Pelo menos 25% dos moradores da região não contam com fornecimento regular de água. É preciso também melhorar muito a capacidade de coleta e tratamento de esgoto. Em todo o estado do Rio de Janeiro, o serviço chega a apenas 66% da população. A Cedae, companhia estatal de saneamento, vem tentando diminuir as carências nessa área. Uma das iniciativas mais importantes é o Programa de Abastecimento de Água da Baixada Fluminense, um dos maiores projetos de saneamento do país, com investimentos previstos de 3,4 bilhões de reais para beneficiar 3 milhões de pessoas em oito municípios. Cerca de 85% das obras já foram realizadas. Na cidade do Rio de Janeiro, estão previstas 41 obras de esgoto, orçadas em 1,6 bilhão de reais. Devem ser instalados 391.000 metros de tubulações e 14.000 ligações de água.

Helio Cabral Moreira, presidente da Cedae: programa de demissão voluntária e revisão dos contratos para colocar as finanças em dia | Germano Lüders

As obras continuam a todo vapor, apesar das indefinições sobre o futuro da Cedae. Nos últimos anos, a companhia se viu no meio do caos financeiro que tomou conta do estado do Rio de Janeiro. Com uma dívida de 30 bilhões de reais, o estado aderiu em 2017 ao regime de recuperação fiscal proposto pela União. Empresas com potencial de atrair investidores, como a Cedae, entraram na rota de possível privatização com a finalidade de injetar recursos nos cofres públicos. A modelagem do processo de desestatização da Cedae, conduzida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, estava prevista para ser concluída no ano passado, mas até o momento o martelo não foi batido. Agora, a previsão é que uma decisão sobre a privatização ou não da Cedae seja tomada neste ano ou em 2020.

Enquanto a situação não se resolve, a Cedae tem procurado fazer sua parte. Medidas duras tiveram de ser tomadas para ajudar o Rio de Janeiro a começar a respirar novamente. “Resolvemos fazer um choque de gestão, com metas mais agressivas, revisão de alguns contratos e um programa de redução de custos, para conquistar níveis mais elevados de crescimento”, diz Helio Cabral Moreira, ex-diretor financeiro que assumiu a presidência da Cedae em janeiro. Foi criado um programa de redução de custos que levou 800 funcionários a optar pelo plano de demissão voluntária. Neste ano, metade dos 1.000 cargos comissionados deve ser extinta. A empresa também trocou os fornecedores de serviços de manutenção para aumentar a eficiência. O objetivo é realizar o atendimento de -demandas de reparos da rede de água e esgoto em até 72 horas. Com essas e outras medidas, a Cedae espera manter os bons resultados de 2018, quando faturou 1,4 bilhão de dólares, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. A geração de caixa dobrou e o endividamento caiu. O lucro foi de 242 milhões de dólares, duas vezes e meia o obtido em 2017.

Com as finanças equilibradas, a Cedae prepara-se para as mudanças que devem ocorrer nos próximos anos. “O mercado de saneamento deverá passar por grandes transformações”, diz Maurício Endo, líder da área de infraestrutura da consultoria KPMG. O novo marco regulatório do saneamento, aprovado pelo Senado em junho, seguiu para a tramitação na Câmara. “Caso seja aprovada, a nova lei vai facilitar a atuação de empresas privadas, trazendo mais concorrência ao setor”, afirma Endo. Quem deve ganhar é a população à espera do serviço.

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