Dados e Ideias — O otimismo do brasileiro

A percepção de brasileiros ricos e pobres é a mesma: o Brasil vai mal no presente, mas a visão do futuro é otimista

GOVERNO

A percepção de brasileiros ricos e pobres é a mesma: o país vai muito mal no presente. A maioria da população, porém,  está otimista em relação ao futuro do Brasil. Um estudo da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, em parceria com o instituto de pesquisa Kantar TNS, realizado com 1.000 pessoas logo após o segundo turno das eleições, mostra que 64% dos entrevistados das classes A e B esperam uma melhora na situação econômica a partir do segundo semestre de 2019.

Percentual parecido foi identificado nas classes C, D e E, nas quais  o otimismo vigora entre 58%. “Em geral, períodos eleitorais deixam as pessoas mais esperançosas, mas a pesquisa também mostra que a situação ainda é crítica no país”, diz Valkiria Garré, presidente da Kantar TNS. Tanto é que, para os mais pobres, o governo de Jair Bolsonaro deveria priorizar a oferta de emprego, enquanto, para os de maior renda, o foco do novo governo deveria ser segurança. Já temas que devem ser caros ao próximo governo, como as reformas tributária e da Previdência, estão entre as últimas prioridades — para ricos e pobres.


INVESTIMENTOS

A armadilha da inovação

Fábrica de carros autônomos na China: as inovações disruptivas tiveram bom desempenho | Wei Peiquan/Eyevine/Glow Images

Empresas de todo o mundo injetaram 3,2 trilhões de dólares em inovação e pesquisa nos últimos cinco anos, mas o retorno sobre os investimentos caiu 27% no período. Um estudo da consultoria americana Accenture aponta que 57% das companhias que aumentaram em 25% os aportes em inovação tiveram desempenho pior do que o de seus pares.

Como isso é possível? A explicação é que muitas empresas não usaram os recursos para promover mudanças rápidas e profundas, mas apenas para melhorias incrementais. Com isso, travaram tanto o potencial de crescimento quanto o de lucro dos acionistas. No Brasil, 64% das 103 companhias pesquisadas disseram que pretendem aumentar de 25% a 74% os investimentos em inovação até 2022. O problema, segundo a Accenture, é que 61% desses recursos serão destinados a melhorar produtos e serviços já existentes — ou seja, nenhuma inovação disruptiva deve surgir daí. 


COMÉRCIO EXTERIOR

A boa fase da celulose deve continuar

As fabricantes de celulose brasileiras têm aproveitado a valorização do dólar e o maior número de pedidos vindos da China, dos Estados Unidos e da Europa para exportar mais. Na última década, o total exportado cresceu 8% ao ano tanto em volume quanto em receita. “Os preços devem subir novamente em 2019”, diz Marcelo Schmid, diretor da consultoria Forest2Maket do Brasil, que acompanha o setor. Isso porque a demanda deve continuar crescendo sem que a oferta consiga acompanhar o ritmo.  “Concorrentes, como Canadá e Indonésia, não têm como suprir a nova demanda, e isso deve levar o Brasil a disparar na frente dos demais exportadores.” O país já é o maior exportador do mundo, mas ainda perde para os Estados Unidos em termos de produção de celulose.