Para Mark Mobius, reformas parciais já animam o mercado

Mark Mobius, da gestora Franklin Templeton, diz que o Brasil continuará a crescer porque as reformas estão em curso — mesmo que só uma parte seja aprovada

São Paulo — O investidor americano Mark Mobius é um dos maiores especialistas em mercados emergentes do mundo. Ele administra uma carteira de 27 bilhões de dólares aplicados nesses países pela gestora americana Franklin Templeton. Mobius avalia que a economia do Brasil entrou numa trajetória de crescimento porque as reformas estão no radar e, mesmo que só parte delas seja aprovada, já será um grande avanço. No entanto, ele ressalta os riscos das eleições de 2018 para o país continuar num bom caminho.

Exame – O senhor acredita num processo de retomada da economia brasileira?

Mobius – Não há dúvida de que o Brasil vai continuar a se recuperar no longo prazo. Isso é certo, uma vez que o governo está com a cabeça voltada para a aprovação de uma série de reformas. O simples fato de esse esforço estar acontecendo é uma demonstração de que o país está no caminho correto. Ainda que apenas metade das reformas planejadas seja aprovada, isso já será suficiente para gerar um grande benefício para a atividade econômica.

Exame – Como o senhor avalia a piora da situação fiscal do país, com a elevação da meta de déficit?

Mobius – O governo brasileiro vai ter de fazer uma escolha. A primeira opção é a dos gastos excessivos que resultam em rombos fiscais crescentes e em menor confiabilidade entre credores. A segunda é um programa fiscal mais responsável voltado para o equilíbrio das contas e que tornaria possível uma menor taxa de inflação. Acredito que o caminho do ajuste fiscal será mais benéfico. O crescimento excessivo da máquina pública é um obstáculo ao crescimento das empresas e da produtividade.

Exame – Quais são os riscos para a recuperação do país?

Mobius – Existem preocupações sobre a capacidade de o cenário político desacelerar a atividade. As próximas eleições presidenciais serão um momento crítico para determinar se o país de fato seguirá adiante num bom caminho. Se um político com apetite para a expansão dos gastos do governo e populista chegar ao poder, aí então o prognóstico para o Brasil não será bom. Nesse caso, o cenário visto pelos investidores mudará.