Os novos alvos de Donald Trump

Devido à guerra comercial entre EUA e China, países como Vietnã, França, Coreia do Sul e Índia tiveram aumento das exportações para os Estados Unidos

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China vem produzindo alguns vencedores. Países como Vietnã, Taiwan, França, Coreia do Sul e Índia tiveram um aumento substancial das exportações para os Estados Unidos no último ano. Só o Vietnã — o mais beneficiado — elevou em 33% as vendas, na comparação entre os primeiros seis meses de 2019 e o mesmo período de 2018.

Na outra ponta, as exportações da China para os Estados Unidos caíram 12% em razão das tarifas. Tanta movimentação não passou despercebida. Os Estados Unidos agora suspeitam que empresas chinesas estejam realocando a produção para o Vietnã ou reexportando produtos por meio do país vizinho, para driblar as tarifas.

Recentemente, o presidente Donald Trump chamou o Vietnã de “o maior abusador” das relações comerciais  com os Estados Unidos e impôs uma tarifa de 400% sobre o aço vietnamita. Além disso, o Vietnã foi incluído na lista de países suspeitos de manipular o câmbio. Ser beneficiado pela guerra comercial pode trazer mais problemas que soluções.


HONG KONG

A insatisfação só cresce

Uma pesquisa recente da Universidade de Hong Kong revela a gravidade da situação política na antiga colônia britânica. Boa parte da população não confia no governo central de Pequim, tem uma visão pessimista sobre o futuro da ilha e não acredita no modelo “um país, dois sistemas”, adotado depois da devolução do território à China em 1997. É a mais baixa aprovação do controle chinês já registrada — e a situação é ainda pior entre os jovens. A repressão do governo local, apoiada por Pequim, às recentes manifestações em Hong Kong só ajuda a aumentar a já crescente insatisfação.


VENEZUELA

Qual será o fundo do poço?

Posto em Caracas: anos de má gestão e sanções americanas prejudicam a produção de petróleo | Valery Sharifulin/Getty Images

Os Estados Unidos continuam pressionando o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, cuja economia, baseada no petróleo, está em frangalhos. Desde 2013, quando as turbulências se iniciaram, cerca de 4  milhões de venezuelanos (ou 12% da população atual) já deixaram o país, e a produção econômica acumula uma redução de 60%, segundo o Banco Mundial. A Venezuela é dona de uma das maiores reservas de petróleo do planeta e o setor é responsável por 96% de suas exportações. A produção, no entanto, continua a afundar.

De acordo com a Agência de Energia dos Estados Unidos, a Venezuela produzia 1,2  milhão de barris de petróleo por dia no início do ano (já produziu 3,2 milhões em 2001). Em maio, no entanto, o volume havia caído para 830 000 barris por dia, o menor nível desde 2003.

Por trás da queda, a agência cita anos de má gestão por parte dos chavistas, os recentes apagões de energia e as sanções americanas contra a PDVSA, a estatal do petróleo. Pior, a agência projeta que o encolhimento da produção vai continuar pelo menos até 2020, com mais restrições a ser colocadas pelo governo americano. Os Estados Unidos afirmam ter um plano para a recuperação da economia da Venezuela. Mas, para isso, o primeiro passo seria Maduro deixar o poder para o opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente em paralelo ao regime. É um cenário ainda imprevisível.