Visão Global: O que querem os catalães?

Uma pesquisa recente mostra que menos de um terço dos catalães é favorável à independência da Catalunha

Em meio à crise provocada pelo movimento separatista da Catalunha, os políticos de ambos os lados não parecem levar em consideração o que de fato quer a maioria dos moradores da região. Uma pesquisa recente mostra que menos de um terço dos catalães é favorável à independência. Para 46%, o melhor seria que a região continuasse a fazer parte da Espanha, mas com maior autonomia. Outros 19% querem manter as regras atuais. Esses sentimentos estarão em jogo em 21 de dezembro, data das eleições para o novo governo da Catalunha, marcadas por Madri. Antes de o governo do presidente Mariano Rajoy tomar o controle administrativo da região, o Parlamento catalão era dominado por partidos separatistas. Se a configuração mudar, é possível que a crise seja estancada. Caso contrário, os separatistas ganharão força. Para a seguradora de créditos francesa Coface, o segundo cenário é o pior para a economia porque prejudicaria o turismo, responsável por 12% do PIB catalão, e afugentaria mais empresas. No total, 1 700 já mudaram a sede para outras regiões.

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Mauricio Macri, da Argentina: sua

coalizão Cambiemos saiu vitoriosa | Pablo E. Piovano/GETTY IMAGES

ARGENTINA

O PRÓXIMO DESAFIO DE MACRI

O governo do presidente argentino Mauricio Macri saiu fortalecido das eleições legislativas no fim de outubro. Sua coalizão Cambiemos teve uma vitória acima das expectativas: ela levou o governo de 13 das 24 províncias do país, incluindo as mais importantes, e aumentou o número de cadeiras no Senado e na Câmara. A vitória favorece a agenda de reformas do governo, que pretende reformular a Lei de Responsabilidade Fiscal do país para estendê-la aos governos regionais. São medidas urgentes para controlar o déficit primário, que chegou a 4,6% do PIB em 2016 (no Brasil, foi de 2,5%). As medidas tomadas vêm melhorando a situação, mas é preciso cuidar para não perder o foco durante a retomada da economia.

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Plantação de uva no País de Gales: a produtividade na região é uma das menores do Reino Unido | Matt Cardy/Getty Images

REINO UNIDO

A SAÍDA É AUMENTAR A PRODUTIVIDADE

Entre as maiores economias ocidentais, o Reino Unido é a que vem registrando o pior desempenho na produtividade. O índice está praticamente estagnado desde 2007. Nos Estados Unidos, um trabalhador contribui, em média, com 63 dólares no PIB para cada hora trabalhada. No Reino Unido, o número fica em 47 dólares, o mesmo da Espanha e da Itália. Reduzir essa diferença e fazer a produtitividade voltar a crescer é uma das medidas mais urgentes para melhorar as condições de vida no país, segundo um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, publicado em outubro. Para a organização, é preciso começar reduzindo as grandes diferenças regionais dentro do país, aumentando os investimentos e atraindo empresas para o interior. Regiões metropolitanas ricas, como a de Londres, têm uma produtividade quase duas vezes maior do que a do País de Gales e a da Irlanda do Norte, por exemplo.

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O presidente Donald Trump: favorecido pelo aumento da automação | Joshua Roberts/REUTERS

ESTADOS UNIDOS

OS ROBÔS E A ELEIÇÃO

Quase um ano depois da eleição de Donald Trump, os  especialistas ainda estudam os fatores que influenciaram a decisão dos eleitores americanos. Uma nova pesquisa da Universidade de Oxford levanta uma questão: a perda de empregos para a automação ajudou a eleger Trump? A conclusão é que sim. Os pesquisadores analisaram o nível de exposição aos robôs industriais e descobriram uma correlação: as cidades que eram antigos redutos democratas e, desta vez, votaram no republicano são as mesmas onde o número de robôs mais subiu. Se a adoção de robôs tivesse sido menor, o resultado teria sido diferente, segundo o economista Carl Frey, que liderou a pesquisa e é especialista no impacto da automação nos empregos.

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Porto de Lianyungang, na China: a corrupção na alfândega reduz a competitividade | China Daily CDIC/REUTERS

COMÉRCIO EXTERIOR

O CUSTO DA CORRUPÇÃO

Entre os custos relacionados ao comércio exterior, um deles não aparece nas estatísticas: as propinas pagas para liberar os produtos na fiscalização. A Organização Mundial das Alfândegas estima que esse tipo de corrupção cause um prejuízo anual de, pelo menos, 2 bilhões de dólares no mundo. Um estudo recente da OCDE aponta que os países emergentes tendem a ganhar competitividade ao combater a corrupção na alfândega. Entre as medidas sugeridas está a redução da burocracia, com a padronização de documentos exigidos nos postos de fiscalização.

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