Programa seleciona universitárias para encontro com executivas

Com mais de 1 000 jovens inscritas pelo site de EXAME, um programa selecionou dez universitárias para uma série de encontros com executivas e empresárias

As mulheres já representam mais da metade dos brasileiros com ensino superior completo. Nos programas de trainee e no nível gerencial, a presença delas também já se aproxima à dos homens. Uma das formas mais eficazes para permitir que elas deem o próximo passo em direção ao topo das companhias é a participação em programas de mentoria, segundo um estudo conduzido por pesquisadores das universidades Harvard e Tel-Aviv. O problema é que, segundo análise divulgada em outubro pela consultoria de estratégia McKinsey e pela organização LeanIn, fundada pela vice-presidente de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, as mulheres têm menos acesso direto a executivos das empresas em que trabalham.

Uma das suspeitas é que naturalmente as pessoas tendem a se aproximar de quem é parecido consigo mesmas. “Olhamos para o topo das empresas e só vemos homens. A jovem que está iniciando a carreira raramente tem um modelo, uma mulher no cargo mais alto da companhia em quem possa se espelhar”, diz André Freire, sócio-diretor da Exec, consultoria de recrutamento de altos executivos.

Com esse dilema em mente, a Exec criou, em parceria com EXAME e a ferramenta de recrutamento online Repense Game, um programa de mentoria com dez executivas e empreendedoras de sucesso destinado a universitárias do penúltimo ou último ano de graduação. As 1 105 jovens de todo o país inscritas, por meio de EXAME.com, para participar do projeto passaram por uma dinâmica de grupo e testes de perfil. O time de recrutadores da Exec entrevistou 20 finalistas e escolheu dez delas para participar de três sessões com uma das mentoras do projeto. Desde agosto, as estudantes selecionadas — de faculdades como administração, engenharia, relações públicas e economia, dos estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco — estão recebendo pessoalmente de suas mentoras conselhos sobre como alavancar a carreira.

Cristina Palmaka, da SAP; Priscila Vansetti, da DuPont; Denise Santos, da Beneficência Portuguesa; Solange Ribeiro, da Neoenergia; Marilia Rocca, da Ticket; Tania Cosentino, da Schneider Electric; Alcione de Albanesi, da Amigos do Bem; Nadir Moreno, da UPS; Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza; e Claudia Soares, da prefeitura de São Paulo (Fotos: Daniela Toviansky; Germano Lüders; Leo Martins; NeoEnergia; Omar Paixão; Regis Filho; Rondon Velozo/MS; Valor/Folhapress)

“Minha expectativa é que eu consiga fazer algo diferente no futuro, obter destaque no trabalho e inspirar outras mulheres”, diz Sara Garcia da Rocha, de 22 anos, estudante de comércio exterior na Univille, em Joinville, Santa Catarina, e estagiária de uma empresa de importações e exportações. Sara teve como mentora a engenheira Priscila Vansetti, presidente da subsidiária da indústria química DuPont no Brasil. Assim como as demais participantes, Sara recebeu um material com uma série de tarefas a ser feitas antes de cada encontro.

Numa delas, era preciso avaliar a própria vida e sinalizar as perspectivas de futuro. “Por um lado, as empresas muitas vezes assumem premissas sobre as mulheres, como a de que não pretendem subir a cargos de maior responsabilidade. Por outro lado, muitas mulheres esquecem de abraçar as oportunidades e de que são elas mesmas as donas de sua carreira. É preciso fazer um plano e executá-lo”, diz Priscila, que atribui sua posição atual ao apoio que teve de mentores e mentoras ao longo de 35 anos de carreira. “Eles me ajudaram a escolher caminhos e me abriram portas.”