Seu Dinheiro: O que os melhores fundos estão comprando na bolsa

Conheça o tipo de papel em que investiram os fundos de ações que mais renderam no primeiro trimestre do ano

BOLSA

AS ESCOLHAS DOS MELHORES

Os gestores dos fundos de ações que mais renderam no primeiro trimestre do ano têm uma aposta em comum: todos estão investindo em papéis de bancos. O setor é considerado um dos mais promissores da bolsa brasileira — mesmo depois de as ações das instituições financeiras terem valorizado 17% no ano, em média. “Os bancos cortaram custos durante a crise e, a partir de agora, voltarão a conceder mais crédito com um nível de inadimplência menor”, diz Rafael Morsch, gestor do fundo Hayp, que pertence à gestora gaúcha Zenith. O fundo, que investe em ações do Banco do Brasil e do Banrisul, é o mais rentável do ano, com um retorno de 44% de janeiro a março, segundo o Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas.

Há também aspectos técnicos beneficiando os papéis de bancos. “São ações muito negociadas, que refletem bem a melhora do ambiente de negócios no Brasil. Por isso, estão entre as opções preferidas dos investidores estrangeiros na bolsa local”, afirma Guilherme Rebouças, diretor de renda variável da gestora do banco Safra, cujo fundo Safra Private I Ações é o segundo mais rentável do ano, de acordo com a FGV.

Outros setores voltados para o consumo interno, como os de varejo e bens de capital, também permanecem atrativos, segundo os gestores — desde que o próximo presidente mantenha os rumos da política econômica. A avaliação geral é que o cenário eleitoral continuou nebuloso após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o Supremo Tribunal Federal ainda pode rever o entendimento que permite a prisão após a condenação em segunda instância, na prática, a lista de possíveis candidatos à Presidência continua em aberto. A expectativa — pelo menos por enquanto — é que o STF mantenha a regra atual, mas a dúvida fez a bolsa cair em meados de abril.


PARA LEMBRAR

DEBÊNTURES

Os fundos que investem em debêntures incentivadas — títulos emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura — renderam mais do que o dobro do CDI no primeiro trimestre. O retorno foi de quase 4%, segundo a provedora de informações financeiras Quantum. O ganho fica mais interessante porque esses fundos são isentos de imposto. O patrimônio deles dobrou em pouco mais de um ano, para 5,3 bilhões de reais.


ATENÇÃO

BRF

O impasse sobre o futuro da administração da BRF provocou uma nova onda de baixa nas ações da companhia. A queda no ano está em cerca de 40%, e apenas cinco dos 14 analistas que acompanham a empresa recomendam comprar seus papéis (há dois meses, eram nove). A assembleia para eleger um novo conselho está marcada para o dia 26 de abril, mas as negociações para a formação do conselho têm tornado a situação da empresa, que é investigada pela Operação Carne Fraca, ainda mais instável.


AÇÕES

METADE DO LUCRO PARA OS INVESTIDORES

Vale: o rendimento gerado apenas pelo pagamento de dividendos poderá chegar a 8% em 2019 | Germano Lüders

A nova política de dividendos da Vale vai aumentar a remuneração dos investidores. Até agora, o estatuto da mineradora previa que, anualmente, fosse pago aos acionistas o valor mínimo previsto por lei, de 25% do lucro. A partir de agora a Vale fará dois pagamentos por ano, e o valor será de 30% da geração de caixa (descontados os valores dos investimentos correntes). Pelos cálculos da empresa de investimentos XP, isso deve corresponder a cerca de 50% do lucro.

A maioria dos analistas avaliou bem a decisão da mineradora. Como as ações caíram nas últimas semanas, seguindo a volatilidade internacional, a equipe do banco BTG Pactual considera que o momento é bom para comprar os papéis da Vale. Nos níveis atuais, o retorno dos investidores apenas com a distribuição de dividendos deverá ficar entre 6% e 8% em 2019.


ASSESSORIA

A BARRA FICOU MAIS ALTA

Bolsa: só 30% dos inscritos em prova se tornaram agentes autônomos | Bruno Rocha/Fotoarena

Com a alta da bolsa nos últimos dois anos, o interesse por trabalhar no mercado de ações aumentou. O número de inscritos na prova de certificação de agentes autônomos (assessores de investimento que trabalham nas corretoras) bateu recorde em 2017 e alcançou 5 599. Foi mais do que o dobro das inscrições de 2016. Mas está mais difícil passar no teste, uma exigência para que os profissionais possam se registrar na Comissão de Valores Mobiliários e atuar. A taxa de aprovação foi de 30% em 2017, a mais baixa da série histórica da Ancord, associação de corretoras. De 2012 para cá, as notas de corte foram elevadas, uma boa notícia para quem depende desse tipo de assessoria.


ENTREVISTA

Investir, no mínimo, 20% do patrimônio no exterior — ou em fundos brasileiros que aplicam no mercado externo — é uma opção para quem está preocupado com o risco eleitoral. A opinião é de Mauro Rached, diretor da área de gestão de fortunas do banco BNP Paribas.

Quais são as melhores opções de investimento hoje?

Comprar títulos públicos atrelados à inflação é uma delas. O rendimento é interessante e, se a inflação aumentar, esses papéis funcionam como proteção. Também recomendamos investir em fundos multimercado e manter as aplicações em bolsa. Para quem está preocupado com o risco eleitoral, mas não apenas para esses investidores, sugerimos aplicar parte do patrimônio no exterior ou em fundos brasileiros que investem lá fora.

Quanto aplicar lá fora?

O percentual do patrimônio depende do perfil do investidor. O mínimo fica em torno de 20%, porque uma diversificação abaixo desse patamar não surtiria muito efeito. Mas quem tem fortes relações patrimoniais ou grandes despesas no exterior, porque mora parte do ano fora do país, por exemplo, pode investir mais do que isso, até cerca de 60% do patrimônio.

O que vale a pena no exterior?

O mundo está crescendo de forma sincronizada, e isso deve contribuir para valorizar as bolsas. Ainda vemos oportunidades em ações americanas e europeias. Investir em imóveis na Europa também pode ser uma opção interessante para clientes mais conservadores, porque os preços podem gerar bons retornos em moeda forte.


APOSENTADORIA

MELHOR, MAS AINDA PREOCUPANTE

Poucos brasileiros investem em planos privados de previdência: apenas 14% do total da população economicamente ativa. Mas um estudo do Global Aging Institute, organização dedicada a estudar o envelhecimento populacional que avaliou oito países emergentes, mostra que alguns estão em situação pior. Na Índia, a previdência complementar chega a menos de 2% dos trabalhadores; no México, a 8%; no Chile, a 11%.

Uma razão para dianteira dos brasileiros é o fato de os fundos de pensão, mantidos por empresas, serem mais antigos aqui do que em outros países emergentes, o que ajudou a criar uma cultura previdenciária, de acordo com os responsáveis pelo estudo. Os benefícios fiscais também acabam atraindo investidores (é possível deduzir as aplicações em PGBLs do imposto de renda a pagar, por exemplo). Em relação a países desenvolvidos, porém, nossos números ainda são ruins: nos Estados Unidos, 54% dos trabalhadores têm planos de previdência.

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