Quem não tiver pressa pode lucrar com os títulos públicos

Mesmo com as taxas de juros em baixa, ainda é possível ganhar dinheiro com títulos públicos

A inflação caiu, os juros caíram, mas os títulos públicos atrelados à inflação continuam entre as melhores opções de investimento do mercado. Para aproveitar as alternativas mais rentáveis, é preciso deixar o dinheiro aplicado por mais de 15 anos. Os especialistas recomendam os papéis que vencem entre 2035 e 2050, que rendem de 5,2% a 5,3% ao ano mais a variação da inflação. Os títulos que vencem em prazos mais curtos pagam em torno de 4,8% ao ano além do IPCA. “São ótimas oportunidades porque permitem garantir um retorno elevado durante vários anos.

Se os juros realmente caírem de forma sustentada, será difícil encontrar opções assim no futuro”, diz Otávio Vieira, sócio da assessoria financeira Taler, que atende clientes de alta renda. A maioria dos analistas espera que a taxa Selic chegue a 7,25% até dezembro e que o juro real fique em torno de 4%. A dúvida é o próximo ano. Se a recuperação da economia pressionar a inflação, os juros podem voltar a subir. Por enquanto, os analistas preveem uma alta tímida: a projeção média do mercado financeiro indica que a Selic fechará em 7,5% em 2018.


Porto em Santos: o equilíbrio nas contas externas pode valorizar o real | Gerrmano Lüders

CÂMBIO

O REAL CONTINUA BARATO

Apesar de ter valorizado 20% desde o começo de 2016, o real continua barato em relação ao dólar. A conclusão é de um levantamento do banco JP Morgan, que mostra que a cotação atual do câmbio, de 3,15 reais, está cerca de 5% mais barata do que a média dos últimos dez anos, ajustada pela inflação. Para os analistas dos bancos Bradesco e UBS, o real pode valorizar até o fim do ano.

Motivos principais: o cenário internacional favorável e a queda do risco-país, dois fatores que têm levado ao aumento dos investimentos estrangeiros, além do equilíbrio nas contas externas. Já a perspectiva para 2018 é mais incerta: dependendo da volatilidade causada pelas eleições, o real poderá voltar a desvalorizar. A projeção média dos analistas de mercado é de uma cotação de 3,40 reais no fim de dezembro de 2018.


PARA LEMBRAR

LOJAS AMERICANAS

A queda dos juros e um aumento de capital de 2,4 bilhões de

reais reduziu o endividamento da varejista Lojas Americanas. Com isso, a empresa deve conseguir cumprir a meta de abrir 200 lojas neste ano — em 2015 e 2016, inaugurou 185. Para os analistas, o aumento do consumo das famílias deve beneficiar, num primeiro momento, as lojas que vendem produtos de baixo valor, como a Americanas. As ações da empresa subiram 7% no ano, menos que os 20% do Ibovespa.


PARA ESQUECER

CSN

A siderúrgica CSN não divulga resultados desde o fim de 2016. Da última vez que apresentou seu balanço, os números eram desanimadores: a companhia deu prejuízo e a dívida aumentou para o equivalente a sete vezes a geração de caixa (a média das empresas brasileiras é de duas vezes). A agência de classificação de riscos Fitch rebaixou a nota da CSN afirmando que seus resultados são fracos. Nenhum analista recomenda comprar as ações, que caíram 11% no ano.


Painéis solares no Brasil: o preço diminuiu 30% | Rogério Reis/PULSAR IMAGENS

ENERGIA

DESCONTO NA CONTA DE LUZ

O preço dos equipamentos usados para a geração de energia solar diminuiu cerca de 30% nos últimos 12 meses, segundo a consultoria Greener. O aumento do número de fornecedores e os avanços tecnológicos explicam a queda. Hoje, instalar as placas solares e o inversor (equipamento que transforma energia solar em eletricidade) em condomínios custa em torno de 100 000 reais. Em casas, o preço é de 30 000 reais. A energia gerada que não é aproveitada pelas casas e pelos condomínios durante o dia pode ser vendida às empresas de energia elétrica, que dão descontos nas contas de luz.


IMÓVEIS

SHOPPINGS E GALPÕES EM ALTA

As vendas no varejo cresceram em junho pelo terceiro mês consecutivo, o que levou os analistas a acreditar que o setor começou uma trajetória de recuperação. O início de retomada já teve efeitos no mercado imobiliário. Os fundos que investem em shoppings, galpões e outros empreendimentos logísticos usados como centros de distribuição pelos varejistas valorizaram de 20% a 30% em 2017. O valor dos aluguéis dos galpões subiu pouco neste ano e continua abaixo do patamar de 2016, segundo dados da consultoria imobiliária SiiLA, mas a previsão é de melhora para o setor. “Como há poucas construções, se a demanda crescer um pouco, a vacância vai cair”, afirma Giancarlo Nicastro, presidente da SiiLA.

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