O valor da conta da Coelba diminuiu

A Coelba ajuda clientes em comunidades carentes a pagar menos pela energia

Todos os dias uma centena de jovens entre 17 e 21 anos percorre as ruas dos bairros em que moram, na periferia de Salvador, na Bahia, para ajudar os vizinhos a reduzir a conta de energia elétrica com informações para evitar o desperdício e também com a troca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes.</p>

Se for preciso, eles reformam instalações elétricas antigas e negociam o parcelamento de dívidas. Se encontram ligações clandestinas, oferecem aos moradores uma conexão legal a um custo mais baixo que a tarifa regular, com subsídios do governo. Esses jovens são treinados pelo projeto Agente Coelba, da distribuidora de eletricidade na Bahia, que funciona em 65 localidades carentes da região metropolitana de Salvador desde 1999.

O treinamento dura uma semana. Ao final do aprendizado, o aluno se torna um agente Coelba e é contratado com um salário mensal de 325 reais pela ONG Cooperação para o Desenvolvimento da Morada Humana.

O projeto tem o objetivo de diminuir o valor da conta de energia elétrica de clientes de baixo poder aquisitivo e, ao mesmo tempo, gerar renda para jovens moradores locais. Cada um deles visita dez casas por dia. No total, mais de 200 000 famílias já foram beneficiadas pela iniciativa. Os agentes Coelba já trocaram 6 500 fiações elétricas internas e distribuíram 77 100 lâmpadas fluorescentes.

O trabalho deles já possibilitou que a inadimplência nessas comunidades tivesse uma queda considerável. Em 1999, 62% dos moradores deixavam de pagar a conta de energia elétrica. Atualmente, apenas 17% são inadimplentes. No mesmo período, o índice de perda de energia desviada por instalações ilegais diminuiu 17%. E o mais importante — sem aumentar os gastos dos moradores. Isso porque, além de legalizar ligações de energia, os agentes também efetuam cadastros em tarifas sociais.

O investimento da Coelba no projeto, de 1999 a 2004, totalizou 12,3 milhões de reais. Pouco mais de 75% desse valor corresponde ao 0,5% da receita operacional líquida que a Agência Nacional de Energia Elétrica exige que todas as distribuidoras de energia do Brasil invistam em planos para a redução de consumo.

Em 2005, o projeto consumiu 1,7 milhão de reais e deixou de fazer parte desse programa porque seu escopo extrapolou a simples determinação de redução do consumo. Deste ano para a frente, passou a ser custeado exclusivamente pelos investimentos da empresa que não têm vínculo com o governo.

Segundo uma pesquisa realizada pela Coelba, cerca de 90% das pessoas atendidas afirmam estar satisfeitas com o projeto. “Antes tínhamos apenas duas opções — energia cara ou energia ilegal”, diz Antônio Carlos Silva Santos, morador do Bairro da Paz, uma das localidades de Salvador atendidas pelo programa. “Com o programa, conseguimos regularizar a situação e as pessoas deixaram de pagar mais por falta de informação.”