Sete Perguntas | O que Minas vive outros viverão, diz Zema

Para o governador de MG, se os estados não forem incluídos na reforma da Previdência, a crise fiscal se alastrará para outras unidades da federação

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, abandonou uma vida à frente de um conglomerado do varejo com faturamento anual de 1,5 bilhão de reais, o Grupo Zema, para ser político. E, ao contrário de seus negócios, que caminhavam bem (a rede de postos Zema, por exemplo, foi vendida em dezembro para o grupo francês Total por 500 milhões de reais), o estado que comanda passa por uma das piores crises fiscais do país.

Não à toa, ele defende que a reforma da Previdência seja ampliada para os estados e municípios e critica seus pares que não pensam da mesma forma. “O que Minas vive hoje outros estados viverão em cinco anos”, afirma Zema.

O senhor se elegeu em um dos estados em pior situação fiscal. O que já deu para fazer para melhorar as contas?

Reduzimos as despesas desnecessárias. Só a reforma administrativa economiza 1 bilhão de reais. As outras reformas devem gerar economia de 3 bilhões a 5 bilhões de reais. Se somarmos, é insuficiente para sanar o déficit de 15 bilhões. Mas o problema é estrutural e envolve rever gastos amarrados pela legislação.

Uma solução seria a reforma da Previdência. O senhor participa da articulação para incluir estados e municípios?

Sim. Os governadores sabem que é fundamental. Existem aqueles que não apoiaram por questões eleitorais, mas sabem da importância. O que Minas vive hoje outros estados viverão em cinco anos. Podem chegar a uma situação de quase falência.

Caso não haja a inclusão, Minas vai fazer sua reforma?

Não só Minas, como todos os estados. A despesa sobe de elevador e a receita pelas escadas. Teremos de fazer uma reforma, até porque é uma exigência do Tesouro para Minas Gerais aderir ao regime de recuperação fiscal.

A reforma tributária mexe com os estados. O senhor está engajado na discussão?

Estou totalmente engajado. Por aqui, aquilo que depende do Executivo está ocorrendo. Na tributação do ICMS, por exemplo, criamos comissões em que já temos mais de 400 pontos de simplificação de obrigações acessórias. Mesmo sem queda na carga tributária, a simplificação será um avanço gigantesco.

Uma crise logo no início da gestão foi Brumadinho. O que foi feito para evitar que se repita e o que ficou de aprendizado?

O que fica são as mudanças na legislação que a Assembleia votou em 25 de fevereiro. Todas as barragens construídas que ofereçam algum risco terão de ser descomissionadas nos próximos anos. Além disso, as medidas indenizatórias e compensatórias foram formatadas de forma que não se arrastem.

Seu partido não tem maioria na Assembleia Legislativa. Como tem feito para ter governabilidade?

Nossa situação é semelhante à do governo federal. Houve uma pulverização de partidos e isso tornou a governabilidade mais difícil. Mas a Assembleia criou um projeto em que convoca todos os secretários para uma sabatina. Foi positivo para nos aproximar e para os deputados entenderem a gravidade da situação.

O senhor é um empresário que virou governador. O que o surpreendeu na transição?

Tive surpresas boas e ruins. A boa é que há pessoas extremamente capacitadas e competentes no setor público. Uma surpresa ruim foi a falta de atenção com as despesas. Como o recurso não é de ninguém, fica fácil gastar em coisas questionáveis. Não fui morar no palácio. O ex-governador tinha 32 empregadas na casa dele. Tenho uma diarista que vai duas vezes por semana.