O Mercado Livre não está nem aí para a Amazon

Depois de crescer 60% em um ano no Brasil, o Mercado Livre pretende investir mais 1 bilhão de reais no país, diz seu presidente mundial Marcos Galperin

São Paulo — O site de comércio eletrônico Mercado Livre viveu numa espécie de realidade paralela em meio à maior recessão da história brasileira. Enquanto a imensa maioria das empresas sobreviveu demitindo e cortando custos — e as que não tiveram sucesso fecharam as portas —, o Mercado Livre comemora seus resultados no país. As vendas globais do site aumentaram 55% no segundo trimestre, para 2,7 bilhões de dólares, e boa parte do desempenho se deve à operação brasileira.

Por isso, segundo declarou a EXAME o presidente mundial da empresa, o argentino Marcos Galperin, o plano é fazer um investimento recorde no país ainda neste ano, de 1 bilhão de reais, o que inclui a inauguração do primeiro centro de distribuição da empresa aqui. Fundado há 18 anos na Argentina por Galperin e um sócio, o Mercado Livre é especializado em intermediar a venda de produtos de pequenos comerciantes a consumidores. Abriu o capital em 2007 na bolsa americana Nasdaq — apenas nos últimos 12 meses, suas ações valorizaram 45%.

O lucro caiu neste ano em razão de perdas cambiais na Venezuela e da adoção de uma política de não cobrar frete, bastante popular no Brasil. Mas Galperin afirma que a perda é pontual. “Ao longo dos anos, os nomes dos concorrentes foram mudando. O nosso ficou”, diz ele.

EXAME – A empresa está investindo mais no Brasil para se proteger do esperado aumento da concorrência da varejista americana Amazon, que vai ampliar a lista de produtos vendidos aqui?

Galperin – Não. Sempre tivemos muita concorrência no Brasil e em toda a América Latina. Hoje mesmo já concorremos com a Amazon no México. Os números mostram que nossa estratégia funciona.

O senhor teme a expansão da Amazon no Brasil?

Não. Podemos ter um, cinco ou 100 concorrentes — Amazon, Alibaba, Ebay, PayPal, B2W, Netshoes — que a nossa estratégia permanece a mesma e continuamos crescendo. Ao longo dos anos, os nomes dos concorrentes foram mudando. O nosso ficou.

O senhor diz que vai investir 1 bilhão de reais no Brasil. Qual o objetivo?

Os recursos são necessários para financiar a política de frete gratuito, o investimento em publicidade, o desenvolvimento de software e novas contratações. Nas primeiras semanas de agosto, contratamos 120 pessoas no Brasil, um recorde mensal. Temos hoje 1.600 funcionários aqui e 5.000 no mundo. Basicamente, é um investimento para aumentar toda a operação no Brasil. Outro investimento importante é a abertura do nosso primeiro centro de distribuição no Brasil, com 17.000 metros quadrados e capacidade para chegar a 50.000 metros.

Por que ter um centro de distribuição se os produtos são vendidos por terceiros?

O objetivo é agilizar a entrega dos maiores vendedores. Nós tivemos no ano passado 8 milhões de vendedores, metade deles no Brasil. Cerca de 400.000 são pessoas que montaram um pequeno negócio e vivem apenas de vender produtos no site. Os maiores entre eles são aqueles que vão fazer uso do nosso centro.

A logística era um gargalo da operação?

Não. Não era um problema. Mas, definitivamente, quanto mais rápida for a entrega, maior a satisfação. Com o centro de distribuição, ela vai melhorar mais.

Por que o varejo online cresce mesmo em meio à queda do consumo no Brasil?

Por causa dos fatores ligados à tecnologia. Os smartphones ficam cada vez mais baratos, as conexões 3G e 4G melhoram. Tudo isso faz com que mais gente esteja conectada à internet, o que favorece o comércio eletrônico. Com recessão ou crescimento, essa é uma mudança que vai acontecer de qualquer maneira.

 (Adaptação: Rodrigo Sanches/EXAME)

Por que oferecer frete gratuito?

Porque está ajudando a aumentar as vendas. Enquanto o setor de comércio eletrônico deve crescer 12% neste ano no Brasil, nós estamos crescendo 60%. Quem vive em Manaus e quer comprar um celular, por exemplo, chegou a pagar 150 reais pelo envio no passado. Nós perdíamos vendas por causa disso. Agora, o frete gratuito é uma alternativa.

O lucro do Mercado Livre levou um tombo por causa dessa política de frete gratuito. Mesmo assim, o senhor diz que foi uma decisão acertada?

Sim. Adoramos essa decisão. Vamos mantê-la e até aumentá-la. Daí a decisão de investir tanto dinheiro no Brasil neste ano, o maior valor da nossa história. E uma parte desse montante será usado para cobrir o frete gratuito.

Em junho, o Mercado Livre entrou na lista das 100 maiores empresas da Nasdaq. Foi a primeira empresa latino-americana a fazer isso. É um mau sinal que haja apenas uma empresa de tecnologia da região nesse grupo?

Não. Hoje, não há sequer uma empresa europeia nessa lista. Nenhuma. É claro que eu gostaria que houvesse mais empresas latino-americanas. Para nós, é um reconhecimento grande. Estamos orgulhosos. E também acho representativo do que é a indústria de tecnologia. Se paramos de inovar, se paramos de correr riscos, nos tornamos irrelevantes. Foi o que aconteceu com o Yahoo, que saiu da lista da Nasdaq.

Outras empresas de comércio eletrônico latino-americanas estão abrindo o capital, como a Netshoes e a Decolar. Como o senhor avalia esse movimento?

É muito positivo para a região. Acho que é um bom sinal do desempenho do setor de tecnologia e da economia da América Latina. Para nós, também é positivo porque, finalmente, vamos poder olhar os resultados financeiros de outras empresas. Todas elas sempre olharam os nossos números, mas os números delas sempre foram privados.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. GÊNIO DA LÂMPADA DE LED

    Os argentinos são um povo de estrema eficiência, são pessoas extremamente inteligentes, NÃO QUE O BRASILEIRO NÃO SEJA, vocês estão de parabéns em tudo, mas, só o que não agrada é que deixa a desejar a sede de vocês aqui no Mercado Livre Brasil antes de minha conta ser bloqueada era tratado como um REI, fui convidado para fazer pesquisa, visitar vocês na melicidade depois do bloqueio caiu a coroa, , onde a demora no atendimento é absurda, hoje um pai de família que depende do mercadolivre tem a conta bloqueada e tratam como bandido, não tem comunicação, não ligam, não respondem e-mail, para mim isso é um verdadeiro lixo, peço desculpas nas palavras, mais se coloca no meu lugar e no de muitos vendedores que precisam continuar as suas vendas, agora me fala para que a sua atenção ? para que esse respeito seu, se funcionários tratam as pessoas como saco de merda, como lixo, não adianta a sua eficiência se seus funcionários não resolvem os problemas dos Vendedores , sem vendedores não existem compradores, só adicionar meu telefone no whatsapp 11974679922 que verá o que estou falando, participo de vários grupos de vendedores do mercadolivre no whatsapp, os vendedores cada dia que passa estão mais insatisfeitos, realmente hoje não tem um plataforma igual a de vocês, peço ajuda, porque estou a 10 dias sema vender e até o momento não resolveram meu problema. att directautomacao. Grato.

  2. Dionatã Mafaldo

    http://www.anunciebrasilclassificados.com.br também é um excelente site de anúncios classificados grátis e ilimitados.