Para ministro, programa Criança Feliz trará mais igualdade social

Mas, na prática, o programa tem enfrentado embates políticos e ideológicos

O médico Osmar Terra, de 67 anos, assumiu a Secretaria de Saúde gaúcha no início dos anos 2000 e implementou um programa de primeira infância, em que agentes visitavam as famílias para orientar os pais sobre o desenvolvimento dos filhos. Agora, como ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, ele levou a iniciativa para a cena nacional. Há um ano, lançou o programa Criança Feliz para promover visitações domiciliares em 1 000 cidades até dezembro. “É um programa para a redução da desigualdade”, diz Terra. Na prática, ele tem enfrentado embates políticos e ideológicos. Como exemplo, Minas Gerais não aderiu ao programa — em nota, o estado diz que a iniciativa retrocede a uma prática assistencialista de 15 anos atrás.

O que baseou a decisão de lançar um programa para a primeira infância?

O programa Bolsa Família existe há 13 anos para transferir renda. Ele complementa a comida em casa, para a pessoa não cair na miséria, mas não reduz a desigualdade. Para isso, precisamos de programas estruturantes, que ajudem as crianças a se preparar para a vida escolar e no futuro conseguir um emprego melhor e uma renda maior, como é o Criança Feliz.

Qual o retorno esperado?

A meta para 2019 é atender em domicílio 4 milhões de crianças: aquelas que dependem do Bolsa Família e as que têm déficit neurológico grave. O gasto federal vai ser, em média, de 800 reais por ano por criança. O programa é uma opção para desenvolver a criança que não tem acesso à creche, que demanda um gasto médio anual de 4 000 reais. As avaliações no mundo mostram que, para cada dólar gasto na primeira infância, há uma economia, ao longo da vida, de 7 dólares em serviço social e sistema prisional.

Quais os desafios do programa?

Um deles é o discurso político contra o governo — Minas Gerais, por exemplo, não aderiu ao programa. O outro é o viés ideológico de que o Estado não pode dizer como os pais têm de lidar com as crianças. Temos de enfrentar isso. O Brasil criou um marco legal da primeira infância. E o programa nacional que estamos tocando é descentralizado, não depende só do governo federal. Quem quiser cancelar o Criança Feliz por pretensão política vai ter de dar muita explicação.