Whirlpool conseguiu lucrar, mesmo com vendas menores

Dona das marcas Brastemp e Consul, companhia fechou 2016 com um lucro líquido de 78 milhões de dólares — 16% superior ao valor obtido em 2015

Em um cenário de crise, investimentos em bens duráveis, como fogões e geladeiras, saem da lista de prioridades na maioria dos lares — se o equipamento ainda estiver funcionando, não será substituído por outro mais moderno. O plano de montar um apartamento maior, casar ou ter filhos é adiado por um tempo, até que a economia melhore. Essa tem sido a realidade enfrentada pelas fabricantes de eletroeletrônicos nos últimos anos, e 2016 não foi diferente. A capacidade de se manter de pé durante ciclos econômicos desfavoráveis é um dos desafios das empresas do setor.

“Durante uma crise, a única demanda que persiste é a de reposição. As compras planejadas diminuem bastante”, diz João Carlos Brega, presidente da Whirlpool para a América Latina. Com a retração do consumo, a Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, faturou no ano passado pouco mais de 2 bilhões de dólares, queda de 1% em relação a 2015. Mesmo assim, fechou o ano com um lucro líquido de 78 milhões de dólares — 16% superior ao valor obtido em 2015. 

Além disso, conseguiu melhorar a rentabilidade sobre o patrimônio, para 10% no ano passado, ante 8% do anterior. “Trabalhamos nos últimos anos prevendo um cenário de recessão no país, mas não podíamos antever que ela seria tão longa e tão profunda”, diz Brega. “A boa notícia é que pior do que está não tem como ficar, e logo a demanda reprimida que existe no mercado hoje vai se transformar em crescimento.”

De acordo com ele, a Whirlpool se ajusta para encarar desempenhos modestos por mais dois anos e vislumbra uma retomada apenas a partir de 2019.

João Carlos Brega, presidente da Whirlpool: produtos lançados nos últimos quatro anos respondem por 25% da receita | (Leandro Fonseca/EXAME)

O grande mérito da Whirlpool, que tem lhe permitido atravessar momentos difíceis com relativa tranquilidade, é o planejamento. A adequação do tamanho da operação no Brasil começou em 2014. Não houve demissões, mas a empresa deixou de repor profissionais das vagas encerradas organicamente. Outra medida tomada é a contínua expansão de produtos e serviços, diversificando as fontes de receita.

Os dados da própria empresa apontam que produtos e serviços criados nos últimos quatro anos já respondem por cerca de 25% da receita no país. São lançamentos como a cervejeira Consul, os novos preparadores de bebidas B.blend e serviços relacionados ao purificador de água Brastemp, entre outros.

Para seguir crescendo e criando novos mercados, a Whirlpool investe em inovação. “Se nos perguntassem em 2010 se imaginávamos entrar no mercado de bebidas, provavelmente diríamos que não. Hoje temos uma empresa em parceria com a Ambev para produzir cápsulas de refrigerantes para os preparadores de bebidas B.blend, e é um sucesso”, diz Brega.

Os próximos mercados a ser desbravados estão na área de internet das coisas, conectando aparelhos de uso diário à rede mundial de computadores. A Whirlpool já tem parcerias com o Google e a Amazon para esse fim e faz experimentos com conexão de geladeiras, assistentes pessoais e outros produtos. “Quando a economia melhorar, estaremos preparados, mais maduros e com mais novidades”, afirma Brega.